Logotipo Afya
HomePublicaçõesLipoproteína(a): o que é e como interpretar a Lp(a)
Endocrinologia1 outubro 2024

Lipoproteína(a): o que é e como interpretar a Lp(a)

Confira como utilizar a Lp(a) na prática clínica, interpretar seus níveis e avaliar sua relação com doenças cardiovasculares.
Lipoproteína(a): o que é e como interpretar a Lp(a)
Anúncio
Por Ícaro Sampaio

A lipoproteína(a), ou Lp(a), tem ganhado destaque como marcador de risco cardiovascular. Um artigo de revisão publicado no periódico The Lancet, em 2024, discutiu aspectos relacionados à sua estrutura, interpretação clínica e associação com doenças cardiovasculares.

Papers Post

Papers Post

O que é a lipoproteína(a)?

A lipoproteína(a) [Lp(a)] é uma partícula plasmática composta por colesterol, triglicerídeos, fosfolipídios e apolipoproteína B, com estrutura semelhante à das lipoproteínas de baixa densidade (LDL).

O principal diferencial da Lp(a) é a presença de uma proteína adicional, chamada apolipoproteína(a), ligada à apolipoproteína B por uma ponte dissulfeto.

A apolipoproteína(a) apresenta características estruturais específicas, como múltiplas repetições de uma unidade denominada kringle IV. Essa estrutura influencia diretamente os níveis plasmáticos de Lp(a) e contribui para suas propriedades pró-aterogênicas e pró-trombóticas.

Além disso, a apolipoproteína(a) apresenta homologia com o plasminogênio, o que sugere um possível papel nos mecanismos de coagulação sanguínea e formação de trombos.

Qual é a relação entre lipoproteína(a) e risco cardiovascular?

A lipoproteína(a) é considerada um fator de risco para diferentes doenças cardiovasculares. A Lp(a) pode se acumular em áreas de lesão arterial e participar da formação de placas ateroscleróticas e trombos, contribuindo para a progressão da doença cardiovascular.

Níveis elevados de Lp(a) estão associados a maior risco de aterosclerose e, consequentemente, a eventos e condições como:

  • infarto do miocárdio;
  • acidente vascular cerebral isquêmico;
  • estenose valvar aórtica.

Quais níveis de lipoproteína(a) indicam maior risco?

O risco cardiovascular associado a concentrações mais elevadas de lipoproteína(a) aumenta de forma gradual, sem um limite formal único. Para a prática clínica, porém, alguns valores podem orientar a interpretação.

Valores acima de 30 mg/dL e 50 mg/dL

Pessoas com níveis plasmáticos de Lp(a) acima de 30 mg/dL apresentam maior risco de doença cardiovascular em comparação com indivíduos com concentrações mais baixas. Entre 30 mg/dL e 50 mg/dL, esse aumento pode ser modesto.

A primeira declaração de consenso da Sociedade Europeia de Aterosclerose considerou concentrações acima de 50 mg/dL clinicamente importantes.

Quando solicitar a dosagem de lipoproteína(a)?

Segundo os autores da revisão, a dosagem da Lp(a) deve ser realizada ao menos uma vez na vida, especialmente em indivíduos com maior risco cardiovascular.

Como seus níveis são predominantemente determinados por fatores genéticos, a lipoproteína(a) apresenta pouca variação ao longo da vida, exceto em situações de inflamação aguda.

Como interpretar os resultados da Lp(a)?

Para a interpretação dos resultados, podem ser considerados os seguintes valores:

  • Acima de 30 mg/dL: associado a maior risco cardiovascular;
  • Acima de 50 mg/dL: indica risco cardiovascular significativamente elevado;
  • Acima de 90 mg/dL: sugere risco ainda maior;
  • Acima de 130 mg/dL: pode representar risco equivalente ao observado em indivíduos com hipercolesterolemia familiar.

Quais são as opções para reduzir a lipoproteína(a)?

Atualmente, não há medicamentos aprovados especificamente para reduzir a lipoproteína(a). No entanto, diferentes terapias estão em desenvolvimento.

Entre as estratégias em estudo estão as tecnologias de silenciamento gênico, como:

  • pelacarsen;
  • olpasiran;
  • lepodisiran

Essas terapias podem reduzir os níveis de Lp(a) em até 98%.

Os inibidores de PCSK9, amplamente utilizados para reduzir o LDL, também apresentam efeito moderado sobre a lipoproteína(a), com redução de aproximadamente 25%.

A aférese, técnica invasiva que remove diretamente lipídios do sangue, pode reduzir a Lp(a) em até 35%. Esse procedimento é utilizado em pacientes com níveis muito elevados e alto risco cardiovascular.

A niacina também pode reduzir a Lp(a) em cerca de 25%, mas seu uso é limitado pelos efeitos adversos e pela ausência de benefício comprovado sobre eventos cardiovasculares.

Conclusão

A lipoproteína(a) é um marcador relevante de risco cardiovascular, com níveis predominantemente determinados por fatores genéticos e pouca variação ao longo da vida.

Sua dosagem pode contribuir para a avaliação do risco cardiovascular, especialmente em indivíduos de maior risco. Valores elevados estão associados a aterosclerose, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral isquêmico e estenose valvar aórtica.

Embora ainda não existam medicamentos aprovados especificamente para reduzir a Lp(a), diferentes estratégias terapêuticas estão em desenvolvimento.

 

*Este conteúdo foi atualizado em: 20/07/2026 pela equipe editorial do Portal Afya.

 

Referência: Nordestgaard, Børge G et al. Lipoprotein(a) and cardiovascular disease  The Lancet, Volume 404, Issue 10459, 1255 – 1264

Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFCG).  Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Endocrinologia