O tipo mais comum de câncer renal é o carcinoma de células renais de células claras, que responde por cerca de 75%-80% dos casos.
O tratamento padrão para doença localizada é a cirurgia, com nefrectomia, podendo ser parcial (preferencial) ou total, de acordo com o caso. Em alguns casos, técnicas ablativas como crioablação e radiofrequência podem ser considerados, principalmente em pacientes com tumores de pequeno tamanho e comorbidades relevantes.
Pacientes com alto risco de recidiva após nefrectomia, se beneficiam com a terapia adjuvante através de imunoterapia com pembrolizumab, que demonstrou benefício na sobrevida livre de doença.
No terceiro dia do Simpósio Geniturinário da American Society of Clinical Oncology (ASCO) foi apresentado o estudo LITESPARK-022, que demonstrou melhores resultados em termos de sobrevida livre com a adição de belzutifano ao pembrolizumabe adjuvante em carcinoma de células renais claras de alto risco.

Métodos
O estudo LITESPARK-022 é um ensaio clínico randomizado de fase 3 que comparou os resultados em um ano do uso de pembrolizumabe mais belzutifano versus pembrolizumabe isoladamente em pacientes com carcinoma de células renais de células claras com risco intermediário-alto (pT2 grau 4 ou sarcomatoide ou pT3 qualquer grau, N0) ou alto (pT4 qualquer grau, ou qualquer pT qualquer grau, N+). Os pacientes foram randomizados na proporção 1:1 em dois grupos: grupo de estudo, que recebeu pembrolizumab + belzufitano e grupo controle, que recebeu pembrolizumab + placebo.
O desfecho primário foi sobrevida livre de doença e, os secundários, sobrevida global e segurança.
Resultados
O estudo evolveu 1841 pacientes, sendo 921 no grupo pembrolizumab + belzufitano e 920 no grupo pembrolizuma + placebo. A adição de belzufitano ao pembrolizumab melhorou significativamente a sobrevida livre de doença (HR 0,72, IC 95% 0,59-0,87, p0,0003). A sobrevida global estimada em 24 meses foi de 80,7% no grupo pembrolizumab + belzufitano em comparação com 73,7% no grupo pembrolizumab + placebo. Esses resultados correspondem a uma redução do risco de recorrência da doença ou morte em 28% com a combinação de pembrolizumab + belzufitano.
Por outro lado, a toxicidade foi maior no grupo de estudo em relação ao grupo controle. Eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em 52,1% dos pacientes do grupo pembrolizumab + belzutifano, em comparação com 30,2% nos pacientes do grupo pembrolizumabe + placebo. Os eventos de grau ≥ 3 mais encontrados foram (nos grupos de estudo vs grupo controle, respectivamente) anemia (12,1% x 0,5%), elevação de alanina aminotransferase (6,4% vs 2,0) e hipóxia (4,6% vs 0%).
Mensagem final
O LITESPARK-022 é o primeiro ensaio clínico adjuvante de fase 3 em CCR a demonstrar um benefício significativo para uma terapia combinada versus terapia única com imunoterapia. No entanto, a maior incidência de efeitos adversos implica na necessidade de uma seleção criteriosa de pacientes para evitar potenciais danos em pacientes que se beneficiariam pouco da adição do belzufitano.
Autoria

Jader Ricco
Graduado pela UFMG ⦁ Membro do corpo clínico do Oncoclínicas Cancer Center ⦁ Cirurgião Oncológico no Instituto de Oncologia da Santa Casa ⦁ Cirurgião Oncológico e preceptor de cirurgia Geral na Santa Casa de Belo Horizonte e Hospital Vila da Serra.
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