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Ortopedia18 abril 2026

Cirurgia ou imobilização para fraturas não desviadas do escafoide?

Fratura do escafoide: cirurgia ou gesso? Estudo SWIFFT mostra resultados em 5 anos. Entenda a melhor conduta.

As fraturas do escafoide são as mais comuns do carpo, cerca de 64% envolvem o seu colo e geralmente os pacientes são adultos jovens e esportistas. Geralmente o tratamento cirúrgico é indicado nas fraturas completas do colo com o tratamento conservador sendo deixado em segundo plano.  

O estudo SWIFFT (Scaphoid Waist Internal Fixation for Fractures Trial) foi um ensaio clínico multicêntrico randomizado no qual foram recrutados pacientes com idade ≥ 16 anos, com fratura bicortical evidente da cintura do escafoide em radiografias simples, com deslocamento de ≤ 2 mm. A fixação cirúrgica foi comparada com a imobilização com gesso e a fixação precoce de fraturas que não consolidaram, concluindo-se que esta última é tão eficaz quanto a fixação precoce. 

Diante de resultados controversos na literatura, foi publicado recentemente no “The Bone and Joint Journal” um estudo com o objetivo de relatar os resultados de eficácia clínica do estudo SWIFFT, o maior estudo randomizado sobre este tema até o momento, para pacientes que concordaram em participar do acompanhamento de cinco anos. 

cirurgia fraturas escafoide

Metodologia 

O SWIFFT foi um estudo de grupos paralelos, multicêntrico, aberto, de dois braços, randomizado e de superioridade, no qual os pacientes foram recrutados em departamentos de ortopedia de 31 hospitais do na Inglaterra e no País de Gales entre julho de 2013 e julho de 2016.  

Os pacientes elegíveis foram randomizados na proporção de 1:1 para cirurgia, por fixação percutânea ou aberta, ou para um grupo comparativo que foi tratado com gesso abaixo do cotovelo por seis a dez semanas, com ou sem inclusão do polegar. Os pacientes foram acompanhados inicialmente por um ano após a randomização. 

Um total de 439 pacientes elegíveis foram inicialmente alocados aleatoriamente para o grupo de fixação (n = 219) ou para o grupo de gesso (n = 220). No acompanhamento de cinco anos, 423 que continuaram a participar foram 

solicitados a preencher um formulário de relato de caso (FRC) e 419 compareceram 

para revisão clínica e radiológica. A pontuação PRWE (Patient related wrist score) às 52 semanas após a randomização foi a medida de desfecho primário do ensaio inicial e também foi coletada aos cinco anos. 

Resultados 

Um total de 344 pacientes forneceram uma pontuação PRWE válida em cinco anos (78,4% da coorte original). Não houve diferença significativa entre os grupos em cinco anos (diferença média de 0,6 (IC 95% -2,4 a 3,6); p = 0,709). Esses resultados foram robustos às análises de sensibilidade, restringindo as janelas de coleta de dados. Nem as subescalas de dor e função da pontuação PRWE, nem a estimativa geral do efeito do tratamento mostraram diferença significativa entre os grupos.  

Nem a não adesão à alocação do tratamento, o deslocamento da fratura, nem o tratamento preferido do paciente na linha de base tiveram efeito nas pontuações PRWE entre os grupos. Apenas sete pacientes para os quais foram coletadas imagens em cinco anos apresentaram pseudoartrose, três de 146 (2,1%) no grupo de fixação e quatro de 121 (3,3%) no grupo de imobilização. A força de preensão e a amplitude de movimento foram semelhantes entre os grupos. 

Mensagem final 

Segundo o estudo, as duas formas de tratamento apresentaram resultados funcionais semelhantes após 5 anos em faturas com menos de 2mm de desvio. Isso permite que as fraturas de escafoide sejam com segurança tratadas de forma conservadora nessa situação, mas sempre mantendo um acompanhamento de perto onde a cirurgia pode ser indicada em caso de desvio ou não-consolidação.

Autoria

Foto de Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁  Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁  Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)

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Referências bibliográficas

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