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Cirurgia10 junho 2026

Modalidades de exercício para preservar massa muscular após bariátrica

Estudo compara exercícios após bariátrica e mostra benefícios na preservação muscular, saúde óssea e composição corporal.

Muito se estuda sobre as complicações decorrentes da cirurgia bariátrica, bem como suas carências nutricionais. No entanto, pouco se fala sobre estratégias interessantes para manutenção de massa muscular e saúde óssea nesse perfil de pacientes. 

Recentemente, foi publicado um artigo que visou avaliar diferentes modalidades de exercício físico na preservação de massa muscular e saúde óssea em pacientes submetidos à cirurgia metabólica bariátrica (CMB). Vamos ver o que o artigo nos trouxe de interessante. 

exercício pós bariátrica

Introdução: 

Apesar da eficácia da cirurgia metabólica bariátrica em promover perda de peso substancial e melhorar complicações relacionadas ao excesso de adiposidade, ela também cursa com perda de massa livre de gordura (MLG), principalmente nos primeiros 3-6 meses pós-cirurgia. Além disso, no primeiro ano também ocorre aumento do turn-over ósseo e redução da densidade mineral óssea (DMO), principalmente em colo do fêmur e quadril. 

Tais mudanças podem trazer prejuízos para a saúde física e metabólica desses pacientes. A atividade física entra nesse cenário como forma de redução de massa de gordura (MG), porém como ela auxiliaria em sustentação de peso perdido e preservação de MLG ainda permanece incerto. 

Os principais guidelines recomendam uma meta de pelo menos 150 min de atividade física aeróbica de moderada intesidade por semana , combinada com exercícios de resistência totalizando 300 minutos semanais. No entanto, essa recomendação é para a população geral, não levando em conta as particularidades da população pós bariátrica. 

O presente estudo visou avaliar em ensaio clínico randomizado os efeitos de atividade aeróbica, resistida e combinada na preservação de MLG em pacientes pós CMB. 

Metodologia: 

O estudo foi conduzido entre Julho de 2022 e Março de 2024 na Universidade de Tel Aviv, com pacientes recrutados de centros de bariátrica.  

Os critérios de inclusão foram: adultos entre 18-65 anos, com obesidade grau II (IMC ≥ 35 kg/m²) e pelo menos uma condição associada ao excesso de peso ou obesidade Grau III (IMC ≥ 40 kg/ m²) que eram candidatos então para CMB e que apresentavam estilo de vida sedentário.  

Já os critérios de exclusão foram: doenças cardiopulmonares severas, prejuízo musculo-esquelético que limitasse atividade física, distúrbios cognitivos, uso de medicações que pudessem comprometer a saúde óssea ou muscular, CMB prévia ou dificuldade de linguagem que pudesse incapacitar o entendimento das instruções dos exercícios.  

Os pacientes foram então randomizados em grupos: aeróbico, resistido, combinado e controle (recebeu cuidados básicos pós cirurgia) após serem submetidos à CMB. Os grupos foram acompanhados por 26 semanas em um programa supervisionado com sessões de 3x/semana, com aumento progressivo da intensidade. 

O desfecho primário analisado foi alteração na MLG feito medida por absorciometria de raios X de dupla energia (DXA). Desfechos secundários foram: massa de gordura, densidade mineral ósseal em quadril, colo femoral e coluna lombar; dosagem de telopeptídeo carboxiterminal de colágeno tipo 1 e função física ( com teste de 6 min de caminhada e Manobra de Handgrip). 

Resultados: 

Dos 443 participantes elegíveis, 58 participantes foram selecionados. Eles apresentavam entre 18-65 anos, IMC médio de 41,7 kg/m² e a maioria era composta por mulheres (70%). Eles foram randomizados em grupo aeróbico (n=15), grupo resistido (n=12), grupo combinado (n=13) ou grupo controle (n=13). 

O Grupo de exercícios combinados foi o que mais perdeu peso e também foi capaz de preservar mais a MLG e reduzir mais a MG quando comparados ao grupo controle. Já o grupo aeróbico foi o que mais atenuou a perda de massa óssea no quadril e teve a concentração sérica de telopeptídeo carboxiterminal de colágeno tipo 1 menos elevada quando comparado ao grupo controle.  A função física melhorou de forma modesta no grupo aeróbico em relação a caminhada de 6 min, porém quanto à análise do Hand-Grip, o grupo resistido foi melhor. 

Discussão: 

O presente estudo visou avaliar diversos regimes de exercício físico na composição corporal, densidade mineral óssea e função física após 6 meses de seguimento de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. 

Todos os grupos apresentaram melhoras, porém o grupo de atividade combinada foi o que mais se destacou na preservação de MLG e redução de MG, enquanto o grupo aeróbico foi melhor em manutenção de BMD. 

Em adição à atividade física, suplementação de cálcio e vitamina D, além de ingestão protéica diária adequada foram cruciais na preservação de massa óssea, com redução do risco de fraturas. 

Como todo estudo, esse também contou com limitações, sendo a principal a pequena amostra populacional. Como pontos de forças, o estudo ser randomizado foi uma grande vantagem, bem como o detalhamento das informações de BMD, MLG e MG. 

Conclusão: 

Após a CMB, a combinação entre exercícios aeróbicos e resistidos melhorou a composição corporal dos indivíduos ao preservar MLG e reduzir MG, enquanto atividade aeróbica foi a mais eficaz em atenuar a perda de massa óssea. 

O ensaio clínico deixou claro que são necessários mais estudos para avaliar com mais clareza quais são as melhores estratégias para promoção de saúde musculo-esquelética, metabólica e funcional em pacientes submetidos à CMB. 

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Editora Médica de Endocrinologia do Portal Afya e Whitebook

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