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Ortopedia20 janeiro 2026

Deformidades dos dedos menores do pé: cirurgia aberta ou minimamente invasiva?

Ensaio clínico analisou a cirurgia minimamente invasiva e aberta na correção de deformidades dos dedos menores do pé, avaliando função, satisfação e complicações.
Por Rafael Erthal

A cirurgia minimamente invasiva para o tratamento do hálux valgo vem conquistando cada vez mais cirurgiões e motivando pacientes a buscarem tratamento para a correção de deformidades do pé. A presença de deformidade dos dedos do pé que não o hálux (dedos menores) é bastante prevalente, sendo possível também sua correção de modo aberto ou de maneira minimamente invasiva.  

Essas deformidades incluem o dedo em martelo e em garra, e são frequentes causas de dor e limitação funcional, além de dificultarem muitas vezes o uso de calçados. Embora muitas vezes subestimadas, essas alterações podem impactar a qualidade de vida dos pacientes que as apresentam. Quando o tratamento conservador falha, a correção cirúrgica torna-se necessária, levantando uma questão central para o cirurgião do pé e tornozelo: qual técnica oferece melhores resultados clínicos e menor morbidade, a abordagem aberta tradicional ou a cirurgia minimamente invasiva? 

Um estudo recente foi publicado por um grupo alemão na revista científica “Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery” em novembro deste ano abordando este tema. Trata-se de um ensaio clínico randomizado comparando a abordagem aberta com a minimamente invasiva para o tratamento cirúrgico das deformidades dos dedos menores comparando os resultados clínicos e as taxas de complicações das duas técnicas. Os autores buscaram avaliar se a menor agressão tecidual associada às técnicas percutâneas se traduz em benefícios clínicos concretos, sem comprometer a correção da deformidade. 

Desenho do estudo  

Trata-se de um ensaio clínico randomizado que incluiu 100 pacientes, em dois grupos de 50: um submetido à correção por técnica percutânea e outro por cirurgia aberta convencional. O acompanhamento pós-operatório foi realizado por 18 meses, avaliando-se parâmetros como satisfação do paciente utilizando questionários validados, e função usando o escore “Foot Function Index Germany (FFI-D) “, a correção clínica e radiológica, e a ocorrência de complicações. 

Quais foram os principais resultados encontrados? 

Os resultados demonstraram que ambas as técnicas foram eficazes na correção das deformidades, com melhora clínica significativa em relação ao quadro pré-operatório. Os dois grupos apresentaram uma melhora funcional significativa e comparável no pós-operatório, com redução da dor e melhora no score FFI-D. A satisfação dos pacientes foi altíssima e estatisticamente igual entre as técnicas: mais de 92% dos pacientes em ambos os grupos se declararam satisfeitos, e cerca de 90% repetiriam o procedimento ou o recomendariam. 

No entanto, a técnica minimamente invasiva apresentou menor taxa de complicações relacionadas às partes moles, como problemas de cicatrização (p=0.029) e infecção superficial (p=0.023). Além disso enquanto todos os pacientes do grupo com abordagem minimamente invasiva tiveram consolidação óssea completa, seis pacientes (seis dedos) no grupo de cirurgia aberta desenvolveram pseudoartrose (não união) na artrodese realizada (p=0.013). 

O que podemos levar para casa?  

Os dados sugerem que a cirurgia minimamente invasiva é uma alternativa segura e eficaz para a correção das deformidades dos dedos menores do pé, oferecendo vantagens em termos de morbidade cirúrgica e taxa de complicações.  

Os resultados desse estudo fortalecem a cirurgia minimamente invasiva como uma opção potencialmente segura quando disponível e dentro da curva de aprendizado do cirurgião. A escolha final, da técnica a ser utilizada, deve ser tomada considerando a experiência do cirurgião, as características do paciente e o tipo específico de deformidade. 

Autoria

Foto de Rafael Erthal

Rafael Erthal

Conteudista do Afya Whitebook desde 2017 ⦁  Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo INTO ⦁  Especialista em cirurgia de joelho ⦁  Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

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