
Resposta: Ritmo idioventricular acelerado (RIVA)
ECG com FC 93bpm, QRS largo (> 120ms), sem visualização de ondas p. Quando se tem um ECG com QRS largo em todas as derivações geralmente se pensa em bloqueio de ramo. Neste caso, a ausência de onda p e o padrão morfológico dos QRS descartam essa possibilidade.
Pode-se usar os Critérios de Brugada para se definir a origem ventricular ou supraventricular desse ritmo. Já no seu primeiro critério: Há ausência de padrão RS nas precordiais? SIM; o diagnóstico de taquicardia ventricular é feito. Os mais atentos dirão: Taquicardia ventricular? Com FC 93bpm?
Portanto, faz-se o diagnóstico de ritmo idioventricular acelerado (RIVA) ou ritmo próprio dos ventrículos. Ele é ventricular como uma taquicardia ventricular (o que justifica o uso dos Critérios de Brugada), porém com frequência abaixo de 100bpm. Ele é acelerado, pois não se espera que um ritmo ventricular tenha FC 93bpm. Corroborando a origem ventricular, há um batimento estreito em DI, DII e DIII (segundo batimento), que provavelmente corresponde a uma captura sinusal do ventrículo.
Esse ritmo classicamente é descrito na reperfusão miocárdica, como no exemplo acima, mas pode estar presente em outros cenários de distúrbios metabólicos ou ainda ser idiopático. O principal mecanismo eletrofisiológico é o automatismo e geralmente não necessita de drogas antiarrítmicas.
Resumo: diferença de TV e RIVA – basicamente a frequência cardíaca. Se < 100 bpm – RIVA. Se > 100 bpm – TV.
Autoria

Pedro Veronese
Graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP. Residência em Clínica Médica no Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de SP em 2007 e em Cardiologia no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP em 2009. Especialização (extensão universitária) em Arritmia Não Invasiva no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP e em Arritmia Invasiva e Eletrofisiologia no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP. Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. Doutor em Ciências pelo InCor-FMUSP. Médico assistente do Serviço de Emergência do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de SP. Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba e do Hospital Estadual Vila Alpina. Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professor da Faculdade de Medicina UNINOVE. Médico assistente do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Médico colaborador do Ambulatório Didático de Arritmias Cardíacas do InCor-FMUSP. Diretor do Curso Descomplicando ECG - Dr. Pedro Veronese.
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