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DermatologiaMAR 2019

Nova vacina deve permitir que celíacos comam glúten

Empresa criou uma vacina experimental para doença celíaca que pode proteger pacientes dos efeitos do consumo de glúten. Saiba mais aqui!

Por Úrsula Neves

Tempo de leitura: [rt_reading_time] minutos.

A empresa americana de biotecnologia ImmusanT criou uma vacina experimental para doença celíaca que pode proteger pacientes dos efeitos do consumo de glúten, proteína encontrada no trigo, na cevada e no centeio. O sistema imunológico de quem sofre com a enfermidade reage anormalmente ao glúten, danificando o revestimento do intestino delgado e causando sintomas como diarreia, fadiga, flatulência e edema.

O tratamento, chamado Nexvax2, é um tipo de imunoterapia que visa “reprogramar” o sistema imunológico para ser tolerante ao glúten. A vacina já foi testada em um pequeno grupo de pessoas, se mostrando eficiente e bem tolerada entre pacientes com doença celíaca.

Nesta próxima etapa, os pesquisadores vão realizar um novo estudo clínico com 150 pacientes para testar ainda mais a segurança e a eficácia do tratamento. Os cientistas contaram em entrevista a veículos internacionais que participantes da Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos estão sendo selecionados para a continuação do trabalho.

gluten

Como funciona a vacina

A vacina funciona de forma semelhante às já existentes que são utilizadas em pacientes alérgicos. O tratamento consiste em tomar duas injeções por semana em um período de 16 semanas.

A vacina é composta de moléculas chamadas peptídeos, que provocam uma resposta imune em pacientes com doença celíaca. Em teoria, a exposição aos peptídeos ao longo do tempo pode ajudar a reprogramar as células do sistema imunológico, chamadas de células T, para se tornarem tolerantes ao glúten e não mais desencadear uma resposta imune à substância.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, a vacina contém pequenos fragmentos das proteínas responsáveis pela reação excessiva do sistema imunitário durante o processo digestivo. Uma vez que estas têm dimensões extremamente reduzidas é possível “ludibriar” o organismo até que este passe a aceitá-las como não sendo prejudiciais à saúde.

A terapia é destinada a pacientes com doença celíaca que carregam um gene do sistema imunológico chamado HLA-DQ2.5, encontrado em cerca de 90% dos indivíduos com a condição.

As injeções de manutenção podem ser aplicadas em casa, com um dispositivo que injeta automaticamente a vacina sob a pele.

Próximos passos

A empresa está atualmente recrutando pacientes na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos para participar do estudo clínico.

A ImmusanT já completou cinco ensaios de fase 1 do Nexvax2. Como os primeiros testes levaram os pacientes a vomitar, a dose inicial da vacina foi reduzida. Ela é aumentada lentamente até as pessoas serem expostas a uma quantidade de glúten que é equivalente a dois pães.

Já a fase 2 deve durar seis meses. De acordo com os cientistas, é muito cedo para prever quando a vacina estará disponível ou ainda para estimar o seu custo.

Tempo de introdução de alimentos alergênicos está relacionado à doença alérgica ou autoimune?

Doença celíaca: saiba mais

A doença celíaca é uma doença autoimune, ou seja, as próprias células de defesa imunológica agridem as células do organismo, causando um processo inflamatório. Na enfermidade, a inflamação é provocada pelo glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Esse processo inflamatório, que no caso ocorre na parede interna do intestino delgado, leva à atrofia das vilosidades intestinais, gerando diminuição da absorção dos nutrientes.

No geral, os sintomas como diarreia, constipação, perda de peso, anemia, sensação de estufamento, cólica e desconforto abdominal começam na infância. Na fase adulta, muitas vezes os sintomas são mais indefinidos, como dores eventuais.

A maneira mais segura de fazer o diagnóstico é realizar a dosagem no sangue dos anticorpos contra o glúten. Outro exame importante é a biópsia do intestino, para verificar se há alterações de inflamação e atrofia das vilosidades.

Ainda não há cura para a doença celíaca. Portanto, o tratamento consiste em retirar da dieta os alimentos que contenham glúten, responsável por desencadear a inflamação. Felizmente, é possível encontrar cada vez mais produtos sem glúten nas prateleiras dos supermercados, ampliando a variedade de opções para esses pacientes.

Veja a conduta completa frente ao paciente com doença celíaca no Whitebook!

Referências:

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