As fraturas do terço distal do úmero correspondem a cerca de 2 a 6% de todas as fraturas e em torno de 30% das fraturas ao redor do cotovelo. Em sua epidemiologia, se apresentam de forma bimodal com mecanismo de alta energia em jovens e baixa energia em idosos. O tratamento geralmente é cirúrgico e existem diferentes vias de acesso de acordo com a localização da fratura que podem ser com osteotomia do olecrano, transtriciptal ou paratriciptal.
Quanto à fixação, acreditava-se que o uso de placas ortogonais e paralelas teriam resultados semelhantes. Entretanto, estudos biomecânicos recentes demonstraram maior rigidez e estabilidade nas construções em paralelo sem demonstrar como isso se traduziria em melhor resultado clínico ou funcional.
Diante disso, foi publicado recentemente no “Journal of Orthopaedic Surgery and Research” um estudo com o objetivo de comparar resultados funcionais e tempos de consolidação entre esses dois métodos de fixação.

Metodologia
O estudo foi uma revisão sistemática pesquisada nas bases de dados PubMed, Embase, Scopus, Web of Science e Cochrane até julho de 2024. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados ou estudos de coorte prospectiva que investigaram os resultados dos pacientes maduros esqueleticamente após técnicas de fixação dupla paralela ou ortogonal. Os artigos deveriam incluir resultados funcionais pelo MEPS (Mayo Elbow Performance Score) em seis, doze ou vinte e quatro meses após o procedimento inicial ou tempo para consolidação visualizada na radiografia. Foram excluídos artigos biomecânicos ou em cadáveres.
Resultados
Os resultados funcionais foram avaliados em seis estudos através de análise agrupada. O grupo de fixação ortogonal incluiu cinco estudos com 152 participantes, sendo avaliados aos 6, 12 e 24 meses, obtendo pontuações do MEPS de 75,35 ± 3,18, 88,11 ± 0,18, e 85,10 ± 0,00, respectivamente. O MEPS para o grupo de fixação paralela foi avaliado em quatro estudos contendo 176 participantes aos 6, 12 e 24 meses de pós-operatório. A análise rendeu pontuações de 78,73 ± 0,00, 93,61 ± 0,00 e
88,745 ± 0,92, respectivamente.
O tempo de união foi avaliado em cinco estudos, tendo sido realizada a análise agrupada para a fixação ortogonal em quatro estudos (n = 89 participantes) com tempo para consolidação de 22,96 ± 5,05 semanas. Já para fixação paralela, houve avaliação em quatro estudos (n = 100 participantes) com um tempo para consolidação de 19,59 ± 6,08 semanas.
Mensagem prática
De forma prática, o estudo corrobora estudos biomecânicos anteriores (que já demonstravam superioridade da fixação paralela em relação à ortogonal no quesito estabilidade) e demonstra superioridade da construção paralela em relação a resultados funcionais e tempo de consolidação, devendo ser, portanto, o modelo escolhido pelo cirurgião quando possível.
Autoria

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁ Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁ Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)
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