Logotipo Afya
Anúncio
Cirurgia19 janeiro 2026

Bypass gástrico ou sleeve: quais os melhores resultados a longo prazo?

Meta-análise compara bypass gástrico e sleeve em longo prazo, avaliando perda de peso, comorbidades, revisões e complicações.
Por Felipe Victer

A cirurgia bariátrica é cheia de nuances e dúvidas a respeito de qual a melhor técnica a ser utilizada. Não podemos determinar o sucesso de uma cirurgia apenas pelos resultados de curto e médio prazo, visto que a obesidade é uma condição crônica que requer necessariamente um acompanhamento a longo prazo.  

Além do controle de peso propriamente dito, outros fatores também são analisados, como o controle da diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias, que muitas vezes estão diretamente relacionadas ao aumento de peso.  

Neste portal já publicamos alguns textos comparando as diferentes modalidades no tratamento da obesidade, porém temos que lembrar que por ser um método relativamente recente, os dados de longo prazo ainda não são muito consistentes e estão começando a serem publicados agora.  

A presente meta análise faz uma compilação de dados dos principais ensaios clínicos sobre o tema e com isto fortalece ainda mais a nossa percepção sobre o assunto.  

Bypass vs sleeve: resultados a longo prazo

Métodos 

Revisão sistemática que agregou ensaios clínicos que compararam com um período mínimo de observação de 5 anos a cirurgia bariátrica (sleeve ou by-pass gástrico) com os métodos tradicionais de emagrecimento incluindo medicações. Foram definidos como desfecho primário a perda de peso medida como perda do excesso de peso e/ou percentual da perda total. Além disso dados como necessidade de cirurgia revisional, complicações nutricionais e saúde global também foram analisados como os desfechos secundários.  

Resultados 

Foram encontrados 21 estudos que que preencheram os critérios propostos entre eles estudos clássicos sobre o tratamento da obesidade como o SLEEVEPASS e SleeveBypass, que além de possuírem um número de pacientes considerável o tempo de de observação chegou a mais de 10 anos em alguns estudos.  

Todos os estudos apresentaram uma perda de peso total de aproximadamente 30% para o by-pass e 22% para o sleeve. A maior vantagem do by-pass foi uma perda de peso sustentada com 10 anos de observação sendo maior que 20%.  Além disso, o bypass demonstrou uma maior remissão de diabetes do tipo II e dislipidemias.  

Também houve um maior número de complicações nutricionais devido às características disabsortivas do by-pass com 70% dos pacientes com alguma deficiência aos 4 anos de observação. Já em relação ao sleeve, pelo menos 30% dos pacientes apresentaram doença do refluxo contra apenas 7% no grupo bypass. Esta diferença talvez justifique a taxa de cirurgia revisional no bypass de apenas 1,5% enquanto no sleeve chega a 30% (amostra heterogênea, dependendo do tempo de observação). 

Discussão 

O tratamento da obesidade possui a cirurgia como um forte aliado, com resultados satisfatórios e duradouro, especialmente quando comparada à terapia medicamentosa/comportamental. Esta última está diretamente relacionada ao uso do fármaco, com recorrência da obesidade após a suspensão da medicação.  

Nas comparações a longo prazo, apesar de um maior grau de déficits nutricionais o bypass se mostrou mais efetivos nos diferentes aspectos relacionados a bariátrica, como controle da DM2, dislipidemias e perda de peso. Em contrapartida o sleeve, apesar de menos desafiador tecnicamente, menor número de déficits nutricionais, possui um maior número de revisões cirúrgicas, podendo ser atribuído ao refluxo.  

A escolha entre as duas diferentes modalidades cirúrgicas deve ser individualizada, não podendo ser uma cirurgia para todos os indivíduos.  

Para levar para casa 

Consolidar o conhecimento é fundamental. Além disto a cirurgia bariátrica está longe de ser a mesma cirurgia para todos, com nuances de cada paciente referente aos seus desejos e necessidades. Ambos os métodos são eficazes e excelentes quando bem indicados.   

Autoria

Foto de Felipe Victer

Felipe Victer

Editor Médico de Cirurgia Geral da Afya ⦁  Residência em Cirugia Geral pelo Hospital Universitário Clementino fraga filho (UFRJ) ⦁ Felllow do American College of Surgeons ⦁ Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões ⦁ Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Gastrointestinal e Endoscópica (Sages) ⦁ Ex-editor adjunto da Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (2016 a 2019) ⦁  Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Cirurgia