Logotipo Afya
Anúncio
Cirurgia20 abril 2026

Atualizações sobre Doença de Peyronie: o que é necessário saber em 2026?

Doença de Peyronie: entenda fases, diagnóstico e quando a cirurgia é indicada para corrigir curvatura e disfunção erétil.

A doença de Peyronie (DP) é definida como uma fibrose adquirida localizada na túnica albugínea, levando à formação de placas fibróticas locais que geram aumento da curvatura peniana, deformidade anatômica, e em alguns casos queixas álgicas ao paciente. Esses sintomas podem ocasionar dificuldade de ereção e de penetração durante a relação sexual, sendo motivo de desconforto e da busca pelo médico urologista.  

Sua prevalência varia aproximadamente de 0,3-13% dos homens, sendo subdiagnosticada em muitos casos devido ao constrangimento do paciente em procurar atendimento. 

Saiba mais: Doença de Peyronie pode impactar até 20% da população masculina

Group of surgeons in hospital operating theater. Medical team performing surgery in operation room.

Etiologia  

A DP é dividida em duas fases bem definidas: fase aguda, que dura geralmente 6-18 meses, caracterizada por dor durante a ereção, progressão da curvatura peniana e formação da placa fibrótica. Já a fase crônica é caracterizada por estabilização da curvatura, raramente há dor. Documentar em qual fase se encontra o paciente é importante devido a mudanças na técnica cirúrgica empregada para correção.  

A etiologia da doença é multifatorial, e pode ser explicada por lesões microtraumáticas repetitivas, cicatrização anormal com ativação de fibroblastos e deposição excessiva de fibras colágeno que promovem a formação da placa fibrótica. Comorbidades clínicas apresentadas pelo paciente também ajudam a perpetuação da DP, tais como: disfunção erétil, diabetes, tabagismo, doenças fibróticas sistêmicas e idade avançada. Há ativação de citocina pró inflamatórias e liberação de fatores de crescimento que desencadeiam a fibrose da túnica albugínea.  

Avaliação clínica e diagnóstico da DP 

Como qualquer patologia, boa anamnese e coleta da história clínica são essenciais. Documentar o início da doença, bem como a progressão da curvatura, presença de dor e o quanto há de impacto na vida sexual é importante para definir o tratamento. O Exame físico deve priorizar a palpação da placa fibrótica e avaliação da deformidade. Para isso, o padrão ouro na avaliação da deformidade peniana é a ereção induzida pela injeção intracavernosa de medicações pró ereção. A partir disso, mede-se a curvatura peniana e as deformidades.  

Indicações cirúrgicas 

Para haver indicações cirúrgicas, o paciente deve obedecer a alguns critérios: Doença em fase estável (entre 6-12 meses de evolução com curvatura estável por 3-6 meses), deformidade que impeça ou dificulte a relação sexual, falha ou insatisfação com tratamentos conservadores, paciente motivado e bem-informado em relação ao tratamento cirúrgico. 

Na avaliação pré-operatória é necessária a documentação do grau de curvatura peniana, comprimento peniano, função erétil e presença de deformidades complexas. Todas essas variáveis influenciam na decisão de qual técnica cirúrgica utilizar.  

Quanto a técnica cirúrgica, as diretrizes indicam três categorias de procedimentos:  

Procedimentos para encurtamento (plicatura): objetiva-se encurtar o lado convexo do pênis para corrigir a curvatura. É indicada para pênis com curvatura leve a moderada (inferior a 60°), boa função erétil e comprimento peniano adequado que permita o encurtamento. Utiliza-se técnicas cirúrgicas simples, com baixa taxa de disfunção erétil e alta taxa de correção, sendo a preferida pelos urologistas.  

Procedimentos para incisão ou excisão da placa fibrótica com enxerto (grafting): remoção ou incisão da placa fibrótica com enxerto na túnica albugínea. Indicado para curvaturas superior a 60°, ou deformidade complexa, ou ainda pênis mais curtos que vão perder tamanho considerável se realizar procedimentos de plicatura. Embora haja maior preservação do tamanho peniano, há maior risco de disfunção erétil por englobar técnicas cirúrgicas mais complexas.  

Prótese peniana: é indicada quando há DP associada a disfunção erétil refratária, com incapacidade em manter relação sexual a despeito de tratamento clínico.  

Como qualquer cirurgia, podem ocorrer complicações, tais como: encurtamento peniano, disfunção erétil, hiopestesia peniana, recorrência da curvatura, infecção de sítio cirúrgico, dentre outros.  

 Mensagem final 

A definição de tratamento cirúrgico deve ser tomada em conjunto com o paciente. A escolha da técnica dependerá de fatores clínicos avaliados como grau da curvatura, comprimento peniano e função erétil, sempre sendo realizada na fase estável da DP. É necessário buscar um médico urologista para melhor avaliação e definição do plano terapêutico para o quadro.  

Autoria

Foto de Caio Henrique da Silva Teixeira

Caio Henrique da Silva Teixeira

Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense - 2022. Cirurgião Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar 2023-2026. Residente de Urologia - Hospital Federal do Andarai.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Cirurgia