A escarlatina é uma doença bacteriana causada por Streptococcus pyogenes, estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Embora seja comumente associada a infecções de pele, pode causar quadros mais graves e manifestações sistêmicas.
Mesmo com a queda importante de sua incidência desde o final do século XIX, surtos de escarlatina têm sido descritos em diferentes regiões do mundo, reforçando a necessidade de atenção aos sinais e sintomas da doença.


O que causa a escarlatina?
A ocorrência da escarlatina é mediada pela produção de exotoxinas pirogênicas estreptocócicas. O rash característico da doença resulta de uma resposta de hipersensibilidade tardia e ocorre apenas em indivíduos que já tiveram contato prévio com a bactéria.
Embora seja mais comum após o acometimento da faringe, a escarlatina pode ocorrer como consequência de qualquer infecção por Streptococcus pyogenes.
Como reconhecer o quadro clínico da escarlatina?
Embora possa afetar indivíduos de todas as idades, a escarlatina acomete com maior frequência crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos.
O quadro clínico típico é caracterizado por faringite aguda, febre e fadiga, seguidas pelo desenvolvimento de rash cutâneo, geralmente cerca de 24 horas após o início da doença.
Rash cutâneo e língua em framboesa
O rash da escarlatina é maculopapular, áspero e com aspecto semelhante ao de lixa. Costuma começar na região superior do tórax e se disseminar para outras áreas do corpo, geralmente com preservação de palmas, plantas e região perioral.
As dobras, incluindo axilas, pescoço, virilha, cotovelos e joelhos, podem apresentar coloração vermelha mais intensa. O rash dura cerca de uma semana, e sua melhora pode ser acompanhada por descamação intensa e prolongada.
A língua em framboesa também é considerada um achado típico. A língua apresenta, inicialmente, aspecto brancacento e saburroso e, depois, torna-se edemaciada e intensamente avermelhada.
Manifestações atípicas da escarlatina
Também podem ocorrer manifestações atípicas, como:
- exantemas maculares mais leves;
- acometimento palmoplantar;
- eritema e edema de orelhas;
- eritroderma difuso;
- petéquias em face, pescoço e axilas.
Quais são as complicações da escarlatina?
Assim como em outras infecções estreptocócicas, a escarlatina pode estar associada a complicações como:
- abscessos peritonsilares e retrofaríngeos;
- linfadenite cervical;
- bacteremia;
- endocardite;
- pneumonia;
- febre reumática;
Quais são os principais diagnósticos diferenciais da escarlatina?
Os diagnósticos diferenciais da escarlatina incluem exantemas virais, farmacodermias, síndrome do choque tóxico estafilocócico e doença de Kawasaki.
Como confirmar o diagnóstico da escarlatina?
A confirmação microbiológica pode ser realizada por cultura ou por testes rápidos.
Entretanto, resultados positivos na cultura podem representar apenas colonização, enquanto os testes rápidos podem apresentar resultados falso-negativos.
Por esse motivo, os exames complementares devem ser sempre interpretados em conjunto com a história clínica e o quadro clínico do paciente.
Como tratar a escarlatina?
O tratamento da escarlatina é realizado com antibioticoterapia. A penicilina e as aminopenicilinas, como a amoxicilina, constituem os antibióticos de primeira escolha.
Conclusão
A escarlatina deve ser considerada diante de um quadro de faringite aguda, febre e exantema eritematoso, especialmente em crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos.
O reconhecimento de achados típicos, como o rash com aspecto de lixa e a língua em framboesa, auxilia na avaliação clínica. A confirmação microbiológica pode ser feita por cultura ou testes rápidos, sempre com interpretação conjunta da história e do quadro clínico.
O tratamento é realizado com antibioticoterapia, sendo a penicilina e as aminopenicilinas, como a amoxicilina, as opções de primeira escolha.
*Este conteúdo foi atualizado em: 21/07/2026 pela equipe editorial do Portal Afya.
Autoria

Isabel Melo
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência médica em Infectologia pela mesma instituição (2020). Além da atuação na Afya, é médica no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.
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