Logotipo Afya
Anúncio
OrtopediaAGO 2023

Pregabalina é eficaz no tratamento da ciatalgia, dor do nervo ciático?

Pregabalina já é muito utilizada na dor neuropática, ansiedade e fibromialgia e estudo examinou se é eficaz também neste caso.

O anticonvulsivante pregabalina é muito utilizado no tratamento da dor neuropática, ansiedade e fibromialgia. Um artigo conhecido publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) examinou se o fármaco também é eficaz na redução da dor lombar crônica tipo ciática.

Para o estudo, pesquisadores realizaram um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, de pregabalina em 207 doentes com dor crônica lombar tipo ciática. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber uma dose de 150 mg/dia de pregabalina ajustada para uma dose máxima de 600 mg/dia ou um placebo correspondente por até 8 semanas.

O desfecho primário foi a intensidade da dor na perna em uma escala de 10 pontos (com 0 indicando nenhuma dor e 10 a pior dor possível) na semana 8. A intensidade da dor também foi avaliada na semana 52, um ponto de tempo secundário para o desfecho primário. Os desfechos secundários incluíram a extensão da incapacidade, a intensidade da dor nas costas e as medidas de qualidade de vida em momentos pré-especificados ao longo de um ano.

Leia também: Cirurgia versus tratamento conservador na dor ciática persistente por 4-12 meses

pregabalina

Pregabalina na dor lombar crônica

Um total de 106 pacientes receberam pregabalina e 101 receberam placebo. Na semana 8, o escore médio não ajustado da intensidade da dor na perna foi de:

  • 3,7 no grupo da pregabalina
  • 3,1 no grupo do placebo (diferença de média ajustada, 0,5; intervalo de confiança [IC] de 95%, -0,2 a 1,2; p = 0,19)

Na semana 52, a pontuação média foi de:

  • 3,4 no grupo da pregabalina
  • 3,0 no grupo placebo (diferença de média ajustada, 0,3; IC de 95%, -0,5 a 1,0; p = 0,46)

Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos em relação aos desfechos secundários em nenhum dos períodos analisados. Um total de 227 eventos adversos foram notificados no grupo de pregabalina e 124 no do placebo. A tontura foi mais comum nos pacientes que tomaram pregabalina (40% vs. 13% no grupo do placebo).

Pelos resultados, os pesquisadores concluíram que o tratamento com pregabalina não reduziu significativamente a intensidade da dor na perna associada à compressão ciática e não melhorou significativamente outros resultados, em comparação com placebo, ao longo de 8 semanas. A incidência de eventos adversos foi significativamente maior no grupo de pregabalina, sugerindo que os médicos devem repensar a escolha do fármaco nos casos de dor ciática.

Um outro estudo publicado esse ano na revista espanhola Atención Primaria foi uma revisão sistemática e metanálise que teve o objetivo de avaliar a efetividade da pregabalina e gabapentina sobre a dor e disfunção causadas pela compressão do nervo ciático e eventos adversos associados ao uso clínico.

Depois de pesquisas de ensaios clínicos randomizados nas bases de dados Cochrane, MEDLINE e EMBASE, foram selecionados 8 artigos com 747 pacientes. A conclusão da revisão sistemática foi de que há falta de evidências sobre a eficácia da pregabalina ou gabapentina no tratamento da dor ciática. Portanto, seu uso clínico de rotina não deve ser estimulado.

Revisão rápida sobre a pregabalina

O que é a pregabalina:

A pregabalina é um medicamento da classe dos anticonvulsivantes, que age ligando-se à subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio dependentes de voltagem no SNC e modulando o influxo de cálcio nos terminais nervosos, inibindo assim a liberação excitatória de neurotransmissores, incluindo glutamato, noradrenalina, serotonina, dopamina e substância P.

Pode afetar também as vias de transmissão da dor noradrenérgica e serotoninérgica descendente do tronco cerebral para a medula espinhal (Fonte: Whitebook).

Para que serve a pregabalina:

Seu uso clínico tem evidências para:

  • Epilepsia;
  • Fibromialgia;
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada;
  • Dor neuropática.

Efeitos colaterais do anticonvulsivante:

  • Nasofaringite;
  • Aumento do apetite e peso;
  • Humor eufórico, confusão, irritabilidade, depressão, desorientação, insônia, diminuição da libido;
  • Tontura, sonolência, ataxia, coordenação anormal, tremores, disartria, amnésia, dificuldade de memória, distúrbios de atenção, parestesia, hipoestesia, sedação, transtorno de equilíbrio, letargia;
  • Visão turva, diplopia;
  • Vômitos, constipação, flatulência, distensão abdominal, boca seca;
  • Espasmo muscular, artralgia, dor lombar, dor nos membros, espasmo cervical;
  • Edema periférico, edema, marcha anormal, quedas, sensação de embriaguez, sensação anormal, fadiga.
Anúncio

Assine nossa newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Ao assinar a newsletter, você está de acordo com a Política de Privacidade.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Referências bibliográficas

Compartilhar artigo