Logotipo Afya
Anúncio
Cardiologia27 setembro 2016

Infarto de ventrículo direito: Diagnóstico e manejo na prática

Infarto de ventrículo direito: diagnóstico pelo ECG, importância clínica e cuidados no manejo que podem mudar o prognóstico.
Por Ronaldo Gismondi

Diretrizes, artigos, livros… Se você conseguiu ler 10% de tudo o que foi publicado sobre infarto agudo do miocárdio (IAM) no último ano, parabéns: é quase um feito sobre-humano.

Em meio a esse enorme volume de informação, alguns temas acabam ficando em segundo plano. Um deles é o infarto de ventrículo direito (VD) — o “outro lado” do infarto.

Infarto de ventrículo direito: é raro?

Existe um mito comum de que o IAM acomete apenas o ventrículo esquerdo. No entanto, a literatura mostra que o infarto de VD está presente em:

  • 30% a 50% dos infartos de parede inferior

Ou seja, é muito mais comum do que se imagina.

Quando suspeitar?

Diante de um IAM inferior no eletrocardiograma, a conduta deve ser imediata:

Realizar derivações direitas

  • Especialmente V3R e V4R

Critério diagnóstico

  • Supradesnivelamento do ST ≥ 1 mm
  • Principalmente em V4R

Esse achado sugere fortemente acometimento do ventrículo direito.

Importância clínica

O infarto de VD não é apenas um achado eletrocardiográfico.

Está associado a:

  • Maior morbidade
  • Maior mortalidade intra-hospitalar

Existe alguma pista clínica?

Sim, a chamada tríade clássica:

Tríade do infarto de VD

  • Turgência jugular
  • Hipotensão arterial
  • Ausência de congestão pulmonar

Alta especificidade (~96%)

Porém, está presente em apenas 25% dos pacientes.

Portanto, o diagnóstico depende principalmente do eletrocardiograma.

Manejo: o que muda na prática?

O ponto-chave é entender a fisiologia do ventrículo direito.

VD é volume-dependente

Seu desempenho depende diretamente do retorno venoso.

Condutas que devem ser evitadas

  • Nitratos
  • Diuréticos

Ambos reduzem o retorno venoso e podem precipitar choque grave.

E a morfina?

  • Não é formalmente contraindicada
  • Deve ser usada com cautela

Reposição volêmica: pode?

Sim — e muitas vezes é necessária.

Indicação

  • Hipotensão
  • Sinais de baixo débito

Condição

  • Ausência de congestão pulmonar

A expansão volêmica melhora o débito cardíaco no VD.

Prognóstico

Apesar da gravidade inicial:

  • O VD costuma manter viabilidade miocárdica
  • Prognóstico a longo prazo pode ser favorável

Desde que o manejo seja adequado.

Conclusão

O infarto de ventrículo direito é comum, subdiagnosticado e potencialmente grave.

  • Deve ser sempre investigado no IAM inferior
  • O ECG com derivações direitas é essencial
  • O manejo difere significativamente do IAM clássico

Reconhecer esse padrão pode mudar o prognóstico e salvar vidas.

Autoria

Foto de Ronaldo Gismondi

Ronaldo Gismondi

Editor-chefe médico da Afya RJ ⦁ Pós-doutorado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Coordenador da Cardiologia do Niterói D’Or ⦁ Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Cardiologia