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Cardiologia18 abril 2026

ACP 2026: 6 estudos em cardiologia com impacto direto na prática

AQUATIC, API-CAT, BEDMED, WARRIOR, STOPDAPT-3 e TARGET DAPT em foco no ACP 2026.
Por Redação Afya

Na sessão de Atualizações em Cardiologia do ACP 2026, em São Francisco, seis ensaios recentes chamaram atenção por seu potencial de mudar condutas em antitrombose, hipertensão, doença isquêmica crônica e intervenção coronária: AQUATIC, API-CAT, BEDMED, WARRIOR, STOPDAPT-3 e TARGET DAPT. Em comum, eles reforçam uma cardiologia menos guiada por intensificação automática e mais por seleção do paciente certo, no momento certo. 

AQUATIC: aspirina tardia em anticoagulado crônico pode fazer mal 

O AQUATIC incluiu 872 pacientes com síndrome coronariana crônica, angioplastia prévia há mais de seis meses, alto risco aterotrombótico e uso prolongado de anticoagulação oral. Aspirina 100 mg/dia foi comparada com placebo. O estudo foi interrompido precocemente após mediana de dois anos por excesso de mortalidade no grupo aspirina. O desfecho de eficácia ocorreu em 16,9% com aspirina versus 12,1% com placebo, e sangramento maior foi mais frequente com aspirina (10,2% versus 3,4%). Para a prática, o estudo favorece anticoagulação isolada na fase tardia desses pacientes, salvo outra indicação clara de antiagregação. 

API-CAT: apixabana reduzida é opção após 6 meses no câncer associado à TEV 

O API-CAT avaliou 1.766 pacientes com câncer ativo e tromboembolismo venoso proximal tratados previamente por pelo menos seis meses. Na fase de extensão por 12 meses, apixabana 2,5 mg duas vezes ao dia foi não inferior à dose de 5 mg para recorrência de TEV (2,1% versus 2,8%) e reduziu sangramento clinicamente relevante (12,1% versus 15,6%). Embora seja um estudo de interface com cardio-oncologia, seu efeito prático é importante para a cardiologia hospitalar e ambulatorial: em pacientes oncológicos selecionados, a manutenção em dose reduzida passa a ser uma estratégia plausível para equilibrar recorrência e sangramento. 

BEDMED: cronoterapia não reduziu eventos cardiovasculares 

O BEDMED testou se tomar anti-hipertensivos à noite protege mais do que pela manhã. Em 3.357 adultos hipertensos acompanhados por mediana de 4,6 anos, o uso noturno não reduziu morte nem eventos cardiovasculares maiores. O desfecho primário ocorreu a 2,3 por 100 pacientes-ano no grupo noite e 2,4 por 100 pacientes-ano no grupo manhã, sem diferença também em quedas, fraturas, glaucoma ou declínio cognitivo. A principal implicação clínica é abandonar a prescrição universal de horário noturno: o melhor horário passa a ser o que melhora adesão e tolerabilidade. 

WARRIOR: INOCA segue como fronteira terapêutica difícil 

O WARRIOR randomizou 2.476 mulheres com suspeita de INOCA para terapia intensiva com estatina de alta intensidade, IECA ou BRA em dose máxima tolerada e aspirina, versus cuidado usual. Em cinco anos, não houve redução significativa do primeiro MACE: 17,84% no grupo intensivo e 16,17% no grupo controle. Os eventos foram fortemente influenciados por hospitalizações por dor torácica. O resultado é neutro, mas relevante: confirma que INOCA não é condição benigna, embora ainda falte uma estratégia padronizada capaz de modificar desfechos. O recado prático é manter controle rigoroso de fatores de risco, mas com expectativa realista e maior individualização. 

STOPDAPT-3: retirar aspirina imediatamente após PCI ainda é cedo demais 

O STOPDAPT-3 comparou monoterapia imediata com prasugrel versus dupla antiagregação com aspirina e prasugrel em 5.966 pacientes japoneses submetidos à intervenção coronária percutânea, a maioria com síndrome coronariana aguda ou alto risco hemorrágico. Em 30 dias, a monoterapia não foi superior para reduzir sangramento maior (4,47% versus 4,71%) e mostrou sinais de maior risco isquêmico precoce, com mais revascularização não planejada e mais trombose subaguda de stent. Portanto, a retirada da aspirina já no pós-PCI imediato não deve substituir a dupla antiagregação no primeiro mês, sobretudo em cenários agudos. 

TARGET DAPT: DAPT abreviada pode funcionar em contexto selecionado 

O TARGET DAPT randomizou 2.445 pacientes tratados com stent Firehawk para três versus 12 meses de dupla antiagregação. O desfecho composto de morte, infarto, AVC e sangramento maior em 18 meses foi semelhante entre os grupos (10,1% versus 10,9%), estabelecendo não inferioridade da estratégia curta. Na análise de 3 a 18 meses, houve menos sangramento maior com três meses de DAPT. O estudo apoia a abreviação da DAPT em plataformas contemporâneas e pacientes bem selecionados, mas a extrapolação deve considerar tipo de stent, perfil isquêmico e risco de sangramento. 

Em síntese, os trabalhos discutidos no ACP 2026 convergem para uma mensagem prática: simplificar tratamento quando isso reduz dano sem sacrificar eficácia. AQUATIC e API-CAT refinam a anticoagulação; BEDMED encerra uma controvérsia comum; WARRIOR lembra que INOCA ainda exige melhor fenotipagem; e STOPDAPT-3 e TARGET DAPT ajudam a individualizar a duração da antiagregação após PCI. 

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Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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