A onicomicose é uma infecção fúngica na placa ungueal. O seu tratamento é longo e muitas vezes há abandono, o que retarda a cura e aumenta o risco de complicações.
Em média, a placa ungueal das mãos cresce de 2 a 3 mm por mês, já a dos pés, de 1 a 2 mm por mês. No entanto, em pacientes idosos, essa velocidade de crescimento é reduzida, também possuem má circulação e maior frequência de infecção por fungos não dermatófitos, infecções mistas, tornando-os o grupo de maior risco para essa patologia em comparação com indivíduos mais jovens.
O tratamento para onicomicose deve ser individualizado com base no grau de envolvimento ungueal, organismo infectante (se fungo dermatófito, fungo filamentoso não dermatófito ou cândida), comorbidades, medicamentos concomitantes, custo e preferências.
Conduta indicada em toda unha com onicomicose é cortar a unha e realizar o desbastamento da unha com lixamentos antes da aplicação do tratamento tópico. A lixa deve ser descartada, e não pode ser reutilizada.
Apesar do tratamento sistêmico ter o maior índice de cura, a principal vantagem da terapia tópica é o risco muito pequeno de efeitos adversos e interações medicamentosas.
Tratamento Tópico:
- Indicações:
- Onicomicose subungueal lateral distal envolvendo ≤ 50% de envolvimento de unha, e poupando a matriz/lúnula.
- Pacientes com contraindicações à terapia antifúngica sistêmica.
- Pacientes com risco de interações medicamentosas com antifúngicos sistêmicos.
- Pacientes que preferem evitar o tratamento sistêmico (especialmente com três ou menos unhas envolvidas)
- Medicações tópicas: Ciclopirox a 8% em esmalte e amorolfina a 5% em esmalte.
- Posologia:
- Ciclopirox a 8% em esmalte – aplicado 1x/dia na unha afetada, 5 mm de pele ao redor e no leito ungueal, hiponíquio e superfície inferior da lâmina ungueal. O tratamento é continuado até a depuração da unha ou até 48 semanas. No Brasil, pode ser realizado também em dias alternados no primeiro mês. Depois, duas vezes por semana no segundo mês de tratamento e uma vez por semana do terceiro mês em diante.
- Amorolfina a 5% em esmalte – aplicar 1 a 2x/ semana, por 6 meses nas unhas das mãos e 9 a 12 meses nas unhas dos pés. Lixar bem a unha antes de aplicar o esmalte.
- Duração: 6 meses nas unhas das mãos, e 9 a 12 meses nas unhas dos pés.
Tratamento Sistêmico:
- Indicações:
- Onicomicose subungueal lateral distal com envolvimento de >50 % da unha ou envolvimento da matriz/lúnula, onicomicose subungueal proximal ou onicomicose distrófica total.
- Medicações sistêmicas: Terbinafina (1ª escolha para tratamento oral de onicomicose por dermatófito de leve a moderada) e Itraconazol. Nos EUA, Fluconazol é off label.
- Posologia:
- Terbinafina – possui maiores taxas de curas e menor quantidade de interações medicamentosas do que o itraconazol. Dose de 250mg/dia durante 6 semanas para unhas das mãos, e por 12 semanas para unhas dos pés. ATENÇÃO! Os benefícios de pulsoterapia com terbinafinanão foram confirmados em ensaios clínicos. Na prática, a resposta do paciente irá guiar o tempo do tratamento, algumas vezes prolongando a medicação para 3 meses nas mãos e até 6 meses nos pés.
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- Itraconazol – Pulsoterapia: 200 mg 2x/ dia durante uma semana por mês durante dois meses para unhas das mãos, e 200 mg duas vezes ao dia durante uma semana por mês durante três meses para unhas dos pés. Terapia contínua: 200 mg por dia durante 6 semanas para unhas das mãos e durante 12 semanas para unhas dos pés. A biodisponibilidade é máxima com uma refeição completa, mas pobre em jejum. Também pode-se prolongar o tratamento, caso necessário e se não houver efeitos colaterais.
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- Fluconazol: É off label nos EUA. A dosagem recomendada é de 150 mg semanalmente até que toda a unha cresça (6-9 meses para unhas das mãos e 12-18 meses para unhas dos pés).
- Efeitos Adversos:
- Terbinafina: cefaleia, sintomas gastrointestinais e erupções cutâneas, que raramente requerem a descontinuação da medicação. Menos comumente, podem ocorrer anormalidades das enzimas hepáticas e distúrbios do paladar. Portanto, a decisão de realizar monitoramento laboratorial com terapia com terbinafina deve ser individualizada com base sobre o histórico médico do paciente e medicamentos concomitantes.
- Itraconazol: cefaleia, infecção do trato respiratório superior, diarréia, dor abdominal, hipertrigliceridemia e transaminases elevadas. Efeitos colaterais raros incluem lesão hepática e neuropatia periférica. É contraindicado em pacientes com disfunção ventricular, incluindo insuficiência cardíaca congestiva.
- Fluconazol: Os efeitos colaterais mais comuns são dor de cabeça, náusea, erupção cutânea, dor abdominal e elevação das transaminases. Raramente está associada a lesão ou insuficiência hepática, sendo mais comum em indivíduos imunossuprimidos.
Vale ressaltar que os dados sobre a eficácia comparativa de terapias para onicomicoses causadas por leveduras (principalmente C. albicans ) ou fungos não-dermatófitos são limitados. O itraconazol é considerado o tratamento de escolha para esses pacientes.
Alguns protocolos sugerem o tratamento sistêmico associado ao tópico, porém o médico deve avaliar o custo-benefício, a possibilidade de adesão do paciente ao tratamento e riscos de eventos adversos.
REFERENCIAS
Aggarwal R, Targhotra M, Kumar B, Sahoo PK, Chauhan MK. Treatment and management strategies of onychomycosis. J Mycol Med. 2020 Jun;30(2):100949. doi: 10.1016/j.mycmed.2020.100949. Epub 2020 Mar 14. PMID: 32234349.
Lipner SR, Scher RK. Onychomycosis: Treatment and prevention of recurrence. J Am Acad Dermatol. 2019 Apr;80(4):853-867. doi: 10.1016/j.jaad.2018.05.1260. Epub 2018 Jun 28. PMID: 29959962.
Autoria

Jéssica Guido
Redator em Dermatopapers. Médica Dermatologista (Sócia Titular) da Sociedade Brasileira de Dermatologia(SBD) e da Associação Médica Brasileira(AMB). Doutora pela Pós-Graduação em Cirurgia da Universidade Federal de Pernambuco (defesa realizada em julho/2024). Mestre em Medicina Interna pela Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).Coordenadora e Professora da Disciplina de Dermatologia do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal de Pernambuco. Professora da Disciplina de Dermatologia da Universidade Católica de Pernambuco. Coordenadora Científica do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Pernambuco. Orientadora da Liga de Dermatologia Clínica e Cirúrgica da Universidade Católica de Pernambuco (Liderm-UNICAP).Membro da Câmara Técnica de Dermatologia do CREMEPE/CFM.
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