Afya Summit 2026

Os principais debates, ideias e provocações

O começo da jornada
O dia em que a Medicina brasileira discutiu, ao vivo, o próprio futuro
A imersão aconteceu no dia 29 de agosto, no Auditório do Ibirapuera. Nove horas de palco, um único fio condutor: o que a tecnologia já resolve na Medicina e o que continua sendo definido sob percepção humana.
De Silicon Valley aos cuidados paliativos, no mesmo dia
No dia 29 de agosto, a Afya reuniu mais de 1.200 pessoas no Auditório Ibirapuera para a 3ª edição do Afya Summit, nove horas de palco, um único tema por trás de todos eles: o que a tecnologia está fazendo com a Medicina, e o que a Medicina precisa continuar fazendo por conta própria.
Embaixador da Afya e da CIS, Manoel Guimarães gravou as nove horas de conteúdo e, nos dias seguintes ao evento, revisitou cada bloco.
O resultado é um documento construído a partir de um olhar atento e integral do Summit, capaz de conectar discussões que atravessaram diferentes momentos do dia.
Ao longo de toda a programação, diferentes perspectivas foram articuladas em torno de uma questão central, que orientou as discussões da Medicina à tecnologia, da gestão aos cuidados paliativos.
Se a tecnologia transforma o que é possível na Medicina, como ela transforma também o papel de quem cuida?
Bloco 01 / 09
Abertura institucional
A escolha por falar de disciplina, não de tecnologia
Nicolau Esteves, Virgílio Gibon e Gustavo Meirelles

As pessoas veem o resultado. Mas as pessoas não veem o processo. E o processo é tão importante, ou mais importante, que o resultado.
Nicolau Esteves · Fundador e chairman, Afya
Quem abriu a manhã foi Nicolau Esteves, fundador e chairman da Afya, ao lado de Virgílio Gibon, CEO da Afya, e de Gustavo Meirelles, VP médico e de relações institucionais da Afya. Antes de qualquer slide sobre inteligência artificial, Nicolau contou como era estudar Medicina no início dos anos 1970, quando existia um único livro de semiologia disponível no país e cada aluno precisava copiá-lo à mão para ter o próprio exemplar.
O contraste entre o auditório lotado, quase 50 anos depois, e aquele livro copiado à mão podia ter virado só nostalgia. Não virou. Convidado a deixar um conselho para os médicos mais jovens presentes, Nicolau recusou o papel de guru: “esse negócio de conselho é bem complicado, se fosse bom a gente não dava.”
Entregou, mesmo assim, quatro coisas que sustentam meio século de carreira. Foco no processo, não só no resultado. Disciplina, que ele definiu como treinar o cérebro para fazer o que é chato. Coragem de correr risco. E paixão pelo que se faz, do tipo que vira obsessão.
Um fundador que levou a própria empresa à Nasdaq em 2019 escolheu abrir o evento mais tecnológico do calendário da Afya falando sobre disciplina e processo, não sobre produto. Foi a primeira pista de que o dia giraria menos em torno da tecnologia em si e mais observando o que ela exige de quem a usa.

Bloco 02 / 09
Estamos preparados para a Medicina do futuro?
Tecnologias exponenciais e as transformações que já estão redefinindo a saúde
Daniel Kraft

A inteligência artificial não é a estratégia, é o amplificador.
Daniel Kraft · Stanford, fundador do Next Med Health
A manhã teve como convidado internacional Daniel Kraft, médico formado em Stanford, ex-piloto e médico da força aérea americana, fundador do Next Med Health. Em uma hora de palestra em inglês, com tradução simultânea, Kraft apoiou boa parte da fala em vídeos de demonstrações reais, vários deles envolvendo inteligência artificial.
Contou que o próprio relógio inteligente identificou sozinho, numa caminhada no Parque da Cidade, que ele estava a 4 mil metros de altitude, e ajustou as recomendações de saúde a partir disso. No momento mais marcante da manhã, mostrou um vídeo em que engole uma cápsula endoscópica robótica e navega em tempo real pelo próprio esôfago, projetado para todo o auditório.
No mesmo bloco de uma hora, Kraft ainda passou por farmacogenômica, CRISPR e terapia genética, realidade aumentada e virtual, impressão 3D de medicamentos e implantes, robótica cirúrgica e social, longevidade e o conceito de gêmeo digital, uma réplica computacional de cada paciente, alimentada por dado genômico, ambiental e de comportamento.

