A isquemia miocárdica é uma doença preocupante, pois pode ser um fator de risco para eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio (IAM) ou arritmia.
Caracterizada pela obstrução das artérias cardíacas por algum coágulo ou aterosclerose, a isquemia miocárdica provoca diminuição no fluxo sanguíneo, o que acarreta no desequilíbrio na demanda e oferta de oxigênio para o coração.

Troponina ultrassensível pode indicar isquemia miocárdica
Estudos recentes associaram o baixo nível de circulação de troponina ultrassensível (cTnI-us) como biomarcador da isquemia, mesmo em pacientes com doença arterial coronariana estável. Uma pesquisa observacional realizada nos Estados Unidos entre 2012 e 2016, cujos resultados foram publicados em novembro de 2018 no periódico Annals of Internal Medicine, procurou investigar a relação entre a enzima e a isquemia miocárdica.
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Estudo avaliou pacientes com doença arterial coronariana estável
Os pesquisadores selecionaram 607 pacientes diagnosticados com doença arterial coronariana estável, com idade média de 63 anos, e os designaram em dois grupos. O primeiro foi chamado de coorte de derivação e continha 589 integrantes e o segundo recebeu o nome de coorte de validação e continha 118 participantes.
Níveis de cTnI-us foram analisados em duas coortes
No coorte de derivação, todos os pacientes tinham níveis de cTnI-us que variavam entre 1,3 a 377,9 pg/mL, com média de 4,3 pg/mL. No coorte de validação, os níveis de troponina ultrassensível giravam em torno da média de 4,8 pg/mL. O tempo de follow up foi de três anos e os desfechos primários identificados foram morte por evento cardiovascular e episódios de infarto agudo do miocárdio.
Baixos níveis de troponina estiveram associados a menor risco
Ao final do estudo, os pesquisadores concluíram que apenas 10-20% dos pacientes com níveis de cTnI-us menores do que 2,5 pg/mL desenvolveram isquemia cardíaca. As taxas de eventos cardiovasculares adversos nos indivíduos com níveis baixos de troponina ultrassensível (< 2,5 pg/mL) também foram menores se comparadas com as dos pacientes com altos níveis da enzima (0% vs. 7%).
Autoria

Roberto Caligari
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