A artrose de ombro sem lesão do manguito rotador é uma doença degenerativa que leva à dor, rigidez e limitação funcional. Geralmente acontece em pacientes com artrite reumatoide, artrose primária, osteonecrose ou alterações pós-traumáticas e é tratada mais comumente com a artroplastia total do ombro anatômica (ATOA). Já os casos de artrose por insuficiência do manguito rotador são tratados cirurgicamente pela artroplastia total do ombro reversa (ATOR) melhorando a biomecânica desse tipo de paciente.
Atualmente, a artroplastia reversa vem sendo utilizada também em pacientes com manguito rotador intacto sob a justificativa de se tratarem de pacientes idosos em que pode haver fraqueza dessa musculatura. Entretanto, a eficácia da técnica comparada à anatômica ainda é motivo de debates quanto a esse tipo de paciente.
Diante disso, foi publicado recentemente na revista “Clinics in Orthoedic Surgery” um estudo com o objetivo de completar esta lacuna de investigação, comparando sistematicamente os resultados da ATOA e ATOR em pacientes com osteoartrite do ombro e manguito rotador intacto.

Metodologia
A revisão sistemática pesquisou as bases de dados PubMed, Medline e Scopus até dezembro de 2024. Foram incluídos estudos clínicos comparativos com níveis de evidência de I a III e um período mínimo de acompanhamento de 2 anos, publicados em inglês, avaliando diretamente os resultados de ATOR versus ATOA em pacientes com osteoartrite de ombro e manguito rotador intacto, com relato clínico pós-operatório de resultados ou complicações.
Os estudos foram excluídos se fossem ciências básicas ou pesquisa biomecânica, série de casos, relatos de casos ou revisão de artigos ou se analisaram populações derivadas da mesma instituição, mesma equipe cirúrgica ou de coortes previamente publicadas.
Resultados
Um total de 14 estudos, abrangendo 4819 casos, foram incluídos na análise. A artroplastia reversa demonstrou um valor significativamente menor de taxa de revisão em comparação com a anatômica (OR, 0,43; IC 95%, 0,29 a 0,65; p < 0,001), enquanto ambos os procedimentos produziram pontuações semelhantes do Constant (MD, –2,23; IC 95%, –5,80 a 1,33; p = 0,22), teste simples do ombro (MD, 0,11; IC 95%, –0,30 a 0,52; p = 0,59), American Shoulder and Elbow (MD, –1,51; IC 95%, –4,91 a 1,90; p = 0,39), valores subjetivos do ombro (MD, 2,16; IC 95%, –2,44 a 6,75; p = 0,36) e escala visual analógica para dor (MD, –0,25; IC 95%, –0,72 a 0,21; p = 0,29). Nos resultados de amplitudes de movimento, as técnicas também foram semelhantes, exceto para rotação externa, onde a anatômica demonstrou superioridade (MD, –11,28; IC 95%, –14,95 a –7,61; p < 0,001).
Mensagem final
O estudo concluiu que as duas técnicas produziram resultados muito semelhantes em índices funcionais, porém com a artroplastia reversa possuindo uma menor taxa de revisão. Portanto, na prática, a artroplastia reversa deve ser a preferência dos cirurgiões nesses casos visto que uma menor chance de revisão também leva à menor chance de complicações relacionadas a um novo procedimento.
Autoria

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁ Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁ Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.