A tese que amarra tudo isso é a convergência: nenhuma dessas tecnologias mudam o jogo sozinhas, o salto acontece quando elas se conectam. Ficou evidente que a cabeça dele não para, já que não é assunto para qualquer um dar conta em apenas uma hora.
No meio de tanto entusiasmo com genômica e terapia genética, Kraft trouxe também um dado desconfortável sobre a própria indústria que representa: os dez remédios mais vendidos nos Estados Unidos funcionam de verdade só para uma fração de quem os toma: no melhor caso, 1 em cada 4 pacientes; no pior, apenas 1 em cada 24.
Ele também deixou um alerta que voltaria, de formas diferentes, no restante do dia: gastroenterologistas que se acostumaram a usar inteligência artificial na leitura de exames perderam parte da própria capacidade diagnóstica quando a ferramenta foi retirada. A pergunta que fica: como se ensina uma habilidade que a ferramenta já faz melhor que o aluno, sem deixar de ensiná-la?

Bloco 03 / 09
Inteligência Artificial na Saúde
Aplicações reais, riscos, limites e uso responsável da IA
Guilherme Rodrigues, Eduardo Lapa e Dayanna Quintanilha

A máquina nunca vai ser perfeita, porque a perfeição só é divina.
Eduardo Lapa · Cardiologista, fundador do Cardiopapers
O painel reuniu Guilherme Rodrigues, oftalmologista, Eduardo Lapa, cardiologista fundador do Cardiopapers, e Dayanna Quintanilha, clínica médica e gerente de pesquisa e inovação da Afya. Antes de começarem, quem apresentou a transição foi Lia, o avatar digital da Afya, e a própria Lia avisou o público que não poderia discutir “o papel das pessoas no futuro da inteligência artificial”, porque isso exige imaginação, experiência de vida e senso crítico.
Um detalhe pequeno, na medida certa: uma inteligência artificial dizendo, com todas as letras, que certas conversas seguem exigindo gente de verdade.
Guilherme abriu contando o caso de uma paciente que sumiu por cinco anos e voltou com um glaucoma já avançado, levantando uma pergunta simples: quanto tempo de consulta se perde preenchendo documentos em vez de olhar para o paciente? O médico passa, em média, 37% do tempo de consulta olhando para a tela, e um levantamento da própria Afya apontou alta de 13% em um ano nos casos de burnout ligados a burocracia entre médicos brasileiros.

Eduardo Lapa trouxe o caso mais aplicável da manhã: um médico sozinho, às três da manhã, diante de um eletrocardiograma sugestivo de infarto e, quando testado com cinco mil médicos e estudantes do Cardiopapers, 45% erraram a conduta. Com a honestidade que deu credibilidade ao painel, ele também contou o contraponto: o mesmo aplicativo já deu um falso-negativo em um paciente dele.
Dayanna Quintanilha fechou com o dado que talvez devesse estar em qualquer comitê de tecnologia hospitalar: um estudo real, na Polônia, mostrou que colonoscopistas que passaram a usar inteligência artificial rotineiramente tiveram queda de 6% na detecção de adenomas quando a ferramenta foi retirada. O trio encerrou com o Navio de Teseu: se a Medicina troca, peça por peça, suas partes técnicas por inteligência artificial, o que continua sendo, de fato, Medicina? A resposta implícita: o julgamento clínico é a peça que não se substitui.

Bloco 04 / 09
A era das decisões orientadas por dados
Como interoperabilidade, inteligência analítica e saúde digital estão transformando sistemas e decisões clínicas
Jacson Barros

