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Ortopedia17 janeiro 2026

Conversão de prótese unicompartimental do joelho aumenta o risco de infecção?

Meta-análise mostra que a conversão de prótese unicompartimental para total não aumenta o risco de infecção periprotética.
Por Rafael Erthal

A artroplastia unicompartimental do joelho (AUJ) é uma alternativa eficaz à artroplastia total (ATJ) em pacientes selecionados com osteoartrite localizada e pouca deformidade óssea, oferecendo recuperação mais rápida, menor agressão tecidual e bons resultados funcionais.  

Apesar disso essa cirurgia apresenta taxas de revisão mais elevadas em que fazem com que a conversão de AUJ para ATJ desperte preocupações, especialmente sobre a taxa de complicações deste procedimento, incluindo dentre outras a taxa de infecção.  

Nesse cenário, persiste uma questão central para o cirurgião: o risco de infecção periprotética após a revisão de uma AUJ para ATJ é maior do que na prótese primária? 

Com o intuito de responder a essa pergunta de forma sistemática, uma revisão sistemática com meta-análise foi publicada em dezembro deste ano com o objetivo de comparar a taxa de infecção periprotética entre pacientes submetidos à conversão de AUJ para ATJ com aqueles submetidos à ATJ primária.  

Como objetivo secundário, os autores avaliaram a necessidade de uso de implantes específicos de revisão, como hastes e aumentos com cunha, como marcadores indiretos da complexidade da cirurgia. 

Onde e por quem esse estudo foi realizado?

O estudo foi desenvolvido por um grupo liderado por cirurgiões do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Medical University of Graz, na Áustria, em colaboração com centros acadêmicos dos Estados Unidos, incluindo a University of California Davis e a University of Missouri. A pesquisa foi publicada em dezembro de 2025 na revista Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy. 

Como os autores conduziram a análise?

Seguindo as diretrizes PRISMA, os autores realizaram buscas nas bases PubMed, EMBASE e Scopus. Foram incluídos seis estudos retrospectivos que compararam diretamente a conversão de AUJ para ATJ com a ATJ primária, totalizando 456 pacientes no grupo conversão e 719 no grupo controle. O desfecho primário foi a incidência de infecção periprotética, e a análise estatística foi conduzida por modelo de efeitos aleatórios. 

Quais foram os principais resultados sobre infecção?

O achado central do estudo foi a ausência de diferença estatisticamente significativa na taxa de infecção periprotética entre os grupos. A infecção ocorreu em 0,66% dos pacientes submetidos à conversão de AUJ para ATJ e em 0,70% daqueles submetidos à ATJ primária. Esses dados sugerem que, do ponto de vista infeccioso, a revisão das prótese unicompartimentais não se comporta como uma revisão complexa clássica, mas apresenta um risco próximo ao observado na artroplastia primária. 

A complexidade cirúrgica foi semelhante entre os grupos?

Apesar da equivalência nas taxas de infecção, a conversão de UKA mostrou-se claramente mais complexa. O uso de hastes (36.6% vs. 1.7%; OR 45.83), e aumentos com cunhas (15.6% vs.3.9%; OR 8.71) foi maior no grupo conversão, refletindo maior perda óssea e necessidade de estratégias cirúrgicas adicionais. Esse dado reforça a importância do planejamento pré-operatório detalhado e da disponibilidade de implantes de revisão em sala de cirurgia. 

Quais são as implicações práticas para o cirurgião do joelho?

Os resultados trazem uma mensagem tranquilizadora para a prática clínica: a conversão de unicompartimentais para próteses totais, quando bem indicada e executada, não parece aumentar o risco de infecção periprotética em relação à ATJ primária. No entanto, trata-se de um procedimento tecnicamente mais exigente, que demanda preparo adequado da equipe e disponibilidade de implantes de revisão. 

Autoria

Foto de Rafael Erthal

Rafael Erthal

Conteudista do Afya Whitebook desde 2017 ⦁  Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo INTO ⦁  Especialista em cirurgia de joelho ⦁  Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

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