A classe de inibidores do SGLT-2, tem se tornado uma classe medicamentosa promissora por atuar nos nichos da Endocrinologia, Cardiologia e Nefrologia. Visando descobrir mais benefícios dessas medicações, recentemente foi publicado um artigo que visou avaliar a empaglifozina em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e esteatose hepática não alcoólica.
Vamos ver o que o artigo nos trouxe de informações para a prática clínica.
Introdução
A doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) é uma das doenças hepáticas crônicas mais prevalentes no mundo, sendo caracterizada pelo acúmulo de gordura hepática na ausência de consumo alcoólico elevado.
Seu aspecto é abrangente e vai desde esteatose hepática simples até progredir com esteatohepatite não alcoólica (NASH), fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.
Sua incidência tem aumentado e está fortemente associada a outras desordens metabólicas como obesidade, resistência insulínica e DM2.
A fisiopatologia que envolve o DM2 ea NAFLD é multifatorial com a resistência insulínica sendo o cerne de ambas as condições. A resistência insulínica aumenta os níveis de ácidos graxos livres, promovendo o acúmulo hepático dos mesmos. Além disso, níveis glicêmicos elevados e dislipidemia, porém agravar o dano hepático gerando um círculo vicioso de piora da resistência insulínica e da esteatose hepática.
A empaglifozina é um inibidor do co-transportador 2 de sódio-glicose, reduzindo a reabsorção de glicose por promover glicosúria e assim reduzir os níveis glicêmicos no sangue. Benefícios extra-glicêmicos incluem: perda ponderal, redução da pressão arterial e melhora de desfechos renais e cardiovasculares. Muitos estudos estão sendo desenvolvidos com o intuito de avaliar tão medicação na NAFLD. O reconhecimento de que DM2 e NAFLD são condições entrelaçadas é fundamental para um tratamento de sucesso.
Metodologia
O estudo contou com pacientes com DM2 e NAFLD entre 20 e 70 anos que visitaram o Hospital Laghman Hakim em 2021 para tratamento de DM2.Eles não apresentavam histórico de uso de empaglifozina, tinham uma taxa de filtração glomerular estimada superior a 35 ml/min/1,73 m2 e níveis de Hba1c de 7,5% ou menos.
Os critérios de exclusão foram: história de doença hepática ou renal avançada, cirurgia cardíaca recente (menos de 3 meses),cirurgia bariátrica ou outra gastrointestinal causando disabsorção nos últimos 2 anos, histórico de doenças hemorrágicas ou câncer nos últimos 5 anos, uso de medicações anti-obesidade nos últimos 3 meses, uso de esteroides, presença de outras desordens endócrinas exceto DM2, consumo de álcool ou outras drogas nos últimos 3 meses; síndrome coronariana aguda, AVC ou AIT nos últimos 6 meses, uso de anti-inflamatórios em até 2 semanas que antecederam o estudo , uso de outras medicações para DM2 e diagnóstico de HIV e outras desordens neurodegenerativas (Ex: Alzheimer, Parkinson).
Depois da seleção de pacientes, exames de sangue (Glicemia, hba1c, lipidograma, hepatograma e albumina) e imagem (USG de abdome ou RM de abdome) foram feitos no início, no 3 e no 6 mês do estudo.
Resultados
De um total de 140 pacientes selecionados, 21 não puderam dar seguimento devido a Covid-19. De 119 pacientes, 69 foram para o grupo intervenção de 50 para o grupo controle.54,29% dos participantes do grupo intervenção e 45,71% dos participantes do grupo controle eram homens, com média de idade de 46,32 anos e 52,56 anos respectivamente.
Os grupos não apresentaram diferenças significativas em relação aos dados demográficos.
O grupo intervenção demonstrou uma melhor redução no grau de esteatose hepática quando comparado ao grupo controle. Além disso, após 6 meses, o grupo intervenção também apresentou melhora nos níveis alanina amino-transferase (TGP), gama glutiltransferase (GGT) e nos níveis pressóricos.
Discussão
De um modo geral, a empaglifozina mostrou redução da esteatose hepática em pacientes com DM2 do grupo intervenção quando comparado com o grupo controle.
Alguns mecanismos propostos foram o de melhorar a resistência insulínica e melhora dos efeitos anti-inflamatórios, com consequente redução da esteatose.
O estudo contou com pontos fortes e limitações como qualquer estudo. Dentre as limitações, a amostra populacional foi considerada pequena e duração de apenas 6 meses do estudo pode não ser suficiente para comprovar os efeitos a longo prazo da empaglifozina. No entanto, os pontos fortes foram uso de técnicas não invasivas para mensurar a esteatose hepática como RM e USG de abdome total. Além disso, o estudo sendo controlado-randomizado, fortaleceu a validade dos achados e apoia a potencial eficácia da empaglifozina em pacientes com DM2 e NAFLD.
Conclusão e mensagem prática
Os achados do estudo mostram potenciais efeitos benéficos da Empaglifozina para pacientes com DM2 e NAFLD, sendo uma droga promissora para o tratamento combinado dessas condições.
No entanto, mais estudos com maior amostra populacional, mais tempo de seguimento e uso de elastografia ou biópsia hepática são necessários para determinar com mais precisão os reais impactos da empaglifozina na terapia conjunta para DM2 e NAFLD.
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