As pessoas propõem solução sem conhecer o problema.
Jacson Barros · AWS Health & Life Sciences, ex-DataSUS
Depois de uma manhã inteira sobre possibilidades, Jacson Barros (mais de 30 anos em tecnologia da informação em saúde, ex-diretor do DataSUS, hoje à frente de Health Care and Life Sciences na AWS) trouxe a pergunta que equilibrou o painel: de que adianta ter o dado, se ninguém confia nele? Contou o caso de uma diretora de centro cirúrgico que mantinha os principais indicadores do hospital anotados em post-its na parede, porque não confiava no sistema digital instalado.
E relatou uma situação real, dois meses antes do Summit: uma criança de 8 anos morreu depois de ser atendida quatro vezes em um mesmo pronto atendimento, em 72 horas, sem que, em nenhuma dessas passagens, os dados do atendimento anterior fossem cruzados.
O que faltou ali foi um sistema capaz de conversar com ele mesmo. O problema, nesse caso, já deixou de ser tecnologia há um tempo. Você também já tinha essa percepção?
O argumento dele dá para resumir em quatro camadas, e vale usá-las como checklist antes de qualquer hospital comprar mais tecnologia. A primeira é simplesmente ter dado, que sozinho não resolve nada. A segunda é ter dado conectável: a interoperabilidade que permite um posto de saúde conversar com um hospital, e um hospital conversar com outro. A terceira é ter dado confiável, o que envolve qualidade de coleta, padronização de vocabulário clínico e contexto suficiente para sustentar uma decisão segura.

A quarta, a mais rara das quatro, é ter a capacidade real de transformar esse dado em decisão clínica no momento em que ela precisa ser tomada. Barros deixou uma provocação simples, e por isso mesmo útil: seria possível interpretar o resultado que a ferramenta entrega? Seria possível explicar por que ela chegou a esse resultado? Se a resposta para as duas for não, ele considera o preço secundário: o que decide é o contexto em que ela foi colocada para trabalhar.

Bloco 05 / 09
Quem vai liderar a Medicina do futuro?
Competências, mentalidade e responsabilidades das lideranças médicas
Gustavo Meirelles, Linamara Battistella, Giovanni Guido Cerri e Sergio Ricardo Santos

55% de todas as pessoas que morrem no Brasil morrem de causas evitáveis.
Sergio Ricardo Santos · Ex-CEO Amil, ex-VP ANS
O bloco reuniu Gustavo Meirelles como moderador, Linamara Battistella, professora titular de fisiatria da FM-USP, Giovanni Guido Cerri, radiologista também da USP, e Sergio Ricardo Santos, ex-CEO da Amil e ex-vice-presidente da ANS. Foi neste painel que a Afya lançou oficialmente a Rede de Pesquisadores em Condições Crônicas Não Transmissíveis, iniciativa do Instituto Afya, um passo natural para uma instituição que já formou 56 mil médicos e educa hoje 126 mil estudantes no Brasil.
Foi também aqui que surgiu o dado que dá sentido a este documento inteiro. Sergio Ricardo Santos descreveu, com precisão pouco comum, por que isso acontece: o sistema de saúde brasileiro remunera evento, não saúde. Se um paciente é internado por pneumonia e sai curado ou morto, o hospital recebe exatamente o mesmo valor, enquanto as operadoras investem menos de 1% da receita anual em prevenção.
Giovanni Guido Cerri trouxe um contraponto importante: a ideia de que tecnologia e humanização se opõem não resiste à história recente da Medicina: foi a tomografia que permitiu diagnósticos precoces que salvaram relações inteiras entre médico e paciente.
E apontou para onde a radiologia caminha: a radiômica, capaz de identificar, em uma ressonância, padrões de câncer de pâncreas meses antes de qualquer alteração visível a olho nu. Linamara Battistella fechou trazendo o assunto de volta ao que já é comprovadamente eficaz: 150 minutos de exercício físico por semana, sem custo e sem depender de nenhuma tecnologia nova.

Bloco 06 / 09
A próxima revolução da Medicina será humana
O que se torna essencial em um cenário cada vez mais tecnológico
Brian Solis

