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Gastroenterologia13 fevereiro 2023

Como infliximabe e tofacitinibe afetam resposta vacinal contra covid-19?

Um estudo avaliou a taxa de respostas de anticorpos neutralizantes funcionais contra o SARS-CoV-2 primitivo e variante Ômicron.

A pandemia de covid-19 veio reforçar a importância da vacinação como método de prevenção de formas graves e de transmissão da doença de forma eficaz a nível populacional. Contudo, o advento de  variantes mais transmissíveis como Ômicron, novamente trouxe preocupação no quesito de aumento da transmissão da doença entre indivíduos vacinados e não vacinados.   

Como os pacientes com doença inflamatória intestinal (DII), em sua maioria, são imunossuprimidos, o surgimento dessas variantes trouxe preocupações em relação à imunogenicidade e eficácia das vacinas.  

Diante desse cenário, foi realizado um estudo populacional, cujo objetivo foi avaliar a taxa de respostas de anticorpos neutralizantes funcionais contra o SARS-CoV-2 primitivo e variante Ômicron em pacientes com DII em vigência de tratamento imunossupressor/imunobiológico.  

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Métodos 

A partir de uma coorte para avaliação da imunogenicidade vacinal para SARS-CoV-2, foram selecionados 268 indivíduos com DII, sem evidência de infecção ativa pela covid-19, no período entre maio de 2021 a março de 2022. Dentre esses pacientes, 36 vinham em uso de infliximabe, 51 em uso de tiopurinas, 39 em uso de comboterapia de infliximabe e tiopurina, 39 em uso de ustequinumabe, 38 usando vedolizumabe e 16 tratados com tofacitinibe. 

Esses participantes receberam duas doses de vacina de RNA mensageiro ou vacina de vetor de adenovírus e como terceira dose, fizeram uso de vacina de RNA mensageiro. O grupo controle foi formado por 49 indivíduos hígidos. A avaliação de resposta vacinal humoral foi realizada a partir de ensaio de pseudoneutralização da cepa primitiva de Sars-COV2 e da variante Ômicron BA.1. 

Resultados 

Em todos os grupos de tratamento, houve aumento de anticorpos neutralizantes contra ambas as cepas após uma terceira dose de vacina. Porém, o título de neutralização de 50% (NT50) foi estatisticamente menor contra a variante Ômicron, independente do tratamento imunossupressor em vigência. 

Ao estratificar por grupo de tratamento, observou-se menor resposta após 2ª e 3ª dose da vacina entre os pacientes tratados com infliximabe em mono ou comboterapia e tofacitinibe. 

Entre os pacientes avaliados, 13 não conseguiram atingir uma resposta adequada (NT50) contra a variante Ômicron com duas doses da vacina, sendo que sete desses eram tratados com infliximabe em monoterapia.   

O estudo demonstrou que títulos de anticorpos mais baixos estão associados a risco aumentado de infecção pelo SARS-COV2.  Participantes com NT50 <500 contra a cepa ancestral SARS-CoV-2 têm probabilidade 1,6 vezes maior de infecção em comparação com os participantes com NT50 > 500 ( P = 0,066).  

45,9% dos pacientes com DII apresentaram NT50 > 500 contra a cepa ancestral SARS-CoV-2 após duas doses de vacina e .85,3% após três doses. No grupo controle 65,3% tiveram um NT50 > 500 após duas doses de vacina. As infecções que ocorreram nessa coorte não necessitaram de hospitalização e não cursaram com óbito. 

No geral, em relação à variante Ômicron, os títulos de neutralização pelos anticorpos foram baixos para todos os indivíduos, sendo consideravelmente menores em pacientes usando infliximabe em mono ou comboterapia ou tofacitinibe. 

Leia também: Reforço de vacina de covid-19 e risco de morte em pessoas com comorbidades

Mensagens práticas 

Doses de reforço de vacinação aumentam significativamente as respostas de anticorpos neutralizantes contra as variantes ancestrais e Ômicron do SARS-CoV-2, mas essa resposta é significativamente menor em pacientes estabelecidos com infliximabe ou tofacitinibe. As novas mutações no genoma viral aumentam o risco de fuga da resposta imune, sendo importante constante revisão do tema. 

Sabe-se que existem diversas mutações na proteína Ômicron spike, que podem levar a uma fuga significativa da proteção imunológica de vacinas idealizadas contra o vírus SARS-CoV-2 primitivo.  Dessa forma, o uso de vacinas bivalentes é recomendado, a fim de melhorar a resposta imune contra as variantes virais, devendo ser seu uso preferencial, especialmente em pacientes com DII em uso de agentes anti-TNF ou inibidores de JAK.

Autoria

Foto de Fernanda Costa Azevedo

Fernanda Costa Azevedo

Graduada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense. Residência médica em Clínica Médica pelo Hospital Universitário Antônio Pedro (UFF). Residente em Gastroenterologia no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (UFES).

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Referências bibliográficas

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