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Cirurgia10 março 2026

Manejo de fraturas penianas no serviço de emergência: o que fazer?

Fratura peniana: sinais clínicos, diagnóstico e tratamento cirúrgico de uma emergência urológica que exige intervenção rápida.

A fratura peniana pode ser definida quando, com o pênis ereto, há ruptura da túnica albugínea dos corpos cavernosos, geralmente associada a um trauma peniano durante o ato sexual. A incidência desta patologia ainda é pequena, porém vem aumentando no decorrer dos anos, sobretudo próximo a datas de maior festividade. Neste sentido, é de suma importância que o médico generalista da emergência saiba reconhecer os achados referentes à fratura, e importante que o médico Urologista esteja pronto para atuar rapidamente.  

É considerada uma emergência cirúrgica urológica. O atraso no diagnóstico e tratamento adequado podem levar desde aumento da tortuosidade peniana, além de disfunção sexual grave, com dificuldade, ou até mesmo incapacidade de praticar a penetração. Atrasos de até 8 horas no tratamento cirúrgico já podem ser suficientes para levar a disfunção erétil pós-operatória, que pode, ou não, ser retomada com tratamento medicamentoso. Algumas posições sexuais são mais propensas a tal incidente, e a maioria dos estudos mostrou-se ser a de quatro apoios.  

Anamnese e diagnóstico 

O diagnóstico da fratura peniana é essencialmente clínico, a partir da anamnese e exame físico dirigido. Comumente o paciente relata que, durante o ato sexual, ocorre um estalido percebido pelos atores do ato sexual, seguido de intensa dor local, perda de ereção e edema local – pênis em berinjela. A presença de lesão uretral pode não ser facilmente percebida, no entanto sangue no meato uretral, hematúria, disúria ou oligúria podem levar a suspeição. Caso ocorra dúvida diagnóstica, o Ultrassom com doppler pode ser utilizado para auxiliar no diagnóstico. Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética também podem ser utilizados, porém são menos frequentes na prática clínica, embora a sensibilidade da RM seja próxima a 100%.  

Conduta e manejo perioperatório 

Como citado anteriormente, a conduta recomendada frente ao diagnóstico de fratura peniana é essencialmente cirúrgica. Inicia-se com uma incisão peniana, que pode ser longitudinal, subcoronal (semelhante à circuncisão), ou penoescrotal mediana. Há então o desenluvamento da pele que recobre o pênis, até a haste. É comum que neste momento o urologista se depare com um hematoma local, que deve ser retirado para correta observação da túnica albugínea e pesquisa de quaisquer lacerações que possam existir no local. Tais lacerações serão então reparadas através de sutura com fio absorvível.  

Vale ressaltar a importância da análise da uretra no tempo intraoperatório, mesmo que a mesma já tenha sido avaliada durante a anamnese e exame físico. Em caso de dúvida de lesão uretral, é possível lançar mão de uma cistoscopia intraoperatória. Um cateter Foley é colocado durante a cirurgia em casos em que não há, ou não se suspeita de lesão uretral, e serve como marco cirúrgico útil, além de estabilizar os corpos cavernosos.  

No pós-operatório, o paciente deve ser acompanhado regularmente para que ocorra correta avaliação da função sexual, além dos cuidados gerais pós cirúrgicos. Hematoma, edema, ou dor de forte intensidade devem ser sinais de alerta. É recomendado que o paciente se abstenha de relações sexuais no período pós-operatório, sendo sempre avaliado por um médico urologista. 

Mensagem final 

Na dúvida de qualquer alteração peniana, ou se história de dor durante o ato sexual, o paciente deve buscar imediatamente uma emergência urológica e ser avaliado por um urologista, para que, confirmando a fratura, ele seja operado o mais breve possível, aumentando as chances de preservação da ereção e curvatura peniana.  

Autoria

Foto de Caio Henrique da Silva Teixeira

Caio Henrique da Silva Teixeira

Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense - 2022. Cirurgião Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar 2023-2026. Residente de Urologia - Hospital Federal do Andarai.

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Referências bibliográficas

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