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Cirurgia30 março 2026

Colecistectomia robótica vs laparoscópica na colecistite aguda: há diferença?

Metanálise compara colecistectomia robótica e laparoscópica na colecistite aguda e avalia conversão, complicações e mortalidade.

A colecistite aguda é uma das urgências mais comuns em pronto-atendimentos de cirurgia, apresentando a colecistolitíase como a principal causa etiológica. O tratamento padrão-ouro atual é a realização da colecistectomia por via laparoscópica e é difundida no mundo inteiro.  

Atualmente a plataforma robótica tem ganhado espaço no ambiente cirúrgico, principalmente pela obtenção de uma curva de aprendizado mais rápida em relação à via laparoscópica, maior ergonomia do cirurgião, visualização das estruturas em três dimensões em alta resolução, articulação maior dos instrumentais e atenuação dos tremores.  

Mas será que esta via de abordagem mais recente está bem indicada ou há uma superioridade no tratamento da colecistite aguda? O objetivo de um recente estudo sobre o tema foi comparar a eficácia da abordagem da colecistite aguda por via laparoscópica versus por via robótica. 

colecistomia na colecistite aguda

Métodos 

Trata-se de uma revisão sistemática e metanálise conduzida pelas diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), envolvendo a comparação do tratamento da colecistite aguda por via laparoscópica versus por via robótica. Foram selecionados artigos entre 2015 e 2025, com bases no PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus, Web of Science e na Biblioteca Cochrane.  

Foram excluídos estudos eletivos, pediátricos e não comparativos. Os desfechos analisados incluíram tempo operatório, conversão para cirurgia aberta, complicações intraoperatórias, lesão de via biliar, tempo de internação, readmissão, reoperação e mortalidade em 30 dias. O risco de viés foi avaliado pelo instrumento ROBINS-I. As análises estatísticas utilizaram modelo de efeitos aleatórios. 

Resultados 

Após os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, foram selecionados sete artigos observacionais, com tamanho de amostra de 143.717 pacientes.  

Em todos os sete artigos, houve conversão para colecistectomia aberta, com taxa de conversão menor em pacientes submetidos a intervenção por via robótica (RR 0,61, IC 95% 0,50–0,75; I² = 44%). As complicações pós-operatórias não foram significativas em ambos grupos (RR 0,72, IC 95% 0,38–1,36; I² = 40%), o que sugere uma segurança na abordagem dessas duas vias de acesso.  

Também não houve diferença estatística em lesões iatrogênicas do ducto biliar (RR 0,97, IC 95% 0,77–1,21; I² = 0%) e nem em taxas de readmissão em 30 dias pós-operatórias (RR 0,88, IC 95% 0,50–1,54; I² = 18%).  

Analisando-se também a mortalidade pós-operatória em 30 dias, sendo classificada como um evento extremamente raro, sem relevância estatística (OR 1,28, IC 95% 0,86–1,90; I² = 0%), indicando sobrevida alta entre as duas vias de abordagem.  

Discussão 

A colecistite aguda é uma patologia frequente na prática cirúrgica que requer geralmente o tratamento cirúrgico para resolução completa da condição. A via robótica apresentou resultados semelhantes com a via laparoscópica, no contexto de eficácia, segurança, complicações e mortalidade, apresentando vantagem apenas na menor taxa de conversão para cirurgia convencional.  

Essa vantagem é esclarecida e demonstrada pela visão tridimensional da via robótica, redução dos tremores e melhor articulação dos instrumentais, que facilita a realização e condução dos casos de maior inflamação e dificuldade técnica, aumentando a taxa de sucesso do procedimento cirúrgico. 

Apesar disso, a superioridade da cirurgia robótica em relação à via laparoscópica ainda permanece incerta, pois não há estudos robustos e randomizados que trazem esta evidência, além de que esta via possui um custo alto e ainda não é disponível em todos os hospitais.  

O risco de viés através da plataforma ROBINS-I, em seis de sete artigos foi considerado alto, por não apresentar a forma adequada da seleção dos pacientes e não haver randomização na via de abordagem escolhida de forma detalhada, sendo considerada a via mais adequada influenciada pela experiência do cirurgião, a gravidade da colecistite e dificuldade técnica do procedimento. 

A colecistectomia realizada por via laparoscópica ou por via robótica, em vigência de colecistite, apresenta grande eficácia no tratamento dessa condição, e segurança pós-operatória, independente da via de abordagem. A abordagem por via robótica apresentou menor taxa de conversão que a via laparoscópica, porém são necessários maiores estudos para comprovar a superioridade da via robótica e maior utilização dela. 

Mensagem prática 

1 – A colecistectomia por via robótica para tratamento de colecistite aguda apresentou menor taxa de conversão para cirurgia aberta que por via laparoscópica.  

2 – Não houve diferenças de complicações ou mortalidade entre as técnicas, sendo vias de abordagem seguras para o procedimento. 

Autoria

Foto de Rodolfo Kalil de Novaes Santos

Rodolfo Kalil de Novaes Santos

Graduado em Medicina pelo Instituto Metropolitano de Ensino Superior (IMES), em Ipatinga (MG), no ano de 2017. Residência Médica em Cirurgia Geral no ano de 2020 pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG) e Residência Médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo no ano de 2024 pelo Hospital Governador Israel Pinheiro - IPSEMG. • Cirurgião geral  na Casa de Caridade Hospital São Paulo; Casa de Saúde Santa Lúcia e Prontocor. Docente da disciplina de anatomia II da Faculdade de Minas (FAMINAS) de Muriaé (MG).

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Referências bibliográficas

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