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Cardiologia26 março 2026

Claritromicina tem relação com fibrilação atrial?

Claritromicina aumenta risco de fibrilação atrial? Veja o que mostra nova análise do estudo CLARICOR e implicações clínicas.

A claritromicina, antibiótico da classe dos macrolídeos, é utilizada há muitas décadas e, após alguns relatos de benefício de seu uso no tratamento de pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) e doença coronária crônica foi realizado o estudo CLARICOR, que encontrou efeitos adversos da medicação, com aumento de mortalidade e acidente vascular cerebral (AVC).  

Após 10 anos de seguimento, a mortalidade por todas as causas permaneceu alta em pacientes que não utilizavam estatina, assim como a ocorrência de doença cerebrovascular. Também foi visto aumento de morte súbita no grupo que usou a medicação comparado ao placebo, sugerindo um mecanismo arritmogênico. 

A claritromicina e outros macrolídeos tem efeito eletrofisiológico agudo, sugerindo efeito pró-arrítmico principalmente nos pacientes com outros fatores de risco, como a doença isquêmica. 

Assim, foi publicado recentemente um estudo secundário com dados do CLARICOR, que avaliou possível efeito da claritromicina no risco de fibrilação atrial, a arritmia mais comum e que leva a maior morbimortalidade cardiovascular.  

claritromicina

Métodos do estudo e população envolvida 

O CLARICOR foi estudo randomizado, multicêntrico, de superioridade, que incluiu 4372 pacientes com doença coronária estável. O estudo era cego e randomizou pacientes para receber 14 dias de claritromicina ou placebo. Os pacientes foram recrutados a partir dos registros hospitalares e 40% deles tinham história de infarto prévio. 

As medicações de uso contínuo eram mantidas durante o período do estudo e histórico de FA era obtido dos registros prévios, sendo esses pacientes excluídos da análise. A ocorrência de FA era baseada nos CIDs registrados no sistema de saúde, assim como a causa do óbito quando este ocorria antes do término do estudo.  

Os pacientes do grupo intervenção foram avaliados em dois contextos: considerando-se todos os pacientes e apenas os que não estavam em uso de estatina no momento da inclusão.  

Resultados 

Após exclusão de 330 pacientes com diagnóstico prévio de FA, foram incluídos na análise 4042 pacientes, sendo 2009 no grupo claritromicina e 2033 no grupo placebo.  

Os grupos tinham características semelhantes entre si e no seguimento de 10 anos, FA ocorreu em 13,5% dos pacientes do grupo claritromicina e 13,3% do grupo placebo, sem diferença estatística entre os dois. O grupo que desenvolveu FA tinha idade mais avançada (69 anos x 64 anos) e alguns marcadores, como NT-proBNP em níveis mais altos (356ng/l x 178ng/l). 

Na randomização, 2350 pacientes não faziam uso de estatina e ao se avaliar esse grupo, 15,8% dos que receberam claritromicina desenvolveram FA comparado a 14,4% dos que receberam placebo, também sem diferença estatística. Também não houve diferença ao se comparar homens e mulheres ou uso de estatina ou digoxina na randomização. 

Comentários e conclusão 

O estudo CLARICOR teve seguimento bastante longo, de 10 anos, e encontrou aumento de mortalidade por todas as causas e AVC nos pacientes que utilizaram claritromicina. Porém, nesta subanálise, não houve aumento da ocorrência de FA nos pacientes que utilizaram a medicação, e que poderia ser um dos mecanismos que levaria a aumento da mortalidade e de AVC.  

Autoria

Foto de Isabela Abud Manta

Isabela Abud Manta

Editora médica de Cardiologia da Afya ⦁ Residência em Clínica Médica pela UNIFESP ⦁ Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) ⦁ Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) ⦁ Atua nas áreas de terapia intensiva, cardiologia ambulatorial, enfermaria e em ensino médico.

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