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Ortopedia23 junho 2026

Há indicação para infiltrações na artrose glenoumeral?

Revisão avalia ácido hialurônico, corticoides e ortobiológicos na artrose glenoumeral. Veja os resultados.

A artrose glenoumeral é uma causa comum de dor no ombro e é mais frequentemente primária, principalmente em indivíduos idosos. Quando acontece em pacientes abaixo dos 50 anos pode estar mais associada a trauma, instabilidade do ombro e sobrecarga (“overuse”). O tratamento inicial geralmente é conservador com mudanças do estilo de vida, medicamentos, fisioterapia e até injeções intra-articulares. 

Para as infiltrações, os corticosteroides (CCs) e o ácido hialurônico (AH) são os agentes mais comumente empregados. No entanto, novos agentes biológicos, como 

plasma rico em plaquetas (PRP), concentrado de aspirado de medula óssea (BMAC) e células-tronco mesenquimais (MSCs), têm recebido atenção recentemente. Apesar do uso generalizado de tais substâncias, as evidências atuais para esses tratamentos na artrose glenoumeral são inconclusivas, especialmente para resultados a longo prazo. 

artrose glenoumeral

Quais estudos foram incluídos? 

Diante da heterogeneidade e o panorama em constante evolução das opções de infiltração para artrose glenoumeral, foi publicado recentemente no “European Journal of Medical Research”um estudo com o objetivo avaliar criticamente e sintetizar as evidências clínicas atuais sobre estratégias para injeção intra-articular em adultos com osteoartrose do ombro. 

A revisão sistemática pesquisou as bases de dados PubMed, Web of Science e Embase em maio de 2025. Foram incluídos artigos em inglês, alemão, italiano, francês ou espanhol com pelo menos seis meses de “follow up” de ensaios clínicos randomizados (ECR), estudos de coorte prospectivos e retrospectivos, estudos de caso-controle e estudos transversais. Os critérios de exclusão incluíram revisões, relatos de caso, cartas, opiniões de especialistas, editoriais, estudos com animais, estudos in vitro e pesquisas biomecânicas ou com cadáveres. 

Ácido hialurônico tem bons resultados? 

Treze estudos clínicos foram incluídos na síntese quantitativa final. Estes compreenderam cinco ensaios clínicos randomizados (ECR), seis estudos de coorte prospectivos e dois estudos retrospectivos. Foram analisados ​​dados de 1125 pacientes (1126 ombros). A idade média dos pacientes foi de 63,4 ± 5,8 anos, e 34,1% (384 de 1.125 pacientes) eram mulheres. Os tratamentos intra-articulares mais realizados incluíram ácido hialurônico e corticoesteroides. A taxa de cirurgia para sintomas persistentes ou comprometimento funcional foi de 3,2% (35 de 1.079 procedimentos relatados) e a taxa geral de complicações foi de 7,2% (56 de 780 procedimentos relatados). 

Mensagem prática 

O estudo concluiu que as evidências atuais apoiam o papel potencial de diferentes terapias injetáveis, com o ácido hialurônico demonstrando benefícios consistentes, embora modestos. Em contrapartida, as evidências para os ortobiológicos permanecem limitadas, principalmente devido à heterogeneidade no desenho dos estudos, nas medidas de desfecho e nas características dos pacientes.  

Na prática o que sabemos e percebemos hoje é que a grande maioria das terapias injetáveis intra-articulares apresentam bons resultados para melhora da dor, porém sem evidência de regeneração tecidual. Dessa forma, a corrida das pesquisas sobre o uso de ortobiológicos é cada vez maior com o objetivo de demonstrar evidências em estudos comparativos de alto nível. 

Autoria

Foto de Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 2016. Ortopedista, Cirurgião de Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético. Atua como Staff do serviço de Cirurgia de Mão do INTO e Professor Substituto de Cirurgia de Mão na Universidade Federal Fluminense (UFF).

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Referências bibliográficas

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