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Ortopedia9 janeiro 2026

É seguro realizar uma osteotomia da TAT durante uma revisão de ATJ?

Estudo recente avaliou a osteotomia da tuberosidade anterior da tíbia na revisão de artroplastia total do joelho, destacando segurança, consolidação e ganho funcional
Por Rafael Erthal

A cirurgia de revisão de artroplastia total do Joelho (revisão de ATJ) envolve inúmeros desafios sendo um deles a dificuldade de exposição durante o acesso cirúrgico e a rigidez articular encontrada em alguns casos. O uso de acessos cirúrgicos ampliados deve estar no arsenal de um cirurgião que se disponha a executar este tipo de cirurgia. Dentre as estratégias possíveis, o uso de uma abordagem envolvendo a osteotomia da tuberosidade anterior da tíbia (TAT) é bastante popular e possibilita uma exposição otimizada, especialmente quando há uma restrição do arco de movimento importante.  

Apesar de ser muitas vezes necessária, esta estratégia acrescenta a necessidade de fixação óssea da osteotomia que é dificultada pelo posicionamento e tamanho dos implantes de revisão, e pode preocupar o cirurgião quanto ao risco de complicações envolvendo a própria osteotomia como a não consolidação dela ou a falha da fixação promovida.  

Um estudo recente foi publicado em novembro de 2025 na revista científica “JBJS Open Access” por um grupo de pesquisadores suíços.  Foi realizada uma revisão retrospectiva de 128 pacientes submetidos à revisão asséptica de (ATJ) entre maio de 2009 e dezembro de 2020. 

Leia mais: Osteotomia do joelho pode reduzir a inflamação a nível articular?

Estudo recente  

A coorte incluiu 50 osteotomias da TAT e 78 acessos convencionais com artrotomia parapatelar sem osteotomia.  

A decisão de realizar a osteotomia foi tomada intraoperatoriamente quando as técnicas de exposição padrão não permitiam a eversão segura da patela, ou 90° de flexão, sem tensão excessiva no tendão patelar. A técnica de osteotomia envolveu a realização de um bloco ósseo de pelo menos 65 mm de comprimento e 10 mm de espessura, fixado com parafusos bicorticais. A reabilitação realizada foi mais cautelosa, com limitação de flexão a 90° nas primeiras três semanas. 

Os resultados clínicos e radiográficos foram comparados entre os grupos, considerando taxas de revisão e complicações, amplitude de movimento pós-operatória, índices de altura patelar e taxa de consolidação da osteotomia. 

Resultados do estudo  

A taxa de consolidação da osteotomia foi bastante elevada, atingindo 98%. As complicações relacionadas diretamente a osteotomia ocorreram em 14% dos pacientes, sendo a mais comum a irritação pelo material de síntese (8%), que exigiu sua remoção em 6% dos casos. Apenas um paciente (2%) apresentou ausência de consolidação da osteotomia, necessitando de reoperação. 

Do ponto de vista funcional, o grupo com osteotomia apresentou uma melhoria na flexão, passando de 96° no pré-operatório para 105° no pós-operatório. É crucial notar que, embora o grupo OTT tivesse uma flexão inicial e final menor que o grupo sem osteotomia, a melhoria no arco de movimento foi estatisticamente equivalente entre os dois grupos. Isto sugere que a realização da osteotomia da TAT não prejudica o ganho de arco de movimento pós-revisão. 

Além disso, as medidas radiográficas da altura patelar (índices de Insall-Salvati, Caton-Deschamps e Blackburne-Peel) permaneceram estáveis após a cirurgia, indicando que a osteotomia não alterou significativamente a posição da patela. 

Mensagem prática 

Esse estudo reforça que a Osteotomia da TAT é uma opção valiosa e confiável que deve estar incluída no arsenal do cirurgião de joelho. Ela deve ser considerada quando a exposição padrão é insuficiente, especialmente em joelhos muito rígidos, com fibrose significativa, patela baixa ou em pacientes com múltiplas cirurgias prévias. 

A osteotomia da TAT apresentou alta consolidação e baixo risco de reoperação. Não comprometeu a flexão do joelho nem a altura da patela no acompanhamento de médio prazo. 

Em resumo, a osteotomia da TAT não deve ser encarada como um procedimento com alto risco, mas sim como uma ferramenta segura para expandir os limites da cirurgia de revisão do joelho, permitindo ao cirurgião realizar o procedimento com maior controle e segurança, sem sacrificar a função final do paciente ou induzir lesões do mecanismo extensor do joelho. 

Autoria

Foto de Rafael Erthal

Rafael Erthal

Conteudista do Afya Whitebook desde 2017 ⦁  Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo INTO ⦁  Especialista em cirurgia de joelho ⦁  Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

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