Logotipo Afya
Anúncio
Carreira20 outubro 2026

Residência Médica HUC 2027: confira as questões comentadas da prova

Confira questões da prova de Residência Médica HUC 2027, respostas comentadas pela AfyaMedcel e os pontos de atenção.
Por Bruna Lupp

A prova de Residência Médica do Hospital Universitário Cajuru (HUC) para ingresso em 2027 foi aplicada em 13 de outubro de 2026 pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O caderno dos programas sem pré-requisito reuniu 100 questões objetivas: 20 de Pediatria, 20 de Medicina Preventiva e Social, 20 de Ginecologia e Obstetrícia, 20 de Clínica Médica e 20 de Cirurgia Geral.

Após a avaliação, professores da AfyaMedcel analisaram questões selecionadas em uma live, abordando o raciocínio clínico, a escolha das alternativas e possíveis pontos de recurso. As respostas abaixo representam a correção comentada da equipe, e não substituem o gabarito oficial da PUCPR.

Veja, abaixo, alguns comentários de questões selecionadas.

Pediatria

Questão 3 | Intoxicação por amitriptilina e RCP

Resposta comentada na live: E (afirmativas I, II e IV)

A questão descreve uma criança de 3 anos que, após ingestão acidental de amitriptilina, evolui com parada cardiorrespiratória e fibrilação ventricular. A resposta exige integrar o protocolo de reanimação pediátrica (PALS) às particularidades da intoxicação por antidepressivos tricíclicos.

Na afirmativa I, a relação de 15 compressões para duas ventilações é aplicável à RCP pediátrica com dois socorristas e sem via aérea avançada; depois de estabelecida essa via, as manobras são realizadas de forma independente. Essa alternativa pressupõe a atuação de dois socorristas, pois fala-se em “equipe”, sem deixar o número explícito. Com apenas um socorrista, a relação de compressões seria 30:2.

A afirmativa II também está correta: a diretriz pediátrica aceita 2 a 4 J/kg no primeiro choque, com aumento da energia nas tentativas seguintes, respeitando o limite recomendado. 

A afirmativa III está errada porque o tempo desde a ingestão, por si só, não indica carvão ativado em uma criança com rebaixamento de consciência que evoluiu para parada. 

A IV está correta: o bicarbonato de sódio intravenoso pode ser usado para tratar a cardiotoxicidade da amitriptilina, junto às medidas de reanimação 

A V reproduz uma opção do algoritmo geral para fibrilação ventricular, mas a amiodarona deve ser evitada neste contexto de intoxicação por tricíclicos. 

Assim, a correção apresentada na live considera corretas I, II e IV, correspondentes à alternativa E. 

Assistir ao comentário no YouTube

Infectologia

Questão 20 | Pielonefrite e resistência AmpC

Resposta comentada na live: E — cefepime intravenoso

O caso é de um menino de 8 anos com pielonefrite e hemocultura e urocultura positivas para Enterobacter cloacae complex. Embora o antibiograma indique sensibilidade à ceftriaxona, cefepime, piperacilina-tazobactam e meropenem, o enunciado destaca o risco de expressão induzível da betalactamase AmpC.

Esse mecanismo pode gerar resistência durante o tratamento, mesmo quando a sensibilidade inicial à ceftriaxona é favorável. Por isso, a alternativa A, que mantém essa cefalosporina de terceira geração, não é a melhor opção para uma infecção invasiva. A piperacilina-tazobactam (B) também não é preferencial nesse contexto, devido à limitada proteção contra AmpC. Associar ceftriaxona a aminoglicosídeo (C) não elimina esse risco.

O meropenem (D) pode ser empregado em situações específicas, mas não é obrigatório quando o isolado permanece sensível ao cefepime e não foram identificados outros mecanismos relevantes, como ESBL. O cefepime intravenoso (E), cefalosporina de quarta geração mais estável diante da AmpC, foi a escolha defendida pelo professor.

Portanto, a resposta comentada é E. O aprendizado central é não interpretar o antibiograma isoladamente: a espécie bacteriana e seus mecanismos de resistência também orientam a antibioticoterapia definitiva.

Assistir ao comentário no YouTube

Medicina Preventiva e Social

Questão 22 | Interpretação do hazard ratio

Resposta comentada na live: A

A questão pede a definição precisa de hazard ratio (HR), apontada na live como uma das mais difíceis de Saúde Coletiva. Diferentemente do risco relativo, que compara incidências acumuladas em um intervalo, o HR compara as taxas instantâneas de ocorrência de um evento entre grupos ao longo do acompanhamento, considerando quem ainda permanece sob risco.

Em estudos de tempo até o evento, como análises de sobrevida, a composição do grupo sob risco se modifica conforme os participantes apresentam o desfecho ou são censurados. Nos modelos de riscos proporcionais, a razão entre as taxas instantâneas é pressuposta constante ao longo do seguimento.

A alternativa A expressa corretamente essa definição. A B descreve o risco relativo; a C corresponde ao odds ratio (razão de chances); e a E trata da diferença absoluta de riscos. A alternativa D descreve uma comparação agregada de incidência sem representar adequadamente a evolução do conjunto de pessoas sob risco e o tratamento das perdas de seguimento.

