O ACLS coloca de forma bastante clara que o emprego das manobras vagais deve ser o primeiro passo na tentativa de reversão das taquicardias supraventriculares (TSV) estáveis. Existem várias manobras vagais descritas, entre elas: provocar vômito, tomar um copo de água gelada bem rápido, compressão do seio carotídeo e valsalva. Apesar disso tudo, o sucesso na reversão das TSV com essas manobras não ultrapassa 20 a 25%.
Tentando melhorar a eficácia dessas manobras, mais especificamente a de Valsalva, um grupo inglês publicou na revista Lancet uma manobra de Valsava modificada testada em um estudo randomizado, que conseguiu reverter as TSV em até 43% dos casos contra 17% no grupo manobra de Valsalva convencional. Os pacientes com fibrilação atrial e flutter atrial foram excluídos do estudo.
Descrição da manobra de Valsalva modificada: o paciente em posição semi-reclinada devia produzir uma pressão de 40mmHg por 15 segundos (manobra de valsalva clássica) soprando uma pequena mangueira ligada ao esfigmomanômetro ou uma seringa de 10ml . Dessa forma existe um aumento da pressão intra-abdominal e o desencadeamento do reflexo vagal. Porém, ao final dos 15 segundos o paciente era rapidamente colocado em posição supina com elevação das pernas. Assista este vídeo para entender melhor.
Os autores concluem que a manobra teve um sucesso elevado comparado à manobra clássica, sem qualquer complicacão, sem custos adicionais e que portanto, ela deve realizada de forma rotineira e ser ensinada aos pacientes.
Referências:
1. Circulation 2010; 122S; S729-S767.
2. Lancet 2015; 386: 1747-53.
Autoria

Pedro Veronese
Graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP. Residência em Clínica Médica no Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de SP em 2007 e em Cardiologia no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP em 2009. Especialização (extensão universitária) em Arritmia Não Invasiva no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP e em Arritmia Invasiva e Eletrofisiologia no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de SP. Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. Doutor em Ciências pelo InCor-FMUSP. Médico assistente do Serviço de Emergência do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de SP. Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba e do Hospital Estadual Vila Alpina. Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Professor da Faculdade de Medicina UNINOVE. Médico assistente do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Médico colaborador do Ambulatório Didático de Arritmias Cardíacas do InCor-FMUSP. Diretor do Curso Descomplicando ECG - Dr. Pedro Veronese.
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