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Endocrinologia31 março 2025

Efeito da empaglifozina na esteatose hepática não alcoólica em pacientes com DM2

A empaglifozina é um inibidor do co-transportador 2 de sódio-glicose, reduzindo a reabsorção de glicose por promover glicosúria e assim reduzir os níveis glicêmicos no sangue.

A classe de inibidores do SGLT-2, tem se tornado uma classe medicamentosa promissora por atuar nos nichos da Endocrinologia, Cardiologia e Nefrologia. Visando descobrir mais benefícios dessas medicações, recentemente foi publicado um artigo que visou avaliar a empaglifozina em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e esteatose hepática não alcoólica.  

Vamos ver o que o artigo nos trouxe de informações para a prática clínica. 

diabetes mellitus tipo 2

Introdução

A doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) é uma das doenças hepáticas crônicas mais prevalentes no mundo, sendo caracterizada pelo acúmulo de gordura hepática na ausência de consumo alcoólico elevado. 

Seu aspecto é abrangente e vai desde esteatose hepática simples até progredir com esteatohepatite não alcoólica (NASH), fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. 

Sua incidência tem aumentado e está fortemente associada a outras desordens metabólicas como obesidade, resistência insulínica e DM2. 

A fisiopatologia que envolve o DM2 ea NAFLD é multifatorial com a resistência insulínica sendo o cerne de ambas as condições. A resistência insulínica aumenta os níveis de ácidos graxos livres, promovendo o acúmulo hepático dos mesmos. Além disso, níveis glicêmicos elevados e dislipidemia, porém agravar o dano hepático gerando um círculo vicioso de piora da resistência insulínica e da esteatose hepática.  

A empaglifozina é um inibidor do co-transportador 2 de sódio-glicose, reduzindo a reabsorção de glicose por promover glicosúria e assim reduzir os níveis glicêmicos no sangue. Benefícios extra-glicêmicos incluem: perda ponderal, redução da pressão arterial e melhora de desfechos renais e cardiovasculares. Muitos estudos estão sendo desenvolvidos com o intuito de avaliar tão medicação na NAFLD. O reconhecimento de que DM2 e NAFLD  são condições entrelaçadas é fundamental para um tratamento de sucesso. 

Metodologia

O estudo contou com pacientes com DM2 e NAFLD entre 20 e 70 anos que visitaram o Hospital Laghman Hakim em 2021 para tratamento de DM2.Eles não apresentavam histórico de uso de empaglifozina,  tinham uma taxa de filtração glomerular estimada superior a 35 ml/min/1,73 m2 e níveis de Hba1c de 7,5% ou menos. 

 Os critérios de exclusão foram: história de doença hepática ou renal avançada, cirurgia cardíaca recente (menos de 3 meses),cirurgia bariátrica ou outra gastrointestinal  causando disabsorção nos últimos 2 anos, histórico de doenças hemorrágicas ou câncer nos últimos 5 anos, uso de medicações anti-obesidade nos últimos 3 meses, uso de esteroides, presença de outras desordens endócrinas exceto DM2, consumo de álcool ou outras drogas nos últimos 3 meses; síndrome coronariana aguda, AVC ou AIT nos últimos 6 meses, uso de anti-inflamatórios em até 2 semanas que antecederam o estudo , uso de outras medicações para DM2 e diagnóstico de HIV e outras desordens neurodegenerativas (Ex: Alzheimer, Parkinson). 

Depois da seleção de pacientes, exames de sangue (Glicemia, hba1c, lipidograma, hepatograma e albumina) e imagem (USG de abdome ou RM de abdome) foram feitos no início, no 3 e no 6 mês do estudo. 

Resultados

De um total de 140 pacientes selecionados, 21 não puderam dar seguimento devido a Covid-19. De 119 pacientes, 69 foram para o grupo intervenção de 50 para o grupo controle.54,29% dos participantes do grupo intervenção e 45,71% dos participantes do grupo controle eram homens, com média de idade de 46,32 anos e 52,56 anos respectivamente. 

Os grupos não apresentaram diferenças significativas em relação aos dados demográficos. 

O grupo intervenção demonstrou uma melhor redução no grau de esteatose hepática quando comparado  ao grupo controle. Além disso, após 6 meses, o grupo intervenção também apresentou melhora nos níveis alanina amino-transferase (TGP), gama glutiltransferase (GGT) e  nos níveis pressóricos. 

Discussão

De um modo geral, a empaglifozina mostrou redução da esteatose hepática em pacientes com DM2 do grupo intervenção quando comparado com o grupo controle. 

Alguns mecanismos propostos foram o de melhorar a resistência insulínica e melhora dos efeitos anti-inflamatórios, com consequente redução da esteatose. 

O estudo contou com pontos fortes e limitações como qualquer estudo. Dentre as limitações, a amostra populacional foi considerada pequena e duração de apenas 6 meses do estudo pode não ser suficiente para comprovar os efeitos a longo prazo da empaglifozina. No entanto, os pontos fortes foram uso de técnicas não invasivas para mensurar a esteatose hepática como RM e USG de abdome total. Além disso, o estudo sendo controlado-randomizado, fortaleceu  a validade dos achados e apoia a potencial eficácia da empaglifozina em pacientes com DM2 e NAFLD. 

Conclusão e mensagem prática

Os achados do estudo mostram potenciais efeitos benéficos da Empaglifozina para pacientes com DM2 e NAFLD, sendo uma droga promissora para o tratamento combinado dessas condições. 

No entanto, mais estudos com maior amostra populacional, mais tempo de seguimento e uso de elastografia ou biópsia hepática são necessários para determinar com mais precisão os reais impactos da empaglifozina na terapia conjunta para DM2 e NAFLD. 

 

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Editora Médica de Endocrinologia do Portal Afya e Whitebook

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