Todos sabemos que a doença coronariana é causa importante de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Também é fato que essa doença pode existir durante longos períodos de forma assintomática ou com sintomas inespecíficos. Portanto, frequentemente o clínico se depara com quadros nem sempre típicos, nos quais, entretanto, a avaliação das coronárias é relevante.
A AngioTC coronária apresenta elevada acurácia diagnóstica em relação à angiografia invasiva, confirmada por grandes trials e revisões sistemáticas1,2, com sensibilidade variando de 85 a 99% e especificidade de 64 a 96% (mesmo em contexto de prevalência alta de DAC obstrutiva). Destaca-se seu alto valor preditivo negativo entre 83 a 100% para exclusão de doença. Esses dados sustentam sua grande aplicabilidade clínica, principalmente num contexto em que encontramos altas taxas de cateterismos cardíacos sem lesões significativas.
Além disso, a existência de doença coronária detectada pela AngioTC apresenta implicação prognóstica (entenda como sobrevida livre de eventos coronarianos maiores e mortalidade cardiovascular), que diminui tanto quanto maior o número de segmentos coronarianos acometidos e quanto, obviamente, maior o grau de estenose das lesões encontradas3.
Respondendo então a pergunta do post: É inegável que o elevado valor preditivo negativo faz da AngioTC um método excelente para EXCLUSÃO de DAC. Mas além disso, há evidências robustas de que a presença e extensão de doença coronária detectada pelo exame tem implicação prognóstica, gerando mudanças na condução, no tratamento e na aderência do paciente.

AngioTC – Representação tomográfica utilizada para o estudo da anatomia e luminografia coronária e correlação com as demais estruturas cardíacas. Destaque para a artéria descendente anterior sem lesões obstrutivas.
Então não esqueça: Os pacientes com dor torácica e probabilidade pré-teste intermediária (o critério de Diamond-Forrester é o mais usado) podem ser investigados adequadamente pela AngioTC.
1.Vanhoenacker PK, Heijenbrok-Kal MH, Van Heste R, Decramer I, Van Hoe LR, Wijns W, et al. Diagnostic performance of multidetector CT angiography for assessment of coronary artery disease: meta-analysis. Radiology. 2007;244(2):419-28.
2.Miller JM, Rochitte CE, Dewey M, Arbab-Zadeh A, Niinuma H, Gottlieb I, et al. Diagnostic performance of coronary angiography by 64-row CT. N Engl J Med. 2008;359(22):2324-36
3. Hulten et al. Prognóstic Value of 64-Slice Cardiaca computed tomography J Am Coll Cardiol 2010, 55:1017-28
Autoria

Alexandre Volney
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (2003), residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007) e Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009), Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011) e Especialização em Ecocardiografia (HNB/SP, 2011-2012). Atualmente é sub-coordenador médico da cardiologia clínica do Hospital Bandeirantes (SP), médico da equipe de Tomografia e Ressonância Cardiovascular do Hospital Sírio Libanês (SP), coordenador do setor de Tomografia e Ressonância Cardiovascular da Clínica Imagem (Bauru-SP) e do Instituto de Radiologia de Presidente Prudente - SP. É médico pesquisador colaborador do grupo MASS (Medicine, Angioplasty or Surgery Study) do Instituto do Coração (InCor-FMUSP). Tem experiência na área de Cardiologia, com ênfase em Imagem Cardiovascular.
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