O estudo Hokusai-VTE avaliou a eficácia e a segurança da edoxabana em relação à varfarina no tratamento da trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP). Como resultado principal, mostrou não inferioridade da edoxabana em relação à varfarina, incluindo desse anticoagulante oral direto (DOAC) na lista de opções terapêuticas.

Estudo
Nesse cenário de tromboembolismo venoso, existe a dúvida sobre o papel prognóstico de comorbidades arteriais pré-existentes. Uma análise observacional pós-hoc recente utilizou dados secundários do ensaio original e analisou essa questão. Ao se avaliar os pacientes de acordo com a extensão da aterosclerose conhecida no momento do evento índice de tromboembolismo venoso, testou-se a hipótese de que a doença multivascular atue como um marcador clínico da gravidade do comprometimento vascular sistêmico e, consequentemente, de maior vulnerabilidade a eventos adversos após a embolia pulmonar.
Metodologia
Foram incluídos 2.800 pacientes do Hokusai-VTE cujo evento índice foi embolia pulmonar aguda, com ou sem trombose venosa profunda associada. A recorrência de tromboembolismo venoso, de embolia pulmonar, de sangramento maior e de mortalidade por todas as causas foram avaliados ao longo de 12 meses. Os participantes foram classificados conforme o número de territórios arteriais acometidos por aterosclerose sintomática (nenhum, um ou múltiplos territórios), e essa variável foi relacionada ao tempo até recorrência de tromboembolismo venoso, recorrência de embolia pulmonar, sangramento maior e mortalidade por todas as causas por meio de modelos de regressão de riscos proporcionais de Cox.
A análise incluiu modelos univariados e multivariados, com ajustes progressivos para idade, sexo, uso de anticoagulação como variável dependente do tempo e múltiplas comorbidades relevantes.
Resultados
Os resultados mostraram que a presença de doença aterosclerótica polivascular foi associada a um aumento significativo do risco de recorrência de TEV e de embolia pulmonar, mesmo após ajustes multivariados. Em contraste, a aterosclerose limitada a um único território arterial não demonstrou associação independente com recorrência tromboembólica. Em relação aos desfechos de sangramento maior e mortalidade, tanto a doença multivascular quanto a de um único território apresentaram associação nos modelos não ajustados, mas essas relações perderam significância estatística após o controle de fatores de confusão, sugerindo que parte do risco observado se deve ao perfil clínico mais complexo desses pacientes.
Considerações finais
O estudo sugere que a carga de aterosclerose, particularmente quando envolve múltiplos territórios arteriais, possui valor prognóstico em pacientes pós embolia pulmonar aguda. Esse achado é plausível pois ambas as condições compartilham de mecanismos inflamatórios e de fatores de risco comuns. Embora não se possa estabelecer uma relação causal, o estudo fortalece a hipótese de que a embolia pulmonar ocorre dentro de um contexto global de saúde vascular. Por fim, a identificação de doença multivascular pode auxiliar na estratificação do risco de recorrência de eventos futuros, além de levantar a hipótese de que estratégias terapêuticas direcionadas à inflamação possam beneficiar pacientes com ambas as condições.
Autoria
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