A inteligência artificial é um teste de liderança, não um teste de tecnologia.
Brian Solis · Futurista
Logo depois do almoço, abrindo a parte da tarde, o futurista Brian Solis trouxe um dado que qualquer instituição de saúde deveria levar para dentro de casa antes de lançar um novo produto com inteligência artificial: 38% das pessoas acreditam que ela fará mais mal do que bem, e apenas 9% acreditam no contrário. Todo o entusiasmo tecnológico visto até aqui só se traduz em confiança real se a experiência do paciente acompanhar o discurso.
Solis batizou um fenômeno interessante de “AI Darwinism”: estudantes que usam inteligência artificial tiram notas melhores em trabalhos de casa, mas notas piores em provas feitas sem ela. Sobrevive quem se adapta ao uso da ferramenta, não necessariamente quem aprendeu mais.
O momento mais pessoal da fala veio quando contou que a própria filha, radiologista, ficou tão receosa com a substituição da especialidade que voltou à faculdade para trocar de área, há dez anos. Solis usou o caso para reformular a pergunta: o trabalho de um radiologista vai além de diagnosticar uma imagem, chega até tratar a doença que essa imagem revela, e é aí que a tecnologia tem muito mais a somar do que a substituir.
Vale registrar também a experiência de assistir: entre luz, trilha sonora e pausas bem calculadas, a apresentação tinha ritmo de TED Talk, do tipo que prende pela forma tanto quanto pelo conteúdo. Sem exagero, uma das palestras mais bonitas de acompanhar do dia inteiro.

Bloco 07 / 09
O impacto da tecnologia acelerada na Medicina
E a necessidade de reflexão ética
Drauzio Varella

A Medicina é uma profissão que se faz com as mãos.
Drauzio Varella · Oncologista, escritor
Na sequência, Drauzio Varella trouxe a perspectiva histórica que faltava para colocar tudo em contexto. Contou a própria infância em São Paulo, quando ainda não existiam vacinas para nenhuma das doenças que teve, e descreveu o Hospital das Clínicas, no início da carreira, lotado de casos de esquistossomose e doença de Chagas. Um levantamento dos anos 60 mostrou que 92% das crianças em idade escolar tinham vermes.
A partir desse ponto de partida, reconstruiu a criação do SUS e da Estratégia Saúde da Família, hoje com 44 mil unidades básicas e 240 mil agentes comunitários, “um exército de 400 mil pessoas” somando os agentes de combate a endemias rurais. E entregou o dado mais surpreendente do dia: segundo o próprio The Lancet, a intervenção médica que mais salvou vidas no século 20 foi o soro caseiro, à frente de vacinas e antibióticos.
Trouxe também uma autocrítica rara: de cada 100 pacientes hipertensos acompanhados por 12 meses, apenas 12 permanecem com a pressão controlada. “É a falência da profissão”, disse, sem dramatizar, como quem já processou esse número há muito tempo e prefere usá-lo como ponto de partida, não como lamento.

Drauzio também é um amor de pessoa e maratonista de carteirinha, já correu Nova York, Berlim e outras tantas. É bonito ver, na prática, alguém que fala de humanização porque vive dela: ele lembrou que dá para fazer um exame físico em três minutos, bem superficial, e ainda assim mudar completamente a sensação que o paciente leva daquele atendimento. Numa era inteira voltada para inteligência artificial, a coisa mais importante que ele deixou foi mais simples que qualquer tecnologia: ter tempo para tocar no paciente.

Bloco 08 / 09
Comunicação e posicionamento médico na era digital
Como construir presença, autoridade e reputação no ambiente digital
Rafael Kiso e Isabela Dupin

Insistir nas pessoas é um ato cristão.
Rafael Kiso · mLabs
Ninguém quer paciente para uma consulta. A gente quer paciente para a vida.
Isabela Dupin · Dermatologista
Rafael Kiso, da mLabs, e a dermatologista Isabela Dupin trataram de um problema concreto: pela primeira vez, existe mais conteúdo produzido inteiramente por inteligência artificial nas redes sociais do que por humanos. Plataformas como LinkedIn, Instagram, YouTube e Snapchat já ajustaram os próprios algoritmos para reduzir o alcance desse tipo de conteúdo, justamente porque 77% das pessoas dizem preferir conteúdo genuíno.
Kiso propôs uma fórmula simples: clareza, autoridade, confiança e frequência, multiplicadas entre si: uma única variável em zero derruba o resultado inteiro. Mas o momento mais forte veio de uma história real, contada por um mastologista: uma paciente do SUS recusou operar um câncer de mama duas vezes seguidas. Ele marcou a terceira cirurgia mesmo assim, e ela chorou no dia seguinte, dizendo que nunca ninguém tinha insistido tanto nela.
Vale reforçar o ponto por trás dos dados. As pessoas já estão nas redes, procurando saúde, procurando resposta, procurando em quem confiar, e esse espaço não fica vazio só porque o profissional bom decide ficar calado: ele fica ocupado por quem tem menos escrúpulo em aparecer. Charlatães sabem exatamente disso, e é por isso que ocupam tanto espaço no ambiente digital hoje: falta gente boa disputando a atenção que deveria ser dela.

