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Cirurgia14 março 2026

Hemorroidectomia: como escolher a melhor técnica cirúrgica?

Grampeamento ou técnica excisional? Veja o que estudos recentes mostram sobre dor, recorrência e escolha da hemorroidectomia.

Atualmente o tratamento da doença hemorroidária consiste tanto em controle duradouro dos sintomas e também na preservação da função anorretal e melhora da qualidade de vida. A introdução do grampeador circular transanal mudou o paradigma do tratamento da doença hemorroidária, permitindo a realização de uma hemorroidectomia subtotal (HS) com grampeador, além da técnica clássica da hemorroidectomia tradicional excisional (HE). Ambas as técnicas apresentam pontos positivos e negativos.  

Dados de metanálises recentes revelam que a HS está associada a maior incidência de prolapso retal além de aumento da sintomatologia da doença, como tenesmo e urgência, além da maior necessidade de reinterveção. Por outro lado, é menos invasiva, pode ser realizada com menor tempo cirúrgico, menor tempo de internação, e menor dor no pós operatório imediato.  

O objetivo do estudo, elaborado na Itália e publicado em 2026 no International Journal of Colorectal Disease, foi então analisar os resultados a longo prazo das duas técnicas cirúrgicas, aplicado ao tratamento de hemorróidas graus II-IV. Para isso, o estudo baseou-se em uma revisão sistemática de 17 estudos do tipo ensaio clínico randomizado que avaliou 2072 pacientes entre 2001 e 2025.  

hemorroidectomia

hemorroidectomia

Resultados 

a) Recorrência

A recorrência total foi maior para o grupo tratado com HS, sobretudo para a recorrência de prolapso. Importante salientar que a maior parte do ensaio associou maiores taxas de recorrência ao maior grau da hemorroida, como em Ortiz et al. (2002) que documentou 7 episódios relacionados na hemorróidas grau III e 2 episódios relacionados a hemorróidas grau IV. 

A maior parte dos estudos revisados não apresentou diferença entre recorrência de sangramento entre as duas técnicas, sem correlação com o grau da hemorróida.  

Apenas um estudo (Watson et al) forneceu taxas cumulativas de recorrência sem diferenciar entre prolapso e sangramento, apresentando 134 eventos entre 317 pacientes quando utilizado HS, e 76 casos em 300 pacientes quando utilizado HT. 

b) Reintervenções

Sem diferença estatística entre os dois grupos. Importante destacar que dentre os artigos revisados houve inconsistência as informações sobre motivo da reabordagem, tipo e indicação das reoperações.  

c) Dor persistente

Somente 5 estudos revisados apresentaram pacientes com a queixa de dor anal persistente, com uma incidência inferior a 10% dos pacientes e sem diferença estatística entre os dois grupos. 

d) Função anal

Sem diferença estatística entre os dois grupos no que diz respeito a urgência, incontinência e evacuação difícil. 

e) Qualidade de vida

Resultados inconsistentes, porém alguns estudos revelaram pequena vantagem para HE. 

Discussão 

Embora a HS pareça fornecer vantagens com relação à recuperação mais rápida, também está associada à maior taxa de prolapso e recorrência da doença a longo prazo. Entretanto não houve diferença significativa entre as demais variáveis avaliadas.  

Mensagem prática 

  • A decisão sobre qual técnica deve ser escolhida deve ser compartilhada e tomada em conjunto com o paciente, explicando pontos positivos e negativos, além das possíveis complicações; 
  • A HS pode ser considerada em casos selecionados, em pacientes que desejam menor dor pós-operatória, tempo de recuperação mais rápida, porém deve ficar claro que existe maior chance de recorrência; 
  • Converse e decida sobre qual técnica utilizar em conjunto com seu paciente, a melhor decisão é sempre aquela que é compartilhada, fortalecendo a relação médico-paciente.

Autoria

Foto de Caio Cesar Bianchi de Castro

Caio Cesar Bianchi de Castro

Cirurgia Geral no Hospital Adventista Silvestre (RJ) ⦁ Cirurgia Torácica na Universidade de São Paulo (USP) ⦁ Residência de Transplante Pulmonar no Insituto do Coração (InCor, SP) ⦁ Membro Adjunto do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (ACBC) ⦁ Membro da Federación Latinoamericana de Cirugía (FELAC) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Referências bibliográficas

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