Rash cutâneo é um termo clínico e descritivo que geralmente se refere ao surgimento súbito ou progressivo de lesões cutâneas eruptivas. É uma manifestação inespecífica, com manifestações dermatológicas variadas, podendo decorrer de diversas etiologias, incluindo causas inflamatórias, infecciosas, autoimunes, medicamentosas, vasculares ou de doenças sistêmicas. É necessário analisar suas características morfológicas, padrão de distribuição, tempo de evolução e contexto clínico do paciente.

Diagnóstico
A abordagem diagnóstica do rash cutâneo deve ser sistemática e baseada em algoritmos clínicos que priorizam a identificação rápida de quadros potencialmente graves. O primeiro passo é a classificação morfológica das lesões: petequiais/purpúricas, vesicobolhosas, maculopapulares ou eritematosas. Após essa diferenciação, avalia-se a presença de sintomas sistêmicos, como febre, que podem ser indicadores de gravidade e orientam a necessidade de exames complementares.
- Rash petequial/purpúrico: deve-se investigar causas infecciosas (meningococcemia e sepse), vasculites e distúrbios da coagulação. Geralmente, as lesões não desaparecem à digitopressão. Quando há febre ou repercussão hemodinâmica, a intervenção deve ser imediata.
- Rash vesicobolhoso: considerar síndromes graves como Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, infecções virais (herpes, varicela) e doenças autoimunes, como penfigoide bolhoso e outras buloses. Envolvimento de mucosas e sintomas sistêmicos constituem sinais de alerta.
- Rash maculopapular com febre: considerar os exantemas virais, reações medicamentosas (como DRESS) e infecções bacterianas, como escarlatina, sífilies secundária e doença de Kawasaki).
- Rash eritematoso/pruriginoso sem febre: considerar dermatite atópica, dermatite de contato, urticária, psoríase e ptiríase rósea.
Conduta
Em todos os casos, deve-se realizar a coleta da história clínica dirigida, incluindo introdução recente de medicamentos, exposição ambiental e doenças sistêmicas prévias, além de exame físico completo (distribuição, padrão das lesões, envolvimento de mucosas ou sintomas sistêmicos) e exames complementares conforme a suspeita clínica. Em alguns casos a biópsia de pele pode contribuir para elucidação diagnóstica. Além disso, a literatura recomenda que, diante de sinais de gravidade, a investigação e tratamento devem ser realizadas imediatamente, sem aguardar confirmação laboratorial.
Autoria

Marselle Codeço Barreto
Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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