Cistos Renais são dilatações de segmentos tubulares renais, que apresentam uma fina camada de células epiteliais recobrindo, são preenchidos por líquido claro e podem ou não se abrir para ducto coletor, glomérulos e cálices.
Qual a diferença entre rins policísticos e rins multicísticos?
Os rins policísticos apresentam múltiplos cistos em seu parênquima e mantêm o aspecto reniforme. Diferentemente, rins multicísticos são displásicos e perdem sua configuração anatômica devido a presença dos cistos.
Quais são as principais doenças renais císticas?
Elas se dividem em genéticas:
- Doença renal policística autossômica dominante;
- Doença renal policística autossômica recessiva;
- Doenças multissistêmicas: Von Hippel Lindau, esclerose tuberosa;
- Nefronoftise juvenil;
- Nefrose congênita autossômica recessiva;
- Doença glomerulocística hipoplásica familiar;
- Doença medular cística.
E adquiridas:
- Cistos simples;
- Cisto multilocular benigno;
- Divertículo calicial;
- Doença renal cística adquirida;
- Doença renal glomerulocística esporádica;
- Rim multicístico displásico.
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Quais são as características da doença renal policística autossômica DOMINANTE (DRPAD)?
É marcada pelo aparecimento de sintomas a partir dos 30-50 anos.
Há, basicamente, presença de cistos em múltiplos órgãos + alterações cardiovasculares:
- Cistos renais: determinam renomegalia, nefropatia com possibilidade de evolução para DRC, maior tendência para ITUs e formação de cálculos;
- Demais cistos: prostáticos, hepáticos, pancreáticos, vesícula seminal;
- Cardíacas: HAS, aneurisma aórtico, prolapso de mitral, insuficiência aórtica, hipertrofia de VE;
- Vasculares: dissecção (coronária, cervicefálica) e aneurismas (intracranianos, coronários).
Em alguns casos, podem-se observar hérnias (umbilicais, ventrais e inguinais).
Essa doença é resultante da mutação do gene PKD1. Esse gene, conjuntamente ao PKD2, é importante na expressão de proteínas de membrana, mais especificamente, policistinas 1 e 2. A mutação destes genes determina interferência em vias de sinalização, justificando o aparecimento das múltiplos alterações supracitadas.
A mutação do gene PKD1 implica em doença muito mais grave e de menor sobrevida quando comparada a PKD2.
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Como é realizado o diagnóstico da DRPAD?
Presença de múltiplos cistos renais + 2 ou mais dos seguintes critérios:
- 3 ou mais cistos hepáticos;
- Aneurisma de cerebrais;
- Cisto de glândula pineal;
- Cistos em pâncreas/baço/aracnoide.
Quais são as características da doença renal policística autossômica RECESSIVA (DRPAR)?
A grande diferença para DRPAD é o momento de manifestação clínica da doença. A DRPAR é marcada pela precocidade do desenvolvimento dos sintomas, de formar que os cistos renais laterais já estão presentes na fase pré-natal e o paciente evolui bem cedo com DRC.
Neste caso, há mutação do gene PKHD1 produzindo assim alterações na função ciliar. Os órgãos acometidos são: rins, fígado, pâncreas, pulmões.
O oligodrâmnio pode estar também presente o que pode justificar a evolução com hipoplasia pulmonar, causa de morte no primeiro ano de vida. Caso haja sobrevida, 50% dos pacientes evoluirão com DRC.
Associadamente, há fibrose hepática com evolução para cirrose, hipertensão portal e suas implicações.
Como é realizado o diagnóstico de DRPAR?
Presença de rins policísticos + fibrose hepática, sem manifestação nos pais com mais de 30 anos.
E como tratar a DRPAD e DRPAR?
Não há, infelizmente, tratamento específico sendo necessário monitorizar e tratar as complicações.
Como se apresentam os cistos simples?
Os cistos simples, em geral, são únicos porém podem ser múltiplos e bilaterais.
Observa-se maior preocupação com seu diagnóstico e seguimento devido a constatação de sua concomitância à doença neoplásica.
Eles são em sua grande maioria assintomáticos. No entanto, o crescimento dessas estruturas pode determinar massa abdominal com efeito compressivo a tecidos adjacentes, podendo implicar em obstrução pielocalicial e hipertensão. A presença de consequências clínicas ao crescimento da lesão determina necessidade por tratamento definitivo, o que, em geral, é realizado através da punção do cisto seguido por aspiração de conteúdo e injeção de substância esclerosante.
Como é a Classificação de Bosniak e o tratamento adequado para cada grau?
I | Sem septos, sem vegetações, paredes finas e lisas, sem captação de contraste. Risco de malignidade: 1,7%. | CONSERVADOR!!
Exceto, cistos muito grandes e sintomáticos. |
II | Há septos bem finos, parede pouco espessa, calcificações finas parietais, sem captação de contraste. Risco de malignidade: 18,5%. | |
IIF | Há maior quantidade de septos finos, calcificação mais nodular. | Seguimento ativo. |
III | Há septos irregulares e espessos, calcificações grosseiras, com captação de contraste. Risco de malignidade: 33%. | CIRÚRGICAS |
IV | Inclui componentes sólidos, bem definidos em seu interior. |
Referências bibliográficas:
- Wein AJ, et al. Campbell Walsh Urologia. Rio de Janeiro: Elsevier; 2019.
- Bellucci CHS, et al. Urologia MEDCEL. São Paulo: Medcel; 2019.
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