O ensaio ANTHEM-UC, publicado no NEJM em 15 de outubro, avaliou eficácia e perfil de segurança do icotrokinra oral na colite ulcerativa moderada a grave. Na semana 12, a resposta clínica variou de 55% a 63% nas três doses, contra 27% no placebo e a remissão clínica aumentou. O medicamento é oral, enquanto os anticorpos da via da IL-23 exigem aplicação intravenosa ou subcutânea.
O estudo duplo-cego, financiado pela Johnson & Johnson, incluiu 252 adultos de 115 centros em 21 países. A inclusão exigia escore de Mayo modificado de pelo menos 5 e subescore endoscópico mínimo de 2.

Remissão clínica chega a 30% com a dose de 400 mg
Peptídeo que bloqueia o receptor da IL-23, o icotrokinra levou 30% dos pacientes do grupo de 400 mg à remissão clínica, contra 11% no placebo. A mesma dose elevou a remissão sintomática (46% vs. 19%) e a melhora endoscópica (37% vs. 14%), com ganho em sintomas e mucosa.
Com 200 mg, a remissão clínica foi de 24%, sem diferença significativa em relação ao placebo. Por isso, a análise sequencial interrompeu os testes formais dos demais desfechos secundários das doses menores.
Saiba mais: Doenças inflamatórias intestinais: recomendações da Diretriz Britânica de 2025
Qual é o perfil de segurança do peptídeo até a semana 28?
Até a semana 28, eventos adversos ocorreram em 60% a 66% dos grupos tratados e em 62% no placebo, incidência semelhante entre os braços. Eventos graves somaram de 0% a 5% com o medicamento, contra 10% no placebo, sem relação com a dose.
Não houve infecção grave com o icotrokinra oral. As infecções foram mais frequentes com 200 mg. Entre os 212 tratados, não houve óbitos, tuberculose ativa, câncer ou eventos cardiovasculares maiores. O ensaio, porém, não tem porte nem duração para detectar eventos incomuns.
Dados em pacientes expostos a terapias avançadas são exploratórios
No total, 43% dos participantes já tinham falhado ou não tolerado ao menos uma das terapias avançadas. As análises de subgrupo sugerem benefícios com ou sem esse histórico, mas eram desfechos exploratórios, sem controle de multiplicidade. Os autores citam desequilíbrios entre os grupos e baixo poder para múltiplos desfechos e doses.
Um outro ensaio de fase 3 que avalia eficácia e perfil de segurança do icotrokinra oral na colite ulcerativa já está em andamento. Outro estudo, de fase 2b/3, está testando o medicamento na doença de Crohn.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.