“Ainda é ilegal fazer autópsia em uma pessoa viva?”
Dr. House
A dúvida diagnóstica faz parte do dia-a-dia do médico. Decisões difíceis como “tratar antes de confirmar o diagnótico”, sobrepôr-se à ansiedade do paciente e de seus familiares (e, ainda, de sí próprio) é uma virtude desenvolvida ao longo de anos na profissão.
Nesse aspecto, uma queixa ambulatorial muito frequente na prática clínica é motivo de muitas dúvidas: a faringite (“dor-de-garganta”). Sabe-se que a epidemiologia da faringite é de predomínio viral (Rhinovirus, Coronavirus, Adenovirus), com menor proporção de Bactérias (principalmente Streptococcus).
Já não é mais rotineiro (e nem aconselhável) o raciocínio imediato de que amigdalite purulenta seja representativo de infecção bacteriana; da mesma maneira, o estado geral do paciente (grau de sintomas) não deve ser a única orientação para que o médico baseie sua prescrição.
Na verdade, hoje se recomenda que toda avaliação de um paciente (na maioria das vezes, criança, mas também aplicável a adultos) com faringoamigdalite se inicie pela identificação de “preditores clínicos” para Faringite Estreptocócica. São eles:
- Adenopatia dolorosa;
- Petéquias no palato;
- Ausência de sintomas gripais;
- Exsudato amigdaliano;
- Vômitos.
No caso de uma suspeita clínica, recomenda-se aplicação do escore de probabilidade (cada fator presente acresce 1 ponto):
- Idade (5-15 anos);
- Estação do ano (inverno ou próximo dele);
- Sinais de faringite aguda (edema, eritema, exsudato);
- Adenomegalia cervical anterior dolorosa (>1 cm);
- Febre > 38 graus;
- Ausência de sintomas sugestivos de infecção de vias aéreas superiores
Nota: Observer que o “mito” da exsudação representa apenas um dos critérios para somente 1 ponto no escore.
O diagnóstico da faringoamigdalite estreptocócica deve ter confirmação microbiológica: Aplicar em pacientes de 5-15 anos com faringite de provável etiologia bacteriana, sem sintomas sugestivos de infecção viral; ou crianças com história de contato / áreas de alta prevalência:
– Swab com cultura de orofaringe (escolha);
– Teste rápido de detecção de antígeno (fazer se o escore foi maior ou igual a 5 ou se a cultura demorar mais de 48 horas) – útil nos cenários de consultório/emergência.
Nota: as sorologias (ASO, Anti-DNAse B, hialuronidase, estreptoquinase), embora úteis para confirmação (e, talvez, o exame que todas as pessoas se recordam de solicitar), geralmente se tornam positivas após 2-3 semanas do início da infecção e, portanto, não são recomendadas para o diagnóstico da infecção aguda.
Esperamos que estas informações auxiliem no seu raciocínio diagnóstico e, principalmente, oriente a prescrição (ou, na maioria dos casos, não prescrição) de antimicrobianos.
Aproveitamos para sugerir que você conheça o maior e melhor guia de Diagnósticos Diferenciais, o novo lançamento da PEBmed em 2015: Dr. Diagnóstico !
iOS: https://itunes.apple.com/br/app/id788585899
Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.drdx
Bibliografia:
- Michael E Pichichero, MD. Treatment and prevention of streptococcal tonsillopharyngitis. UpToDate, 2015.
- Ellen R Wald, MD. Approach to diagnosis of acute infectious pharyngitis in children and adolescents. UpToDate, 2015.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.