A medicina, assim como as mais diversas áreas da sociedade, está em constante evolução e passou por bruscas mudanças recentemente. O “Doutor” de antigamente, com seu status e autoridade, habitualmente impune de toda judicialização da medicina, agia feito um exército de um homem só, capacitado a resolver as mais diversas e adversas doenças e complicações, independente do diploma pendurado na parede do seu consultório. Muito diferente é o que vivemos hoje, onde o médico se torna cada vez mais especializado em conduzir com maestria uma pequena, e muitas vezes complexa, lista de patologias e é condicionado a encaminhar ao colega especialista tudo aquilo que foge do seu domínio. Além disso, após os longos anos de especialização a prova de título é uma obrigação e pré-requisito para qualquer emprego formal, seja ele público ou privado!
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Residência médica
O regime de residência médica coordenado pelo ministério da educação, é extenuante porém incontestável. Estar todos os dias, muitas noites e incontáveis finais de semana no ambiente hospitalar traz, por repetição e aprendizado, excelência e diferenciação para o médico recém formado. Além disso, o residente é a mão de obra semiqualificada mais barata que existe para as contas públicas, que paga uma bolsa de valor profundamente defasado para a carga horária que semana sim, semana também, ultrapassa o que foi contratado!
Entretanto, o número de novos doutores saídos do forno, aumenta a cada ano, sem que o número de vagas de especialização, acompanhe na mesma proporção. E foi neste cenário que as escolas médicas e hospitais encontraram uma excelente fonte de recursos, dando início às mais diversas pós-graduações (PG) em medicina.
Pós-graduações
Algumas PGs acompanham a rotina da residência médica, e são chamadas de estágio, com a única diferença que o “estagiário” não recebe a bolsa do governo, e geralmente ganha de cortesia um day off para trabalhar em outro serviço e pagar suas contas… Ao final do estágio o médico recebe o direito de prestar prova de título, enquadrar seu diploma e se intitular especialista na sua área.
Outro formato são as “pós de final de semana”. De custo altíssimo e ministradas por renomados chefes de cadeira, especialistas e personalidades, acontecem em frequências variadas, porém não integrais, permitindo que o médico mantenha sua rotina profissional enquanto estuda e aprende um novo conteúdo.
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Excepcionalmente disseminadas na área de dermatologia, formam profissionais em toda parte do Brasil, que após todo o investimento injetado nessa formação ainda precisam se dedicar muito para conquistar o título de especialista exigido pela sociedade, após comprovar alguns anos de atuação na área.
A maioria desses cursos oferecem aulas teóricas em ambiente extra hospitalar de forma que o aluno não vivencia o dia a dia da especialidade, e mesmo nas modalidades hands on a prática é deficitária e não se compara ao dia a dia da residência.
Mensagem final
Seguramente as pós-graduações em áreas de atuação clínica, que não envolvem procedimentos, tendem a capacitar o médico proporcionalmente ao tempo dispendido, sem jamais substituir a prática e a constância da residência. Por outro lado as PGs de áreas cirúrgicas ou que incluem capacitação em realização de procedimentos a distância ou sem devido treinamento prático, deixam a desejar na formação profissional.
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