O pneumotórax é uma condição patológica em que ocorre presença de ar na cavidade pleural, podendo interferir na expansão pulmonar e levar a um quadro de dor torácica e dispneia.
Essa condição pode ocorrer de forma primária, sendo mais comum em pacientes jovens, longilíneos e magros, previamente saudáveis, sem doença pulmonar; e de forma secundária, em que há uma doença associada, tais como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), enfisema pulmonar, tuberculose e outras condições pulmonares.
A incidência do pneumotórax está em constante aumento em virtude das mudanças climáticas e da incidência do tabagismo no mundo. O tratamento do pneumotórax pode ser realizado de forma conservadora, através do uso de oxigenioterapia, cânulas nasais de alto fluxo (CNAF) ou aspiração simples; e de uma forma minimamente invasiva, que é a realização da cirurgia torácica videoassistida (VATS), com intuito de ressecção de bolhas pulmonares. Mas será que há uma superioridade entre a abordagem minimamente invasiva e a forma conservadora?
O objetivo de uma revisão e metanálise recentemente publicada foi comparar a abordagem conservadora versus a realização da VATS no pneumotórax e se há uma superioridade entre uma abordagem ou outra.

Métodos
Trata-se de uma metanálise realizada entre janeiro de 2000 e janeiro de 2025, com pesquisa bibliográfica ampla no PubMed, Embase, Web of Science e a Biblioteca Cochrane. A pesquisa envolveu artigos que tratavam sobre pneumotórax e sua abordagem (conservadora ou VATS). As meta-análises foram realizadas utilizando o RevMan 5.4.1. O viés de publicação foi avaliado usando o teste de Begg.
Resultados
Após estabelecidos os critérios de inclusão e exclusão, foram obtidos nove estudos finais, sendo apenas um de ensaio clínico randomizado e os demais de coorte retrospectivos. Foram comparadas as abordagens conservadoras versus VATS para os diferentes tipos de pneumotórax. Os desfechos primários avaliados foram a taxa geral de complicações, recorrência durante a hospitalização e taxa geral de recorrência entre as abordagens.
Analisando-se a taxa geral de complicações, presentes em apenas dois de nove estudos, foram evidenciadas complicações gerais nos dois grupos, sendo 109 pacientes no grupo VATS e 87 pacientes no grupo conservador, porém não houve relevância estatística [OR = 0,73, IC 95% (0,07–7,79), p = 0,79].
Em relação a taxa de recorrência do pneumotórax durante a hospitalização, três estudos evidenciaram 132 pacientes no grupo VATS e 137 pacientes no grupo conservador. A cirurgia minimamente invasiva reduziu discretamente a taxa de recorrência durante a hospitalização em comparação ao tratamento conservador, com uma diferença estatisticamente significativa [OR = 0,23, IC 95% (0,12–0,43), p < 0,00001].
Já a taxa de recorrência geral foi abordada em seis estudos, com 694 pacientes no grupo VATS e 884 pacientes no grupo conservador. A cirurgia minimamente invasiva também apresentou uma taxa de recorrência geral significativamente menor [OR = 0,16, IC 95% (0,08–0,31), p < 0,00001].
Após a separação ainda dos tipos de pneumotórax (primário ou espontâneo versus secundário), os resultados demonstraram uma diferença estatística significativa no grupo VATS em relação ao grupo conservador, em todos os tipos de pneumotórax [OR = 0,21, IC 95% (0,15–0,31), p < 0,00001].
Discussão
O pneumotórax é uma condição torácica que geralmente requer um tratamento em virtude dos sintomas do paciente. A abordagem minimamente invasiva por videotoracoscopia (VATS) apresentou uma menor taxa de recidiva geral, independente da causa do pneumotórax. Isso tem relação com a técnica realizada, uma vez que a abordagem da VATS atua na ressecção das bolhas pulmonares, facilidade na expansão pulmonar e promove maior reação inflamatória da pleura, contribuindo para adesão das pleuras parietal e visceral, reduzindo a chance de recidiva.
Tanto VATS quanto a abordagem conservadora apresentaram complicações, porém sem diferença estatística, o que demonstra uma incerteza quanto ao benefício a longo prazo.
Apesar da VATS ter reduzido a recorrência em pacientes com pneumotórax, independente da etiologia, os pacientes com pneumotórax primário obtiveram menor taxa em comparação aos secundários, pois geralmente os pacientes com pneumotórax espontâneo ou primário são pacientes mais jovens, saudáveis, e hígidos, com melhor reserva pulmonar, contribuindo assim para menor recidiva.
Dos nove estudos, oito foram de coorte retrospectivo, o que pode gerar viés de seleção, interferindo nos resultados encontrados. Além disso, foram realizados estudos em vários países diferentes e com amostras reduzidas, o que pode levar a uma maior heterogeneidade das amostras estudadas e menor relevância estatística, sendo necessários a realização de ensaios clínicos randomizados para maior significância.
Mensagem prática
A VATS é eficaz no tratamento do pneumotórax, independente da causa, e está associado a menor taxa de recorrência durante internação hospital e menor recorrência geral.
Autoria

Rodolfo Kalil de Novaes Santos
Graduado em Medicina pelo Instituto Metropolitano de Ensino Superior (IMES), em Ipatinga (MG), no ano de 2017. Residência Médica em Cirurgia Geral no ano de 2020 pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG) e Residência Médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo no ano de 2024 pelo Hospital Governador Israel Pinheiro - IPSEMG. • Cirurgião geral na Casa de Caridade Hospital São Paulo; Casa de Saúde Santa Lúcia e Prontocor. Docente da disciplina de anatomia II da Faculdade de Minas (FAMINAS) de Muriaé (MG).
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