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Endocrinologia7 janeiro 2020

Álcool e tabagismo podem influenciar a terapia de reposição hormonal?

A terapia de reposição hormonal (TRH) em mulheres pós-menopausa é influenciada por diversos fatores, dentre eles os hábitos de vida.

Por Camilla Luna

A terapia de reposição hormonal (TRH) em mulheres pós-menopausa é influenciada por diversos fatores, dentre eles os hábitos de vida – sendo o tabagismo e uso de álcool os principais a instigar os níveis séricos de estradiol.

Durante a reunião anual de 2019 (NAMS), um estudo realizado por Intira Sriprasert (MD) da Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia (em Los Angeles) avaliou o a dose e o nível sérico de estradiol em mulheres saudáveis em vigência de terapia hormonal.

Sriprasert analisou dados de dois estudos randomizados, controlados e duplo-cegos, sendo um multicêntrico (REPLENISH) e o o outro de um centro único (ELITE), visando encontrar a relação entre a dose do estradiol e o seu nível sérico, bem como eficácia, efeitos adversos e adesão. A conclusão por eles encontrada foi que em mulheres em TRH a dose de estradiol e os níveis séricos estavam independentemente associados as alterações metabólicas, todavia os níveis séricos estavam associados a progressão da aterosclerose.

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O estudo REPENISH analisou 5.881 consultas de 1.173 mulheres com útero entre 40 e 65 anos, sendo a média de 54 anos com e tempo médio desde o início da menopausa 5,2 anos. Essas participantes foram separadas em 4 grupos para receberem TRH diferentes dosagens de 17β-estradiol com progesterona (respectivamente): (1) 1 mg + 100 mg, (2) 0,5 mg + 100 mg, (3) 0,5 mg + 50 mg e (4) 0,25 mg + 50 mg, e um outro grupo de pacientes que recebiam placebo – quando adesão inferior a 80% as mesmas foram excluídas.

As variantes correlacionadas foram: idade, tempo (anos) desde a menopausa, peso, índice de massa corporal (IMC), creatinina, aspartato aminotransferase (AST), alanina aminotransferase (ALT), tabagismo, álcool e uso de medicamentos (anti-hipertensivos, anticonvulsivantes, hipoglicemiantes antidislipidêmicos).

O resultado encontrado foi que há um aumento significativamente estatístico (p =0,002) no nível sérico de estradiol nas mulheres as quais faziam TRH e não fumavam, porém faziam uso de álcool; Já nas mulheres as quais fumavam e não usavam álcool esses níveis foram significativamente mais baixos (p = 0,01).

Já no estudo ELITE, foram avaliadas 256 mulheres, sendo 118 mulheres (com idade média de 55 anos e tempo médio de menopausa de 3,6 anos) e 138 com menopausa tardia (com idade média de idade de 64 anos e tempo médio de menopausa de 16 anos). Sendo divididos dois grupos onde um recebeu 17 mg-estradiol 1 mg por dia e metade placebo, nos resultados foram encontrados aumentos significativamente estatísticos nos níveis de estradiol sérico com IMC (p < 0,0001) e álcool dose dependente (p= 0,0001), já com o tabagismo os níveis foram significantemente menores (p=0,0005), não houveram diferenças significativas entre mulheres com menopausa precoce ou tardia.

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Desse modo, segundo o autor do estudo, para alcançar níveis desejáveis de estradiol sérico associado a prevenção da aterosclerose, fatores como álcool e tabagismo devem ser considerados em mulheres em uso de estradiol oral, uma vez que interferem nos resultados por afetarem a função hepática. Todavia, devemos ressaltar que alguns vieses estavam presentes nos estudos, a exemplo das populações analisadas, porém o resultado é importantes para durante a escolha da dose e da TRH visando uma melhor resultado do tratamento.

Referência bibliográfica:

  • Alcohol, Smoking Alter Estradiol Levels in Hormone Therapy – Medscape – Nov 25, 2019.

Autoria

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Camilla Luna

Conteudista médico na Afya. Formada em medicina pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2017). Residência em Reprodução Assistida pelo Hospital Pérola Biyngton em São Paulo (2018). Fellowship em Reprodução Assistida no Humanitas Research Hospital em Milão/Itália. Mestrado em Ciências Médicas (em curso) pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Além da atuação na Afya, também atende em consultório particular.

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