A apendicectomia laparoscópica é o padrão-ouro para apendicite aguda, mas o manejo da dor pós-operatória e a dependência de opioides continuam sendo desafios críticos.
A otimização da analgesia é pilar para a mobilização precoce e redução da internação. O LTAP permite a infiltração sob visão direta pelo cirurgião, sem aumentar o tempo cirúrgico ou custos, inserindo-se nos protocolos ERAS.
Nesse sentido, o estudo “Laparoscopic-assisted transversus abdominis plane block versus port-site infiltration in appendicectomy: multicentre randomized clinical trial”, publicado em 09 de janeiro de 2026 no The British Journal of Surgery, realizado na Irlanda, teve por objetivo avaliar a eficácia do bloqueio do plano transverso abdominal assistido por laparoscopia (LTAP) como alternativa à infiltração convencional dos portais (PSI).

Método de Estudo
Ensaio clínico randomizado multicêntrico, cego para pacientes e avaliadores. Os participantes receberam LTAP ou infiltração padrão (PSI) com bupivacaína 0,25%. O desfecho primário foi a dor medida pela Escala Visual Analógica (VAS) em intervalos até 24 horas.
O estudo incluiu 171 pacientes adultos com suspeita de apendicite aguda não complicada em três hospitais universitários irlandeses. Foram 85 pacientes no grupo LTAP e 82 no grupo controle, com média de idade de 45 anos.
Resultados
- Redução da Dor: O grupo LTAP apresentou escores de dor significativamente inferiores nas primeiras 6 e 12 horas pós-cirurgia.
- Poupador de Opioides: Houve redução na necessidade de oxicodona no grupo LTAP (0,8 vs 1,2 doses; $p=0,034$).
- Qualidade de Vida: Pacientes do grupo LTAP relataram melhor qualidade de vida na primeira semana após a alta.
- Segurança: Não foram observadas complicações relacionadas à técnica.
Mensagem Prática
O bloqueio LTAP deve ser considerado o novo padrão de cuidado na apendicectomia laparoscópica. Na prática, supera a infiltração de portais ao proporcionar analgesia regional abrangente e reduzir o consumo de opioides sem necessidade de ultrassom.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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