Assim, a resposta é A. O ponto-chave é distinguir uma medida de tempo até o evento (HR) das medidas baseadas em riscos acumulados, chances ou diferenças absolutas.

Assistir ao comentário no YouTube

Ginecologia e Obstetrícia

Questão 58 | Gestação ectópica: questão apontada como passível de recurso

Resposta comentada na live: Sem alternativa consensual na análise; a alternativa C propõe laparotomia

A questão apresenta uma paciente com gestação ectópica, β-hCG de 3.200 mUI/mL, massa de aproximadamente 3 cm e estabilidade hemodinâmica, atendida em uma UPA. Apesar de esses parâmetros poderem permitir considerar metotrexato em pacientes selecionadas, a dor abdominal intensa e progressiva modifica a avaliação e sustenta a necessidade de abordagem cirúrgica.

O ponto questionado pelo professor Jader Burtet é a via de acesso. A prova inclui laparotomia (alternativa C), mas não oferece videolaparoscopia. Em pacientes estáveis, quando disponível e viável, a videolaparoscopia costuma ser preferível por ser menos invasiva, sem excluir a laparotomia em situações específicas.

O local de atendimento também entra na discussão. Como a paciente está numa UPA, ela precisa de avaliação especializada em um serviço com estrutura para eventual cirurgia. A alternativa D propõe encaminhamento ao ginecologista-obstetra, mas não especifica o destino nem a estrutura disponível. Por esses motivos, o professor apontou, na live, argumentos para questionar a questão. 

Assistir ao comentário no YouTube

Clínica Médica

Questão 71 | Tratamento da crise aguda de gota

Resposta comentada na live: C — manter alopurinol e iniciar colchicina em baixa dose

O caso descreve um paciente de 69 anos com podagra, doença renal crônica (TFG de 48 mL/min/1,73 m²), insuficiência cardíaca e histórico de hemorragia digestiva por úlcera péptica. Ele já utiliza alopurinol e não apresenta interação medicamentosa relevante com colchicina. No caderno oficial, está afebril.

A alternativa A erra ao suspender o alopurinol: a terapia hipouricemiante em uso deve ser mantida durante a crise. A B propõe anti-inflamatório não esteroide em dose plena, opção desfavorável pelo antecedente de sangramento digestivo, pela doença renal e pela insuficiência cardíaca.

A alternativa C mantém o alopurinol e acrescenta colchicina em baixa dose, esquema considerado adequado para controlar a inflamação com menos eventos gastrointestinais que doses elevadas. A TFG informada não contraindica automaticamente a colchicina, mas requer atenção ao risco de toxicidade. A alternativa D erra ao aumentar imediatamente o alopurinol com finalidade anti-inflamatória; a E reserva bloqueio de IL-1 como primeira escolha, embora essa abordagem seja considerada sobretudo em situações selecionadas ou refratárias.

Assim, a resposta comentada é C. Importante: iniciar alopurinol durante a crise não é absolutamente proibido em todas as diretrizes; o ponto inequívoco aqui é manter a medicação já prescrita e escolher o tratamento da inflamação segundo as comorbidades.

Assistir ao comentário no YouTube

Outras questões para avaliação

EspecialidadeQuestão / Alternativa corretaMinutagem do comentário
PEDIATRIAQuestão 5 | Calendário de vacinação infantil

Resposta comentada na live: C

Assistir ao comentário no YouTube
PEDIATRIAQuestão 6 | COVID-19, HPV e febre amarela

Resposta comentada na live: A

Assistir ao comentário no YouTube
PEDIATRIAQuestão 9 | Obesidade grave na infância

Resposta comentada na live: D

Assistir ao comentário no YouTube
MEDICINA PREVENTIVAQuestão 21 | Delineamento epidemiológico

Resposta comentada na live: B — coorte histórica

Assistir ao comentário no YouTube
MEDICINA PREVENTIVAQuestão 24 | Número necessário para tratar no SELECT

Resposta comentada na live: E — aproximadamente 67 pacientes

Assistir ao comentário no YouTube
INFECTOLOGIAQuestão 32 | Tríplice viral em trabalhadora de saúde

Resposta comentada na live: D — duas doses de tríplice viral

Assistir ao comentário no YouTube
CLÍNICA MÉDICAQuestão 61 | Estado de mal convulsivo

Resposta comentada na live: E — diazepam intravenoso

Assistir ao comentário no YouTube
INFECTOLOGIAQuestão 67 | Celulite não purulenta grave

Resposta comentada na live: C — cefazolina intravenosa, entre as opções da prova

Assistir ao comentário no YouTube
CLÍNICA MÉDICAQuestão 73 | Distúrbio acidobásico misto

Resposta comentada na live: A — acidose metabólica com ânion gap elevado associada a alcalose metabólica

Assistir ao comentário no YouTube
CLÍNICA MÉDICAQuestão 75 | Tratamento inicial do tromboembolismo pulmonar

Resposta comentada na live: B — apixabana 10 mg a cada 12 horas por sete dias; depois 5 mg a cada 12 horas

Assistir ao comentário no YouTube
CIRURGIAQuestão 95 | Tirzepatida antes de cirurgia eletiva

Resposta comentada na live: A — manter tirzepatida, dieta líquida por 24 horas e jejum adequado

Assistir ao comentário no YouTube

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Residência