Tem outro lado nisso, tão importante quanto o primeiro. Saber se posicionar na era digital ajuda a alcançar mais gente, atrair o paciente certo e orientar esse paciente da forma correta antes mesmo da primeira consulta. Pensar em retenção, aqui, significa pensar na capacidade de ficar o máximo de tempo possível ao lado do mesmo paciente, acompanhando a história dele de verdade.

Bloco 09 / 09
Existe Medicina sem humanização?
A mais antiga e a mais negligenciada das tecnologias clínicas
Ana Claudia Quintana Arantes

Sejam médicos que valem a pena ver de novo.
Ana Claudia Quintana Arantes · Médica paliativista
A médica paliativista Ana Claudia Quintana Arantes, autora do best-seller “A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver”, subiu ao palco sem maquiagem, coerente com o discurso sobre desobjetificação que viria a seguir. Encerrou o Summit recusando o consenso mais fácil: “existe sim Medicina sem humanização. Foi ela que nos trouxe até aqui.”
Contou que, na própria faculdade, ganhava um prêmio de brincadeira entre os colegas (apelidado de “tatu de ouro”) por conseguir mais exames para os próprios pacientes: era ela quem continuava ao lado deles quando a doença “vencia” e os colegas já tinham deixado de visitar. Avisou o tom logo no início: “estou sendo dura porque eu tenho 45 minutos, não dava para fazer preliminares.”
Cumpriu a promessa sem papas na língua, indo direto às críticas mais duras do encerramento sobre o ego dentro da Medicina. Contou que boa parte da autoestima médica hoje nasce de procedimento, não de cuidado, e descreveu uma cena comum em qualquer hospital-escola: o médico que entra na sala cercado de residentes do R1 ao R5, interno, enfermeira navegadora, e ainda assim só tem um espelho na frente dele, não um paciente.

O caso central da fala resume o argumento inteiro. Uma paciente queria abandonar a quimioterapia. Ao investigar, Ana Claudia descobriu que o problema real não era o câncer em si: era uma náusea tardia para a qual nenhuma conduta específica havia sido prescrita. Ajustou a medicação, construiu vínculo, apelidou o processo de “vale de lágrimas”, e a paciente riu, pela primeira vez, em uma consulta oncológica. Encerrou contando o caso de um paciente sedado em uma UTI que mandou um recado perguntando quando ela voltaria: “porque eu sei que no seu plantão eu vou ser feliz.”

Fechamento
O que fica
As nove horas de palco não foram medidas apenas pelo tempo de duração, mas pela presença de convidados com perfis muito diferentes entre si: um futurista americano, um radiologista da USP, o ex-CEO de uma das maiores operadoras de saúde do país, uma médica de cuidados paliativos.
E, ainda assim, uma única linha atravessou o dia inteiro, quase sempre dita com outras palavras: a tecnologia já resolve boa parte do problema técnico da Medicina. O que continua em aberto é o que cada médico, cada instituição e cada paciente decide fazer com o tempo, a atenção e a confiança que ela devolve.

E, Manoel afirma:
Saí do Afya Summit com a certeza de que, quanto mais a inteligência artificial resolve o trabalho repetitivo da medicina, mais tempo sobra pra fazer o que sempre foi o verdadeiro papel dela, cuidar de gente com presença e as próprias mãos.”
Manoel Guimarães · embaixador Afya e embaixador CIS

Créditos
Uma parceria Afya × CIS
Registro produzido a partir da gravação integral do Afya Summit 2026, feita com o Plaud Note, em parceria entre a Afya e a CIS, Comunidade Inovação em Saúde.
Cobertura assinada por Manoel Guimarães
Médico radiologista, co-founder da Chronafy e editor-chefe de conteúdo da Mentoria Residência e da Mentoria Medcel, embaixador Afya e embaixador CIS, Comunidade Inovação em Saúde. Acompanhou as nove horas de palco do Afya Summit 2026 como embaixador de ambas as instituições para produzir este registro.
Realização
Transformando a saúde em parceria com quem tem a Medicina como Vocação.
#AfyaSummit2026
Autoria
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