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Cirurgia30 março 2026

Cirurgia neuroguiada na ritidoplastia: segurança e precisão

Vários fatores influenciam uma população em busca de procedimentos estéticos. Muitos, entretanto, não tem condições de serem submetidos à cirurgia desejada.
Por Hiago Bastos

A crescente popularização dos procedimentos estéticos, em especial a ritidoplastia, evidencia a necessidade de aprimoramento constante das técnicas cirúrgicas, sobretudo no que diz respeito à segurança do paciente. O artigo em análise aborda de forma aprofundada a utilização da cirurgia neuroguiada como estratégia inovadora para prevenir lesões do nervo facial, uma das complicações mais graves associadas ao lifting facial. Tal problemática ganha relevância diante do aumento do número de procedimentos realizados mundialmente, o que, por consequência, eleva também a incidência de complicações cirúrgicas. 

Pontos de atenção

      Nesse contexto, destaca-se que as lesões do nervo facial, embora ocorram em uma parcela relativamente pequena dos casos (cerca de até 4%), são extremamente preocupantes devido às suas consequências potencialmente irreversíveis. Danos a esses nervos podem resultar em paralisia facial, assimetria, comprometimento funcional e impactos psicossociais significativos. Além disso, o tratamento dessas lesões ainda apresenta resultados limitados, sendo praticamente impossível restabelecer completamente a expressão facial original, o que reforça a importância de estratégias preventivas eficazes. 

       Ademais, o artigo ressalta que a evolução das técnicas cirúrgicas, especialmente aquelas que envolvem planos mais profundos da face, contribui para o aumento do risco de lesões nervosas. Soma-se a isso o fato de muitos pacientes já terem sido submetidos a procedimentos estéticos prévios, como preenchimentos e aplicação de bioestimuladores, que alteram a anatomia facial e tornam a identificação dos nervos ainda mais desafiadora. Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de métodos mais precisos e confiáveis durante o ato cirúrgico. 

       É nesse ponto que a cirurgia neuroguiada se apresenta como uma solução promissora. Inspirada em práticas da neurocirurgia, essa abordagem utiliza tecnologias como a neuronavegação e a eletroneuromiografia para identificar, em tempo real e com precisão milimétrica, os ramos do nervo facial. Tal recurso permite ao cirurgião realizar dissecações mais seguras, reduzindo significativamente o risco de lesões iatrogênicas, mesmo em condições anatômicas complexas. 

Métodos

       No que se refere aos procedimentos metodológicos, o estudo analisou um grupo de 10 pacientes submetidos à ritidoplastia em plano profundo, com idades entre 45 e 67 anos. Todos passaram por exames prévios para descartar lesões nervosas preexistentes. Durante a cirurgia, foram posicionados eletrodos em pontos estratégicos correspondentes aos principais ramos do nervo facial, possibilitando monitoramento contínuo. O sistema utilizado emitia alertas sonoros sempre que havia risco de lesão, permitindo ajustes imediatos por parte do cirurgião e garantindo maior controle durante o procedimento. 

Resultados

       Os resultados obtidos demonstraram a eficácia da técnica, uma vez que nenhum dos pacientes apresentou lesões nervosas, tanto no intraoperatório quanto no acompanhamento realizado 30 dias após a cirurgia. Esses achados evidenciam o potencial da cirurgia neuroguiada como uma ferramenta essencial para aumentar a segurança em procedimentos estéticos faciais, reduzindo complicações e melhorando os desfechos clínicos. 

Conclusão e mensagem prática

       Por fim, o artigo conclui que a incorporação de tecnologias como a neuronavegação e a monitorização intraoperatória representa um avanço significativo na cirurgia plástica. Além de minimizar riscos, essa abordagem contribui para maior precisão técnica e abre possibilidades para o desenvolvimento de novas práticas cirúrgicas. Dessa forma, a cirurgia neuroguiada se consolida como uma alternativa eficaz e inovadora, reforçando a importância da integração entre tecnologia e medicina na busca por resultados mais seguros e satisfatórios. 

 

Autoria

Foto de Hiago Bastos

Hiago Bastos

Graduação em Medicina pela Universidade Ceuma (2016), como bolsista integral do PROUNI ⦁  Especialista em Terapia Intensiva no Programa de Especialização em Medicina Intensiva (PEMI/AMIB 2020) no Hospital São Domingos ⦁  Fellowship in Intensive Care at the Erasme Hospital (Bruxelles, Belgium) ⦁  Especialista em ECMO pela ELSO ⦁ Médico plantonista na UTI II do Hospital Municipal Djalma Marques desde 2016, na UTI do Hospital São Domingos desde 2018 e Coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do Hospital Municipal Djalma Marques desde 2017 ⦁  Fundador e ex-presidente da Liga Acadêmica de Medicina de Urgência e Emergências do Maranhão (LAMURGEM-MA) ⦁  Experiência na área de Emergências e Terapia intensiva.

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Referências bibliográficas

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