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GastroenterologiaDEZ 2022

Erva nativa ashwagandha tem venda proibida por possíveis danos à saúde

Oficialmente cinco casos de lesão hepática atribuídos ao uso de ashwagandha foram identificados, sendo três pacientes da Islândia.

Por Gabriela Queiroz

No mês passado, a era nativa ashwagandha teve sua venda e distribuição proibida no Brasil pela Anvisa, que todo e qualquer produto que contenha a substância não pode ser vendido com ou sem prescrição. O órgão emitiu a resolução nº 3.669 no dia 4 de novembro e se baseou na Lei 6.360, de 1976, e na Lei 9.782, de 1999. Ambas apontam que produtos que não preenchem requisitos de benefício comprovado à saúde devem ser retirados do comércio. 

Devido a isso, revisões de estudos relacionados aos efeitos colaterais da ashwagandha têm sido realizadas e análises científicas sobre os efeitos adversos do uso da substância estão sendo revistas. O extrato da withania somnifera tem aproximadamente 35 diferentes constituintes químicos, entre eles alcaloides, esteroides lactonas e ferro, e o componente específico ativo responsável pela sua eficácia ainda não foi identificado.  

Normalmente é administrado de duas a três vezes ao dia. Como efeitos adversos foram registrados apenas efeitos gastrointestinais como epigastralgia, diarreia, náuseas e vômitos, principalmente devido à ação direta do produto na mucosa gastrointestinal. Apesar de apresentar poucos efeitos adversos, recentemente alguns casos de lesão hepática clinicamente aparente foram identificados em pacientes que faziam uso de produtos que continham ashwagandha. Sabe-se que existem algumas contraindicações ao seu uso, como, por exemplo, ser gestante, lactante ou ter doenças autoimunes. 

Riscos de danos hepáticos 

Oficialmente cinco casos de lesão hepática atribuídos ao uso de ashwagandha foram identificados, sendo três pacientes da Islândia no período de 2017 a 2018 e dois provenientes de dados do Drug-Induced Liver Injury Network (DILIN) em 2016. Os pacientes começaram a desenvolver sintomas, como náuseas, letargia, prurido e desconforto gástrico entre duas a 12 semanas após o começo da terapia com suplementos à base de ashwagandha na dose de 450 a 1350mg diariamente. A lesão hepática possuía um padrão misto ou colestático com icterícia e prurido de intensidade leve a moderada e autolimitado, com autoresolução e sem fatalidades ou desenvolvimento de lesão crônica após um a três meses da suspensão de seu uso.  

Nenhum paciente desenvolveu falência hepática e o hepatograma e os níveis de bilirrubina se normalizaram após um a cinco meses na maioria dos pacientes. Em um paciente foi realizada biópsia hepática que evidenciou hepatite colestática aguda. A análise dos suplementos identificou a presença de ashwagandha em todos eles, sem identificação de outros componentes tóxicos.  

Outras causas de lesão hepática nesses pacientes foram excluídas baseadas em testes laboratoriais, sorologias, marcadores autoimunes e exames de imagens. Além disso, não estavam utilizando nenhuma outra medicação que pudesse ser hepatotóxica. 

O mecanismo da lesão hepática ainda não está esclarecido, porém, pode estar relacionado à presença de outras substâncias que não estariam devidamente identificadas no rótulo de alguns produtos comercializados. 

Considerações 

Portanto, esse estudo demonstra que não podemos excluir um efeito hepatotóxico com o uso de ashwagandha, mas seria uma reação rara e autoresolutiva sem complicações graves dentro de um período de até cinco meses de suspensão de seu uso.

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Mensagem prática 

Quando a substância for novamente liberada para uso na população, os clínicos devem estar atentos para o potencial raro, porém existente de hepatotoxicidade da ashwagandha, principalmente  em pacientes que fazem uso de terapia alternativa, com o uso de suplementos diversos, medicações e álcool, pois nem sempre um produto natural é inócuo e isento de complicações. 

Mais sobre a ashwagandha

A withania somnifera, também conhecida como ashwagandha ou ginseng indiano, ganhou muito interesse na área da saúde devido aos grandes benefícios que promove na parte cognitiva cerebral e na ansiedade, aumentando a energia e diminuindo o estresse. Essa erva é utilizada há décadas pelos povos nativos da Índia e Sudeste asiático. Possui ações neuroprotetivas e antinflamatórias, agindo como um tônico geral para aumento da energia, diminuição da fadiga, diminuição da ansiedade, melhora do padrão de sono e aumento da longevidade.

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Referências bibliográficas

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