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Cirurgia25 março 2026

O que mudou com as atualizações do ATLS 2025?

ATLS 2025 trouxe mudanças importantes no trauma. Veja o que mudou no xABCDE, transfusão e manejo inicial do paciente.
Por Jader Ricco

Advanced Trauma Life Support (ATLS) é um programa desenvolvido pelo American College of Surgeons Committee on Trauma, que teve sua primeira edição lançada em 1980.  

O curso é destinado a padronizar o atendimento inicial ao paciente traumatizado, principalmente nas primeiras horas após o trauma, quando intervenções rápidas são cruciais para a sobrevivência. Em 2025, foi lançada a 11ª edição do programa que traz uma reformulação dos princípios fundamentais no atendimento do trauma agudo. 

atualizações ATLS 2025

Pontos-chave 

Um ponto crítico na 11ª edição do ATLS é a formalização da “ressuscitação para controle de danos”. Já é sabido que a hemorragia no trauma é a maior causa de morte, até mesmo em relação a outras causas combinadas, podendo matar ou causar um colapso circulatório em segundos. Baseado nisso a hipotensão permissiva tem o objetivo de manter uma pressão arterial mais baixa, com níveis suficientes para manter a perfusão tecidual e sem exacerbar o sangramento até que a hemorragia possa ser controlada.  

Nesse quesito recomenda-se a limitação do uso de cristaloides e início precoce da hemotransfusão maciça. O uso de cristaloide entra como um fator de transição até a hemotransfusão.  

Como guia para indicação de transfusão maciça a 11º recomenda o uso da Avaliação do Consumo de sangue (Assessement of Blood Consumption  – ABC), onde os critérios PA sistólica ≤ 90, Pulso ≥ 120, FAST positivo, lesão penetrante no tronco pontuam, cada, 1 ponto. Um escore ≥ 2 indica início do protocolo de hemotransfusão maciça. A proporção recomenda é 1:1:1:1 (hemácias, plasma, plaquetas e criopreciptados). A administração de 3 ou mais concentrados de hemácias em 1 hora é um sinal de alerta para transfusão maciça. 

A última atualização mudou o tradicional sistema ABCDE para o xABCDE, onde o x refere-se a um sangramento externo, priorizando, inicialmente, o controle da hemorragia. A mudança se baseia no fato de, ao tentar garantir uma via aérea difícil, o sangramento se mantém e aumenta as chances de um colapso circulatório irreversível.  

Dentre as medidas para contenção do sangramento externo, destacam-se o tamponamento da ferida, contenção pélvica, pressão direta. Todas medidas que podem ser executadas rapidamente. 

Em situações de risco e para garantir a via aérea, a intubação orotraqueal em sequência rápida continua a ser recomendada e, quando não for possível, a cricotireoidostomia. A mudança no item vias aéreas é em relação à videolaringoscopia, que se torna a principal ferramenta no manejo das vias aéreas para garantir o sucesso na primeira tentativa, deixando de ser apenas um equipamento auxiliar. 

Outro ponto de destaque é em relação à restrição do movimento da coluna (RMC), no qual, na 11ª edição, a recomendação é evitar o uso de colares cervicais em pacientes de baixo risco para lesão cervical (como lesões cervicais penetrantes). A indicação de dispositivos de RMC está indicada em casos com risco real, de acordo com os critérios aplicados. A prioridade é o controle da hemorragia e o controle das vias aéreas e o dispositivo de RMC não deve atrapalhar esses passos. 

No que se refere a à neuroproteção, a presente atualização recomenda, em casos com traumatismo cranioencefálico (TCE), manter uma pressão arterial sistólica (PAS) > 100 mmHg (para pacientes com idade entre 50 e 69 anos) ou > 110 mmHg (para aqueles com idade entre 15 e 49 anos ou >70 anos) para garantir uma pressão de perfusão cerebral adequada. A dose de ácido tranexâmico recomendada, especificamente nos casos de TCE é dobrada (2g) nas primeiras 3 horas. 

Mensagem final 

Desde o seu lançamento, em 1980, o ATLS vem promovendo atendimento padronizado ao paciente vítima de trauma, com aumento significativo nas chances de sobrevivência. Evidências científicas, ensaios clínicos e vivência prática em situações catastróficas, como guerras, permitem mudanças e otimização do atendimento ao trauma, melhorando o prognóstico desses pacientes. 

Autoria

Foto de Jader Ricco

Jader Ricco

Graduado pela UFMG ⦁ Membro do corpo clínico do Oncoclínicas Cancer Center  ⦁ Cirurgião Oncológico no Instituto de Oncologia da Santa Casa ⦁ Cirurgião Oncológico e preceptor de cirurgia Geral na Santa Casa de Belo Horizonte e Hospital Vila da Serra.

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