À medida que o corpo materno se prepara para a gravidez e se adapta ao crescimento fetal, a demanda por certos nutrientes aumenta. Evidências indicam que os micronutrientes são essenciais para a saúde materna durante todo o período reprodutivo. Deficiências podem afetar a fertilidade, a evolução da gravidez e a saúde da mãe e do bebê a longo prazo.
Evidências mostram que a nutrição materna é essencial para a saúde da gestante e para o desenvolvimento do bebê. No entanto, as diretrizes sobre a ingestão de micronutrientes são inconsistentes.
Metodologia
Foi realizada uma pesquisa Delphi, abordando dieta, uso de suplementos e diretrizes existentes. Este estudo, publicado na revista BMC Pregnancy and Childbirth em 2025, investigou o consenso entre especialistas sobre as necessidades nutricionais e de micronutrientes durante a pré-concepção, gestação e lactação. Os painelistas chegaram a um consenso sobre a importância do uso de suplementos e sobre as evidências de que o uso de suplementos melhora os resultados e/ou o desenvolvimento fetal, para alguns micronutrientes essenciais em diferentes estágios da gravidez.
Foram analisados os seguintes micronutrientes para populações de baixo e alto risco: ácido fólico, colina, iodo, magnésio, cálcio, ferro, selênio, ácido docosa-hexaenoico (DHA) e vitaminas B1, B2, B6, B12, D e K.
Resultados encontrados e discussão
Participaram 35 especialistas, incluindo profissionais de saúde, pesquisadores e especialistas em nutrição, ginecologia e obstetrícia. Houve consenso sobre a importância da dieta e do uso de suplementos na gravidez, bem como a necessidade de maior clareza nas diretrizes atuais e de mais educação sobre o tema para profissionais de saúde, gestantes e o público geral.
Para populações de baixo risco, houve consenso sobre a necessidade de suplementação de:
Ferro e vitamina D: da pré-concepção à lactação.
Ácido fólico e iodo: da pré-concepção até o segundo e terceiro trimestres, respectivamente.
DHA: do primeiro trimestre até a lactação.
Cálcio: durante a lactação.
Houve consenso de que a suplementação deve ser ajustada em pessoas com dietas veganas/vegetarianas, restrições alimentares, obesidade, síndrome dos ovários policísticos, diabetes mellitus e histórico de complicações nutricionais na gravidez.
Conclusão
O estudo revelou um consenso sobre vários aspectos da nutrição materna e suplementação, incluindo a necessidade de mais conscientização sobre o tema e sobre a importância da suplementação em fases específicas da gravidez, especialmente para grupos de risco. A falta de consenso sobre vários micronutrientes, apesar das evidências crescentes de seus benefícios, reforça a necessidade de uma rápida incorporação dessas evidências em diretrizes, políticas e práticas.
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