Alopecia androgênica (AAG) é uma doença genética comum, manifestada em diferentes padrões masculinos e femininos. É caracterizada pela miniaturização progressiva dos folículos pilosos, na qual os fibroblastos foliculares, especialmente as células da papila dérmica, possuem papel central na fisiopatologia. Essas células são as principais transdutoras da sinalização androgênica na AAG, impulsionando a miniaturização dos folículos por meio de múltiplos mecanismos inter-relacionados.
O objetivo de uma revisão sistemática sobre o tema foi sintetizar as evidências disponíveis sobre a participação dessas, com foco na transdução de sinalização androgênica, sinalização parácrina, regulação do nicho de células-tronco, inflamação e fibrose.

Métodos utilizados e principais achados
A revisão foi conduzida conforme as diretrizes PRISMA 2020, incluindo 43 estudos experimentais e clínicos que investigaram a função dos fibroblastos na AAG, sendo realizada uma síntese narrativa devido à heterogeneidade de dados.
Os estudos demonstraram que as células da papila dérmica são o principal alvo da ação dos andrógenos na alopecia androgenética, apresentando elevada expressão do receptor de andrógeno (RA) e da 5-alfa-redutase tipo II.
A ativação pelo complexo DHT-RA (di-hidrotestosterona- receptor de andrógeno) promove desequilíbrio das vias de sinalização, com inibição da Wnt/β-catenina e ativação de TGF- β/BMP, reduzindo fatores pró-crescimento (VEGF e IGF-1) e aumentando mediadores inibitórios, inflamatórios e pró-fibróticos, como DKK-1, TGF- β1, IL-6 MCP-1.
Discussão e mensagem prática
Essas alterações comprometem a ativação das células-tronco foliculares, favorecem a miniaturização dos folículos, induzem inflamação crônica e fibrose perifolicular. Embora finasterida, dutasterida e Minoxidil possam modular indiretamente esses processos, reduzindo o estímulo androgênico e melhorando o microambiente folicular, os tratamentos atuais não restauram completamente a função das células da papila dérmica, nem revertem a fibrose estabelecida.
Os autores concluem que as terapias direcionadas aos fibroblastos, incluindo a terapia celular, exossomos, modulação de vias de sinalização e engenharia tecidual são estratégias promissoras para restaurar a função folicular e ampliar as opções terapêuticas futuras.
Autoria

Marselle Codeço Barreto
Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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