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Cardiologia1 setembro 2026

ESC 2026: O que foi destaque no terceiro dia de congresso

Confira os estudos que movimentaram o evento em seu último dia.

No terceiro dia do Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia tivemos mais trabalhos com possível impacto na clínica médica e um dos destaques é o TRIC-I-HF, um estudo multicêntrico, randomizado e aberto que incluiu 360 pacientes com insuficiência cardíaca (IC) e insuficiência tricúspide sintomática importante que tinham tratamento clínico otimizado e alto risco de eventos. 

Os pacientes foram randomizados para tratamento clínico isolado ou associado a reparo valvar transcateter (edge-to-edge). A idade média era de 80,3 anos, 56% eram mulheres e 75% estavam em classe funcional III ou IV da New York Heart Association. A maioria tinha fibrilação atrial ou flutter, pouco mais da metade havia sido internada por IC no ano anterior, 81% tinham síndrome cardiorrenal e 46% cardio-hepática. 

Em relação a valvopatia, metade tinha insuficiência tricúspide importante e 10% torrencial, ou seja, o acometimento valvar era grave na maioria. O desfecho primário era hierárquico e composto por morte, internação por IC e melhora da qualidade de vida pelo escore KCCQ em 1 ano e houve benefício da intervenção.  

O segundo desfecho primário de morte ou internação também teve benefício com a intervenção e na análise individual houve benefício de cada desfecho separadamente, ou seja, o procedimento reduziu inclusive morte. Esse estudo tem algumas limitações, mas sugere que nesse perfil de paciente há benefício significativo da intervenção. 

Outros estudos com IC avaliaram medicações que já são usadas habitualmente, como hidralazina associada a nitrato em pacientes com IC com fração de ejeção reduzida (FER). Sabemos que há algum benefício dessa medicação nos pacientes afrodescendentes e o estudo H-HeFT testou se a medicação teria benefício em redução de mortalidade nos pacientes com ICFER não afrodescendentes.  

Foi estudo randomizado, duplo cego e placebo controlado e os resultados não mostraram benefício, porém grande parte dos pacientes suspenderam a medicação por eventos adversos, houve um recrutamento muito lento dos pacientes e a taxa de eventos foi menor que a esperada, o que reduziu o poder do estudo. 

Um outro estudo que buscou responder uma dúvida da prática clínica foi o TAVI PCI, que avaliou o momento da realização da TAVI e da intervenção coronária percutânea (ICP) nos pacientes que precisam dos dois procedimentos, que representam quase metade dos pacientes avaliados para TAVI.  

Foi estudo de não inferioridade que randomizou 986 pacientes e a realização da TAVI antes da ICP foi não inferior a realizar a ICP primeiro. Assim, esse estudo sugere que a estratégia deve ser individualizada de acordo com o paciente. 

 

Autoria

Foto de Isabela Abud Manta

Isabela Abud Manta

Editora de Cardiologia da Afya. Médica pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), especialista em Clínica Médica pela mesma Instituição e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). Pós graduação em Cardio-Oncologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Além da Afya, atua em consultório, hospitais públicos e privados e é instrutora da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

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