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Ortopedia18 julho 2026

Fraturas da cabeça femoral: conceitos atuais

Revisão sistemática aborda classificação, tratamento e complicações das fraturas da cabeça femoral, lesões raras associadas a traumas de alta energia.

Fraturas da cabeça femoraL são incomuns e apresentam desafios em termos de classificação, métodos cirúrgicos e protocolos de tratamento. Frequentemente, acompanham luxações do quadril, predominantemente posteriores. Existem vários sistemas de classificação, incluindo os de Stewart e Milford e o de Pipkin, que divergem ainda mais especificamente para fraturas da cabeça femoral.  

No entanto, esses sistemas têm limitações para abordar certos tipos de luxação. As opções de tratamento incluem redução fechada, redução aberta e fixação interna (RAFI), excisão de fragmentos ou artroplastia total do quadril (ATQ), com estudos recentes apoiando abordagens cirúrgicas anteriores, apesar das preocupações sobre o impacto no suprimento sanguíneo.  

fraturas da cabeça femoral

Qual a motivação do estudo e os métodos utilizados? 

Apesar dos vários métodos de tratamento, a abordagem ideal para o melhor prognóstico permanece incerta, com as evidências atuais limitadas devido à raridade dessas fraturas. Diante disso, foi publicado recentemente no “European Journal of Orthopaedic Surgery and Traumatology um estudo com o objetivo de identificar avanços na classificação, tratamento, critérios de resultados e taxas de eventos adversos desde revisões anteriores em 2009 e 2024. 

O estudo foi uma revisão sistemática da base de dados PubMed entre janeiro de 2009 e janeiro de 2025. Foram incluídas fraturas não patológicas da cabeça femoral 

associadas ou não à luxação do quadril, independentemente do tratamento acompanhadas por pelo menos 24 meses e pelo menos um dos tópicos de interesse foi descrito: classificação de fraturas e tipo de abordagem de tratamento (anterior, posterior etc.). 

Como desfecho, pelo menos um dos seguintes tópicos foi descrito: avaliação de resultados por uma escala funcional (critérios de Thompson e Epstein) ou complicações graves (ossificação heterotópica, necrose avascular da cabeça femoral ou osteoartrite). 

Principais achados 

Ao todo, 22 artigos atenderam aos critérios de inclusão. Todos os estudos forneceram o mecanismo da lesão, bem como a idade e o sexo do paciente. O mecanismo de lesão mais comum foi o acidente de trânsito em todos os 22 estudos, com muitos dos feridos sendo homens de meia-idade.  A classificação de Pipkin foi utilizada em 86,4% dos estudos.  

Quais são as principais complicações?

Redução aberta e fixação interna (RAFI) e excisão de fragmentos foram as duas técnicas cirúrgicas mais comuns utilizadas e os desfechos adversos para os pacientes incluíram ossificação heterotópica, osteoartrite pós-traumática e necrose avascular, com taxas de 9 a 37% entre os estudos. Para a taxa de desfechos adversos, a heterogeneidade entre os estudos foi identificada utilizando um modelo de efeitos aleatórios. 

O que podemos levar para a prática? 

O estudo confirmou o sistema de classificação de Pipkin como o mais utilizado para fraturas da cabeça do fêmur e a redução aberta e fixação interna (RAFI) como método de tratamento mais comum. Embora as fraturas da cabeça do fêmur sejam raras, a taxa de desfechos adversos após a lesão é extremamente alta (35%).  

Mensagem prática 

Na prática, as fraturas da cabeça femoral são causadas por traumas de alta energia em paciente com lesões associadas e o que guia o tratamento é o tipo de fratura (passível de fixação ou não). Nenhum estudo foi capaz de relacionar o tipo de fratura ou tratamento com superioridade com relação aos principais desfechos e a taxa de complicações é alta. 

Autoria

Foto de Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 2016. Ortopedista, Cirurgião de Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético. Atua como Staff do serviço de Cirurgia de Mão do INTO e Professor Substituto de Cirurgia de Mão na Universidade Federal Fluminense (UFF).

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