A perda auditiva afeta 6,1% da população mundial e é uma das deficiências sensoriais mais frequente. Ainda há uma falta de compreensão a respeito do grau ou tipo de perda auditiva que acompanha a instabilidade postural. No presente estudo, foi analisada a associação entre a perda auditiva e a instabilidade postural em indivíduos com 40 anos ou mais.
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Objetivo do estudo e metodologia
Determinar se as chances de instabilidade postural aumentam com o grau de perda auditiva.
- O estudo foi do tipo transversal.
- Incluiu 3864 participantes de 40 anos ou mais com perda auditiva.
- A acuidade auditiva foi analisada através de audiometria tonal, realizada nos lados esquerdo e direito e o grau de audição de cada lado foi classificado em 1 de 3 subcategorias: audição normal, perda auditiva leve (limiar de 26-40 dB) ou moderada (limiar de mais de 40 dB);
Baseando-se nessas categorias, os participantes foram classificados em seis grupos: audição normal bilateral, perda auditiva leve unilateral, perda auditiva leve bilateral, perda auditiva moderada unilateral, perda auditiva moderada bilateral, perda auditiva leve unilateral e moderada contralateral.
- Instabilidade postural foi definida como a falha em permanecer em pé sobre a superfície de uma almofada de espuma com pés separados a uma distância de 10 cm entre eles, os braços cruzados, as mãos segurando os cotovelos e os olhos fechados.
- Foi utilizado o modelo de regressão logística binomial para avaliar a associação entre perda auditiva e instabilidade
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Resultados
- Média de idade de 57,8 (11,3) anos.
- Maioria mulheres (55,2%).
- A instabilidade postural foi identificada em 127 participantes (3,3%).
- A frequência de instabilidade postural foi mais elevada na seguinte ordem: grupo com perda auditiva moderada bilateral (33 de 280 [11,8%]), perda auditiva leve em um lado e moderada do outro lado (23 de 261 [8,8%]) e perda auditiva moderada unilateral (25 de 383 [6,5%]).
No estudo há uma tabela com o OR de cada fator analisado através da análise por regressão logística, nos modelos não ajustado e ajustado (para sexo e idade e sexo e “status auditivo”). Nela pode-se observar que o sexo feminino, a idade, a perda auditiva leve e moderada foram associados à instabilidade postural.
Discussão
Um estudo realizado em 2019 já mostrava que mulheres e idosos tinham mais chances de apresentar instabilidade postural.
No entanto, existem poucos estudos analisando a associação entre perda auditiva e instabilidade postural. Também faltam critérios ou indicadores sobre associações de instabilidade postural acompanhando a perda auditiva.
Com um grande número de participantes, os resultados deste estudo sugerem que o paciente com perda auditiva moderada em pelo menos um lado tem maior probabilidade de apresentar instabilidade postural e pode se beneficiar da reabilitação precoce. Nesse sentido, o achado notável do estudo é sugerir o possível papel de critérios para reabilitação auditiva com o propósito de modificar a instabilidade postural.
Embora o mecanismo exato não seja claro, a associação entre a perda auditiva e a instabilidade postural já foi demonstrada em vários estudos. Além disso, a perda auditiva está associada a outras condições, como demência e depressão.
A perda auditiva deve ser considerada não apenas uma questão de audição, mas um importante fator de risco para outras doenças e que afeta a qualidade geral de vida.
Conclusão
Neste estudo, a idade, o sexo feminino e a perda auditiva moderada foram associados à instabilidade postural entre participantes de 40 anos ou mais.
Referência bibliográfica:
- Bang SH, Jeon JM, Lee JG, Choi J, Song JJ, Chae SW. Association Between Hearing Loss and Postural Instability in Older Korean Adults [published online ahead of print, 2020 Apr 23]. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2020;146(6):530-534. doi:10.1001/jamaoto.2020.0293
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