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Cirurgia29 abril 2026

Placas e parafusos de titânio para fechar a toracotomia em clamshell

Toracotomia em clamshell com placas de titânio pode melhorar a estabilidade torácica e a recuperação funcional após trauma grave.

A toracotomia de reanimação (RT) é um procedimento emergencial vital para pacientes em parada cardíaca traumática iminente ou estabelecida, visando o controle de hemorragias e massagem cardíaca direta.  

Quando a incisão é estendida bilateralmente através do esterno, denomina-se toracotomia em clamshell (CST), uma exposição desafiadora que, após a sobrevivência inicial, exige um fechamento complexo para evitar instabilidade da parede torácica e infecções.  

Historicamente, o fechamento da CST utiliza fios de aço, técnica que pode ser associada a complicações como deiscência esternal, dor crônica e má união óssea. Como a CST é frequentemente realizada sob extrema urgência, a precisão anatômica da incisão pode ser prejudicada, dificultando a reaproximação convencional. Avaliar se o hardware moderno de fixação de costelas e esterno oferece melhores desfechos funcionais é essencial para otimizar a recuperação de pacientes traumatizados. 

Nesse sentido, o estudo “Traumatic clamshell thoracotomy closure using plates and screws – A new look for a challenging exposure: A pilot study”, publicado em 2026 na revista Injury, realizado por centros na América e Europa, teve por objetivo examinar a segurança e a eficácia do uso de placas e parafusos de titânio para o fechamento da CST. 

Medical Team Performing Surgical Operation in Bright Modern Operating Room

Método de Estudo 

Trata-se de uma revisão retrospectiva, multi-institucional e internacional de pacientes que sobreviveram à hospitalização após o fechamento de CST com placas e parafusos de titânio. O estudo analisou dados demográficos, o número de placas utilizadas, o tempo para o fechamento definitivo, complicações pós-operatórias e o status funcional final, reportado em uma escala de 1 (pior) a 5 (melhor). 

População Envolvida 

A análise incluiu 17 pacientes de 7 centros de trauma. A média de idade foi de 34,6 anos, sendo a maioria composta por homens (82,4%). Em relação ao mecanismo de trauma, 82,4% dos casos foram decorrentes de ferimentos penetrantes. A amostra apresentou diversidade étnica, incluindo pacientes brancos (35,3%), pretos (41,2%) e hispânicos (23,5%). 

Resultados Principais 

  • Logística do Fechamento: O tempo mediano para o fechamento definitivo foi de 1 dia, com a utilização de uma mediana de 1 placa por paciente. 
  • Desfechos Clínicos: Quatro pacientes (23,5%) apresentaram complicações pós-operatórias, que incluíram desde formação de queloides até questões que não comprometeram o resultado funcional a longo prazo. 
  • Recuperação Funcional: Com um seguimento médio de 197,4 dias, todos os pacientes apresentaram radiografias de tórax satisfatórias. 
  • Qualidade de Vida: O status funcional mediano reportado pelos pacientes foi 4, indicando uma boa recuperação da mobilidade e estabilidade da parede torácica. 

Mensagem Prática 

O fechamento da toracotomia em clamshell com placas e parafusos de titânio demonstra ser uma alternativa segura e eficaz às técnicas tradicionais. Embora exija recursos específicos de fixação esternal, a técnica promove estabilidade mecânica e resultados funcionais favoráveis a longo prazo, devendo ser considerada em centros que dispõem dessa tecnologia para manejar essa exposição cirúrgica desafiadora. 

Autoria

Foto de Aluísio Miranda Reis

Aluísio Miranda Reis

Graduado pela FCMMG • Membro do corpo clínico de cirurgia torácica dos Hospitais Orizonti e Rede Mater Dei • Cirurgião torácico concursado e preceptor pela Fhemig - Hospital Julia Kubitschek.

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Referências bibliográficas

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