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Ortopedia17 março 2025

Epicondilite lateral – o que é, como diagnosticar e tratar

A epicondilite lateral é uma tendinopatia degenerativa ou tendinose com aparência histológica de tendinose angiofibroblástica

A epicondilite lateral também é conhecida como “cotovelo de tenista” por ser comum em praticantes que utilizam o golpe do backhand à uma mão. Tem uma prevalência de 1,3% na população e uma etiologia multifatorial (microtraumas repetitivos em pessoas fisiologicamente susceptíveis). Envolve mais comumente a inserção do tendão extensor radial curto do carpo (ERCC) no epicôndilo lateral, mas também pode acometer em 1/3 dos casos o extensor comum dos dedos (ECD) e raramente o extensor radial longo do carpo (ERLC) e extensor ulnar do carpo (EUC).  

Tem associação com tabagismo e pico de incidência aos 45 anos de idade, com a maioria dos pacientes entre 35 e 54 anos. O membro superior dominante é mais afetado e há distribuição igual entre os sexos. Mais de 50% dos casos vão apresentar recorrência dos sintomas. 

É uma tendinopatia degenerativa ou tendinose com aparência histológica de tendinose angiofibroblástica. O impacto do tendão do ERCC na borda lateral do capitelo causaria abrasão e desgaste, podendo também ser uma etiologia.  São outros achados comuns histopatológicos a formação fibrocartilaginosa ou degeneração mucoide ou hialina; proliferação fibrovascular e focos de calcificação. 

Epicondilite lateral

Estágios 

Os estágios evolutivos da doença são divididos em 4. 

  • Estágio I: processo inflamatório, normalmente restrito à apresentação inicial da doença 
  • Estágio II: degeneração angiofibroblástica 
  • Estágio III: falha estrutural 
  • Estágio IV: fibrose e calcificação no cenário de componentes dos estágios II ou III 

Apresentação  

É caracterizada por dor no epicôndilo lateral e na origem do ERCC (levemente distal e anterior ao epicôndilo). A dor geralmente é desencadeada por extensão resistida com antebraço em pronação e cotovelo estendido. O teste da cadeira é descrito por elevar a cadeira com o membro, com antebraço em pronação e punho em extensão, causando dor. Pode haver sobreposição com a síndrome do túnel radial nas queixas e achados físicos: dor em ambas as patologias com extensão dos dedos e supinação contra resistência. 

 Diagnósticos diferenciais  

Aparecem como diagnósticos diferenciais a condromalácia, tumores periarticulares, corpos livres, plica, defeitos osteocondrais, radiculopatias cervicais, instabilidade ligamentar. A síndrome do túnel radial também pode estar presente (em 5% dos casos). 

Diagnóstico  

Para o diagnóstico são importantes a história clínica e exame físico e as radiografias geralmente não ajudam no diagnóstico (podem mostrar calcificações – infiltrações ou processo degenerativo). A ressonância magnética mostra aumento do sinal em T1 e T2, pode mostrar franca separação/rasgão do músculo do osso e tem boa correlação com achados intraoperatórios. 

Tratamento 

O tratamento não cirúrgico é a principal forma de tratamento, tendo 85-90% de resposta positiva, embora 40% dos pacientes tenham dor residual. A mudança de atividade é uma das principais medidas, evitando atividades que desencadeiam a dor. É dividido em três fases:  

Fase 1: mudança de atividades, utilização de gelo, AINES, imobilização noturna e infiltração com corticoide. 

Fase 2: reabilitação após melhorar sintomas agudos e movimento completo do punho e cotovelo sem dor, exercícios isométricos e alongamentos, seguindo por exercícios de resistência e fortalecimento. 

Fase 3: manutenção das medidas de mudança de hábitos. 

Atualmente, a terapia por ondas de choque (TOC) e as infiltrações com imunobiológicos têm sido utilizadas como opção às infiltrações de corticoides com resultados semelhantes na melhora da dor evitando os resultados deletérios dos corticosteroides a longo prazo. 

O tratamento cirúrgico é indicado na falha do tratamento conservador por um curso de 6 a 9 meses. Consiste na excisão da área de tendinose, desbridamento do leito tecidual local e reinserção do tendão em sua origem. A taxa de sucesso é de 97% (e no procedimento de revisão de 83%). A aparência grosseira do tendão e sintomas do paciente nem sempre se correlacionam com o grau histopatológico.  

No tratamento cirúrgico, são opções: a liberação da origem dos extensores aberta ou percutânea (taxa de sucesso de 70-91%); remoção da tendinose com reparo/liberação do ERCC; denervação do epicôndilo; liberação ou desbridamento da origem ERCC. O procedimento artroscópico é seguro e confiavelmente reprodutível sendo usados dois portais (anteromedial – visualização e anterolateral – trabalho).  

A recorrência após cirurgia está associada à ressecção incompleta/inadequada da tendinose. Se há grande acometimento do tendão, pode-se realizar transposição do ancôneo. 

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