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Cirurgia28 fevereiro 2026

Simpósio ASCO 2026: Tratamento do câncer de bexiga músculo-invasivo no KEYNOTE-B15

Câncer de bexiga músculo-invasivo: estudo KEYNOTE-B15 mostra superioridade de enfortumab vedotin + pembrolizumabe versus cisplatina + gencitabina antes da cistectomia radical.
Por Jader Ricco

Tradicionalmente, o câncer de bexiga músculo-invasivo (CBMI) é tratado com quimioterapia neoadjuvante baseada em cisplatina seguida por cirurgia, com a realização de cistectomia radical com linfadenectomia pélvica. Pacientes com contraindicação à cisplatina, podem ser submetidos a cirurgia como terapia isolada. Em alguns casos, como limitações à cirurgia ou desejo de preservação vesical, terapia trimodal com ressecção transuretral seguida por quimio e radioterapia é uma alternativa. 

O estudo de fase 3 KEYNOTE-B15 apresentado no segundo dia do simpósio geniturinário da American Society of Clinical Oncology (ASCO) demonstrou melhores resultados em termos de resposta patológica com combinação de enfortumab vedotin (EV) mais pembrolizumab antes e depois da cistectomia radical em comparação com a combinação de gencitabina mais cisplatina seguida de cistectomia em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo. 

O estudo KEYNOTE-B15 é inovador ao demonstrar melhores resultados com um regime sem platina em comparação com o tradicional esquema de quimioterapia à base de platina. 

Métodos 

O estudo KEYNOTE-B15 foi um ensaio clínico randomizado, aberto, de fase 3, que envolveu 808 pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo nos estágios T2-T4aN0M0 ou T1-T4N1M0 elegíveis para cisplatina e cistectomia radical. Os pacientes foram randomizados em dois grupos: os que receberam EV mais pembrolizumabe antes (4 ciclos) e depois (5 ciclos) da cirurgia (cistectomia radical + linfadenectomia pélvica), formado por 405 pacientes, e outro grupo com 403 pacientes que receberam quimioterapia com cisplatina e gencitabina (4 ciclos) neoadjuvante seguida de cirurgia. 

O desfecho primário foi a sobrevida livre de eventos e os desfechos secundários foram resposta patológica completa e sobrevida global. 

Resultados 

Os autores do estudo identificaram que o uso de Ev + pembrolizumabe antes e depois da cirurgia melhoraram significativamente a sobrevida livre de eventos com taxa estimada em 24 meses de 79,4% em comparação com a taxa de 62,2% no grupo cisplatina + gencitabina (HR 0,53, IC 95% 0,41-0,70; p<0,0001).  

Em relação aos desfechos secundários, a mediana da sobrevida global estimada em 24 meses foi de 86,9% no grupo EV + pembrolizumab e de 81,3% no grupo quimioterapia (IC 0,48-0,89; p= 0,0029). A taxa de resposta completa foi de 55,8% no grupo EV + pembrolizumab contra 32,5% no grupo gencitabina + cisplatina (IC 95% 16,7-29,8, p<0,0001). 

Os efeitos adversos apresentados pelos dois grupos não foram discrepantes. Eventos adversos de qualquer grau ocorreram em aproximadamente 98% dos pacientes em ambos os grupos. Eventos de grau 3 ocorreram em 75,7% do grupo EV mais pembrolizumabe e em 67,2% do grupo cisplatina + gencitabina. Efeitos adversos que cursaram com óbito ocorreram em 4,2% dos pacientes no grupo EV e em 2,8% dos pacientes no grupo quimioterapia.   

Mensagem final 

O estudo KEYNOTE-B15 é inovador ao demonstrar melhores resultados com um regime sem platina comparação com o tradicional esquema de quimioterapia. 

A expectativa dos autores é que a terapia combinada com Enfortumab vedotin e pembrolizumab podem mudar o padrão de tratamento no CBMI com resultados superiores ao tradicional esquema com cisplatina e gencitabina, trazendo controle mais eficaz da doença. 

Autoria

Foto de Jader Ricco

Jader Ricco

Graduado pela UFMG ⦁ Membro do corpo clínico do Oncoclínicas Cancer Center  ⦁ Cirurgião Oncológico no Instituto de Oncologia da Santa Casa ⦁ Cirurgião Oncológico e preceptor de cirurgia Geral na Santa Casa de Belo Horizonte e Hospital Vila da Serra.

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